Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger.
Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida...
Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida...
Valorizando os afectos...
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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

"Inadaptado"



Falamos de autismo, e das suas observações genuínas sem filtro.
Na sua actividade de voluntariado, detecta uma pequena falha, um saco que não encontra por estar no local errado, atrapalha-se e os comentários são logo em voz alta, preocupado que era para uma família, e estava nos individuais, obviamente com menos produtos.

Na aula de hidroginástica, já está dentro da piscina, quando entra a professora.
- Estava preocupado que não viesses, chegaste atrasada .
- Não cheguei nada, vocês é entraram mais cedo.

Ah! A mãe caladinha não diz nada, mas chegou ligeiramente atrasada ou o relógio da piscina estava adiantado .

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

"Não inventem"



Sempre, que quiserem fazer algum trabalho, (seja ele qual for), que implique inter-acção, com indivíduos com Autismo.
Ter em atenção:
-"Que o faz de conta não existe, (na concepção deles)"
-"Que ou é, ou não é ( não à meios termos)"
Falem só quando tiverem certezas, não finjam interesse ( em algo relativo a eles) se efectivamente ainda não tiverem essa proposta consolidada.
-"A corda bamba"
Deixa-os profundamente ansiosos.
-Precisam de saber as datas, os horários, o que os espera, com precisão ( no fundo apenas segurança).
Será assim tão difícil?

sábado, 9 de setembro de 2017

Riscos


Fala-se actualmente muito mais  em autismo, do que à 2/3 décadas.
O que não quer dizer, que todos  entendam, as particularidades dos indivíduos cujo os comportamentos são algo singulares, algumas vezes inapropriados, só o facto de não terem um filtro, põem nos constantemente à prova.
Se são crianças acha-se piada, à transparência , à sabedoria espantosa  em algumas matérias que nem supúnhamos essas capacidades.
Quando são adultos essa transparência e capacidade de memória, pode tornar-se "perigosa".
Para quem os conhece continuamos achar piada à mesma inocência e doçura  que nunca perdem.
Para os que não conhecem, podem achar assustador, assim no meio da multidão alguém começar a gritar a chamar atenção : "olha ali o T.F", isto a referir-se a um politico da nossa praça, cuja a memória dele  não o deixou  esquecer se  de o  ter ignorado  num projecto de inclusão e divulgação sobre o tema que aqui, nesta modesta "casinha continuamos a divulgar.
Quem corre os riscos, não são os outros.
Quem corre riscos, são mesmo as pessoas que têm este à vontade, no fundo provocatório, mas sem essa intenção.
Será que alguém , entende!?

domingo, 3 de setembro de 2017

Viver em sociedade


Entre nós...
E os outros!?
Existe um rio, existem margens..
Isto para tentar perceber, o que será que os outros acham, desta forma peculiar e particular de comunicar.
Estar em sociedade, exige demasiadas regras e etiquetas, que para um "Aspie", não serão barreiras visíveis, dada a naturalidade com que lidam com as pessoas.
Os temas de conversa, podem vir do nada, ou de algo que os liga a algum local ou acontecimento, com fio condutor pré-determinado por eles, que do outro lado quem não conhece ou lida habitualmente com esta síndrome, poderá ficar confuso. apreensivo com conversa.
Neste contexto o que fazer...
Deixar que as pessoas, percebam!?
Colocar-mos o rótulo nos indivíduos?

terça-feira, 13 de junho de 2017

Porque! Ele disse...


...Tu ( a mãe) vais escrever sobre isto!
Sobre o habitual "metediço" ou "preocupado"!?
Não sei qual o melhor titulo?
Quando encontra alguém  que conhece, questiona não por onde andou, ou se está tudo bem com a pessoa!
Mas porque não têm feito as habituais rotinas, senão perde o direito aquela ajuda.
Ainda assim a pessoa dá-lhe crédito e responde que esteve ausente, mas avisou os responsáveis.
Até parece que é ele o responsável, tal a preocupação de que cesse o apoio,  aquela senhora e  a outras pessoas, que não  têm vindo por algum motivo fazer o levantamento do seu cabaz.
-Oh! Filho quantas vezes, já te disse que. não tens nada a ver com  a vida das pessoas, podem ter mudado de residência, podem estar doentes, podem já não necessitar ( o que seria óptimo)!
-Não lhe chegam as minhas justificações , contrapõem que já são muitas pessoas a não ir -( mas isso é bom (digo eu) é sinal que já não precisam desse apoio).
Extrapola para a vertente laboral, se toda a gente deixar de ir aos supermercados, estes fecham e as pessoas ficam sem emprego - ( pode acontecer em alguns casos, quando à muita oferta, alguns  podem não subsistirem, não haver mercado para todos, (digo eu).
O rapaz , até têm alguma razão, nestes pensamentos e nestas observações , o modo de as transmitir ao mundo é que pode não ser entendível para todos.

