Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger.
Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida...
Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida...
Valorizando os afectos...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

"Menino" Mimado


Nas pessoas portadoras de Síndrome de Asperger, também os afectos estão muito condicionados, no caso do Bruno muito antes deste diagnóstico de SA durante anos um psicólogo que o acompanhou, durante 8 anos, considerava ser um problema emocional e não estava longe da realidade é também um dificuldade enorme em manifestar e até mesmo receber afectos...

Vamos, precisar de recriar de novo alguma autonomia, e começar a deixa-lo mais longe do fórum, para que ele faça algum caminho sozinho.
E também por questões logísticas, dá-me mais jeito, deixa-lo ali e ele subir aquela ruela estreita.
Enquanto eu teria de fazer o dobro do percurso, para deixa-lo à porta.
Mas fico sempre assim com o coração "apertadinho"
Então, combinamos um código, logo que ele lá chegasse ligava-me para o telemóvel.
Mas que eu não iria atender, para dar só um toque.
Vai andando dá meia dúzia de passos. (volta atrás)
-Ah! Tu não vais atender!...
- Não filho. Não vale a pena basta só um toque.
- Mas queres que a mãe atenda?.. Se queres a mãe atende!...
Nem responde e volta a retomar o caminho.
Retiro o telemóvel e ponho no banco ao lado.
E fico parada dentro da viatura a aguardar que ele avance.
Mas ele volta de novo para atrás.
Para me dizer:- Mãe, gosto muito de ti.(baba)
- Eu também gosto muito de ti. Vá!... Vai lá filho!... (a esta hora da manhã não se pode dar muita "lamechice") rsss
Vai ficando à esquina, com aquele ar embebecido a olhar para mim.
Tive de me vir embora, como quem solta uma cria para a libertar.
Ainda tentei acompanha-lo pelos retrovisores do carro. (mas não deu)
Lá venho eu convencida, que assim que ele chegasse me ligaria.
Nada!... Não ligou. Assim que paro o carro, ligo-lhe eu.
-Então, filho não ligaste?!...
-Não, não liguei (responde-me ele)
Vá lá a gente entender isto!?... rsss

"Isto não quer dizer que as crianças com SA sejam incapazes de afeição, muito pelo contrário, podem até ser muito carinhosas, por vezes até demasiado, dando beijos e abraços a pessoas estranhas como se fossem próximas".
"No que toca a manifestações físicas de afecto, são oito ou oitenta".
"Fico sempre um pouco desconfiado quando os pais me dizem que uma criança com SA adora ser abraçada". "Pode ser o caso mas quantas vezes é a criança a tomar a iniciativa?"
"Esta dificuldade têm a ver com as trocas emocionais, isto é com a empatia"
"Muitas vezes a resposta chega ao retardador"
Estas últimas frases foram retiradas do livro "Mal entendidos" de Dr Nuno Lobo Antunes

14 comentários:

Mrs_Noris disse...

O M pode ter a iniciativa de me abraçar ou beijar quando fica feliz por alguma razão. Exemplo: quando sou eu quem o vai buscar à escola e não o pai.
Mas os seus afectos são pouco ternurentos. Não é meigo, é bruto e desajeitado. Às vezes abraça com tanta força que até estremece, outra vezes pendura-se em mim e ali fica. Eu já mal posso com ele pois já tem perto de 30 quilos. :)
Mas autónomo ele é. Deixo-o perto da escola e ele corre para a porta sem olhar para trás e sem se ralar com despedidas.

Margarida disse...

Mina
Achei excelente a ideia d deixar o filhote começar a voar sozinho...vai aos poucos. Custa??? Imagino que sim, mas tem que ser amiga. Quanto aos afectose mimos essa frase "Mãe, gosto muito de ti!" vale por mil beijos e abraços.
acontece-me isso tantas vezes. As minhas filhas mandam essa frase ou "Amo-te muito mamã!" em sms quando sentem que estou meia tristonha e isso dá-me logo forças para começar de novo.
Diga lá que não gostou desse carinho?

Margarida disse...

AH!!!
Caso não tenha reparado estou a tentar voltar à blogosfera.
Bjs

Mina disse...

Noris
Nem sei que te diga, mas acho que esse tipo de relacionamento é normal. E a forma de manifestar os afectos ao pai e à mae de forma diferente, pode ter a ver também como cada um dos progenitores se relaciona com ele, deve haver um reciprocicidade...
Este post levou-me a pensar, que cada vez mais nos fechamos nos afectos e que amar até se torna pecado ou lamecha.
Há pessoas que transmitem apenas os sinais outros tem de verbalizar.

Qualquer dia ficas de pescoço pendurado kkk
bjocas

Atena disse...

Olá Mina, que medo deve ter... eu às vezes também faço uma espécie de testes à porta da escola, e fico por perto só a vê-lo passar os portões. Outras vezes experimento esconder-me dele para ver a reacção... mas uma coisa assim à séria é que nunca experimenteí, tenho muito receio ainda. (secalhar tereí sempre)!
Nos afectos é um bocado como o M de Mr. Noris - muito "brutinho" na demonstração de afectos, mas muito frequentes e às vezes aperta-me e diz-me: "gosto de ti; esta mãe é minha".