Imagem: direitos de autor http://apginestalmachado.blogspot.pt/2014/12/projeto-ginestal-solidaria.html

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Sem filtro



Quantos dos pais com filhos, no quadro das  perturbações do espectro do autismo não dariam tudo, para ouvir  umas simples palavras!
Um filho, que lhe conseguisse transmitir, o que o incomoda, que conseguisse  identificar a localização de uma dor!
Nem sempre os que têm essas capacidades de comunicação e de  verbalização, o conseguem expor da forma mais conveniente.
Aquele "malfadado" filtro social, torna a conversa disfuncional, contar algo que até pode ter a ver, mas por ser demasiado intimo ( talvez o devesse  guardar na gaveta intimidade).
Saí tudo da boca para fora, não que tenha algum mal, falar de sexualidade, mas dentro do contexto, e se a consulta fosse nesse sentido.
A consulta era de otorrinolaringologia, para observar mais uma vez um problema crónico que se arrasta à já alguns anos de um desvio no septo nasal, que lhe têm provocado bastante mau estar, desde que sofreu uma agressão (quando frequentava o FSO*)
Explica à medica, quais as estratégias que têm arranjado, para conseguir aliviar de alguma forma o desconforto respiratório da narina, que está mais afectada ( fazer rolinhos com papel para provocar o espirro, torcer o nariz, colocar vibrocil e o acto masturbatório), que a médica nem tinha ouvido, mas que fez questão de repetir .
Está cientificamente provado o efeito, mas não havia necessidade :)

Agora, vamos ficar em modo, preparação psicológica, para uma possível cirurgia.
Já lhe foi explicado, que vai ter uns rolos no nariz, e só poderá respirar , pela boca.
Vamos aguardar, serenamente, a ver se é desta que resolve, este problema.

*FSO- Forúm Sócio Ocupacional


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

"Dalim/Dalão"


Como é se explica, a uma pessoa que não nos conhece de parte alguma, estas infantilidades.
O interesse de adulto por um pequeno alarme de entrada, entra e sai várias vezes, para ouvir o som, até que  descobre o aparelho e o passeia pelo establecimento.
Até quer sair com o sensor, para ir mostrar ao pai.
Por mais que lhe diga para parar com a brincadeira insisti e até imita o som.
Lá têm que sair uma justificação (podem me crucificar), tem autismo, às  vezes saem assim umas palermices sem sentido.
Se fosse uma criança isto seria um comportamento justificável.
Resumindo, tenho de lhe comprar um brinquedo daqueles, não vai ganhar para pilhas ;)

sábado, 17 de setembro de 2016

"Armado em inspector"


-Tenho uma coisa para te mostrar!?
Estremeço, o que me irá mostrar (algum disparate), afinal não desta vez um simples pacote de leite fora da validade, não é assim tão grave, deixa ficar.
Entramos numa loja, enquanto estou a pagar, diz à empregada, está ali um leite, que termina amanhã a validade  ( lá fica a rapariga com ar admirado a olhar para ele e agradece).
Para renovar a actividade que têm no ginásio, têm de passar por uns pequenos testes, pesagem, imc ,tensão arterial e pulsação.
Mas não fica só atento  aos parâmetros dele, e logo refere o peso dos colegas, principalmente de uma que nossa vizinha .
E depois esquece-se do resto, para ocupar a cabeça com as medidas dos outros.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

" Não dá; Não dá, Não dá"