Mina disse...

Margarida
Fico muito fekiz com o seu regresso, e que as coisas se estejam a compôr, ainda que virtual leve daqui a minha força, às vezes.lool
Que nenhum ser humano está sempre bem ,temos é que dar a volta ao texto rsss
Este gosto muito de ti, dito pelo meu asperger, vale muito, ainda para mais sabendo eu que este gostar é real e não têm a ver com o apaziguar as minhas dores, nem o ser agradável, o que não quer dizer que nas outras pessoas o seja atenção. O que acontece que estes jovens tem uma maior dificuldade em emitir estes sentimentos... E modestia a parte, assumo-me como uma grande chata em nunca desistir da parte afectiva, mesmo quando ele não correspondia, ainda agora o abraço muito e algumas vezes ele tenta afastar-me,e olha para mim com os olhos esbugalhados... Mas gosta de ser abraçado, mas tal como o Dr Nuno escreve ele não toma a iniciativa de procurar os afectos.
Que ricas filhas lool, a minha é mais sequita nunca me fez isso rss, mas á dias escreveu-e um texto que me deixou derretida que eu era a pessoa mais importante da vida dela...
A autonomia ele já teve mais, agora fomos o habituando o mal, e temos de voltar atrás...
bjocas

Mina disse...

Cristina
O Bruno, já é um adulto, e eu ainda tenho muitos receios em que ele ande sozinho, mas tenho de o soltar.
Não que ele não saiba muito bem todos os caminhos, o problema é que parece andar sempre a vaguear, e tenho também receio das interpelações dos outros...
Já tinhamos feito algum caminho que ao entrar no Cao retrocedeu...
Agora teremos de o retomar, só que o pai leva-o á portinha rsss
No ano passado mandei-o de expresso para Lisboa sozinho, mas tinha lá gente á espera, ainda hei-de aqui contar esse episódio que poderia ter corrido pior e melhor kkk
Se o Vasco manifesta os afectos, já é um excelente passo, se toma iniciativa melhor ainda. E essa "brutalidade" é própria da infância, o M E Vasco são da mesma idade praticamente kkk
bjocas

AVOGI disse...

Mina, e quantas pessoas (em SA) não sabem manifestar os afectos? Acho que não tem nada a ver com a síndrome mas sim com o carácter.

AVOGI disse...

Refaço a frase: "e quantas pessoas (SEM SA)...

Mina disse...

Avogi
Também,há pessoas, com essas "secura" de afectos, mas essas eu tenho mais dificuldade em entender, ou nem as entendo mesmo, faz-me imensa especíe.
Uma coisa é por não querer e outra é não saber, que é o caso dos Asperger. E nesses devesse trabalhar também essa parte emocional...
bjocas

Isabel Santos disse...

Querida Mina cada ser humano é um mundo e o mesmo se passa com os nossos meninos.
O J é ternurento,procura o colinho,dá abracinhos,todos menos eu já foram premiados com um beijo à sua maneira,ele é um doce e um diabrete ao mesmo tempo.
Vivo cada dia dando sempre muito carinho ,amor e um ralhete quando é preciso.
Não há padrões precisos para enquadrar o ser humano.
um beijo

Mina disse...

Isabel Santos
Somos todos diferentes mesmo os meninos com esta patologia pode haver um que dê muitos abraços, e outro que os rejeite eu conheço alguns que nem permitem uma aproximação fisíca. E não é por maldade ou serem mal educados é mesmo a forma de eles sentirem.
Talvez dessa frieza emocional, tenha vindo a teoria da mãe geladeira, é muito importante desde pequenos usar o mimo os abraços os beijos para que eles sintam esse afecto mesmo que aparentemente eles não deêm resposta.
O situação do Joãozinho é um caso feliz, quem tem uma avó especial e uns pais e também a natureza da própria criança que cativa.
Os ralhetes também fazem parte, eu sempre fui de opinião que eles devem ser tratados como iguais respeitando as sua diferenças...
bjocas

Estrumpfina disse...

A Cathy ainda não sabe dar beijinhos e não nos abraça espontaneamente mas gosta dos afectos sim e quando está "apertada" pede colo.

A autonomia é um aspecto muito importante a ser trabalhado. Boa aposta!

bjs

Mina disse...

Andreia
Pede colinho é por segurança e porque gosta dos afagos...
O meu medo é que haja pais que pensem que eles não gostam do mimo, e por uma questão de respeito da individualidade ou por desconhecimento, não lhe deiam esses carinhos, mesmo não sabendo eles corresponde-los gostam, levou tempo ,anos para ouvir este genero de frases do mãe gosto muito de ti, foi fruto de muita insistência, e quando ele me repelia, eu perguntava se ele não gosta dos abraços e dos mimos, e aí ele já queria repitir kkk
Mas se nunca lhos tivesse dado ele nunca os pediria, se lhe fazia alguma diferença não sei, mas a mim fazia.
Ainda agora para cumprimentar alguém ou com aperto de mão, ou um beijo é sempre solicitado pelo outro. Não é frieza é outra maneira diferente de se relacionar...
bjocas