Lá vou eu bater na mesma tecla.
Devo estar a torna-me autista!?
Ninguém mais do que eu ambiciona com todas as forças a inclusão, mas a força não basta, o desejo não basta, a vontade não basta.
Têm dias que só vejo os impossíveis, para quê bater na mesma tecla, cansada das minhas repetições, cansada do meu querer, se nada resulta.
Não posso culpar os outros por falta de compreensão ou de tentativa de inclusão, se ele não facilita.
Mesmo eu que já levo anos de preparação, e muitas vezes , já antevejo o que se vai passar, falta-me a paciência  e  a capacidade de dar a volta ao assunto, apenas me apetece desistir.
Os outros não têm obrigação de  aturar  todos os comportamentos desajustados e a falta de senso, que ele diz não conseguir controlar.
Pode retrair-se por momentos, mas rápidamente volta à  "carga"*, fazer ou dizer o que se já lhe disse milhares de vezes que não é suposto , dizer ou fazer, e que se deve limitar às suas funções.
Sem saber que ele retomaria hoje uma das tarefas, o meu "feeling"* , já me dizia que se ia passar  alguma coisa, muniu de telemóvel, para qualquer eventualidade.
Chegada ao local onde o ia deixar, a Drª. dirigiu-se a mim, se tinha algum tempo para falar, lógico que tenho  todo tempo do mundo.
Lá estacionei o carro e estivemos a conversar, infelizmente nada que eu não esperasse do seu comportamento provocatório, se estiver com uma criança comportasse como ela.
Se vir uma pessoa do outro lado da rua, grita pelo nome dela (excesso de confiança, que ninguém lhe deu).
Na entrega  se for pessoas que lhe agradem mais, manda as passar à frente.
Dá informações que estão nos estatutos de atribuição, mas que não lhe compete a ele e as pessoas obviamente , não gostam.
Um sem número de comportamentos, que já o avisamos centenas de vezes, para não fazer.
Não pude tomar outra atitude, senão dizer lhe para o suspenderem, para ver se ele aprende.
Assim, não dá, não dá, os avisos não servem, as chantagens não servem.
O que fazer !? Desta vez ficou, até trabalha e faz bem as coisa.
Quando o fui buscar, voltou à parte palerma.
Oh! My god.
*-Carga- a mesma coisa
*feeling- sentimento,sensação

terça-feira, 16 de agosto de 2016

O lado "negro" do Autismo



É apanágio dos pais e dos amigos de pessoas com autismo, verem céus estrelados, luzes brilhantes, anjos,  e as cores do arco íris que nos transmitem com a sua pureza, os seres mais inocentes e transparentes do planeta.
Mas à o reverso da medalha esta transparência é lhes muitas vezes prejudicial (esta falta de filtro) , assusta nos, o que virá dali!
Os maiores entraves são o comportamento social, o saber estar em grupo e conviver de acordo com os padrões, mas a isso já me habituei e não é impedimento de nada, desde que eu (mãe) esteja por perto.
Há dias foi convidado para um jantar com o grupo de voluntariado.
-Upiiiiiii! É desta que ele vai, feliz da vida, lá o vou levar ao local de encontro, já convencida que alguns comportamentos , não vão ser os padrão , mas que o irão entender.
O que eu não previa, é que o iria trazer de volta sem esperar pelo jantar!
Mas porquê!?
Porque é sempre assim, comportamentos provocatórios (...)
Se , se lhe diz para não dizer, ou não fazer, é precisamente isso que ele faz, e insisti, insisti, até não haver paciência (desde criança que o faz), pode parecer banal , mas é complicado lidar com este tipo de comportamento, até porque não voltaria para casa descansada, se o deixa-se lá.
Como é que há-de conseguir socializar!?
E ainda pergunta porquê!?
Se ele acha que não têm mal nenhum chamar nomes (alcunhas ás pessoas) , mesmo que elas não gostem.
Ou que faça de papagaio imitador.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Preparação!...

Do pensamento e do desejo à acção, vai um longo caminho.
As celebres segundas-feiras precisam de ser ocupadas, com o CC* a terminar a validade, vai ser esse o dia da renovação.
Planeamos que fosse sozinho, uma parte do percurso a pé e a outra de Toma**.
Chegada a hora , a mãe leva-te de carro (o tempo está nublado, pode chover,(desculpas)).
Mas entras sozinho, fazes tudo sozinho, faz de conta que eu não estou lá.

Leva o cartão no bolso e o dinheiro para o pagamento.
Dirige-se à máquina para tirar a senha de atendimento, aparece no visor : Pedido-Levantamento- Alteração de morada e ainda um outro.
-Fogo, vocifera  é expressão que usa quando está atrapalhado ( não estava lá a dizer  renovação), que seria a palavra chave.
Retira a senha do pedido, e senta-se em frente ao monitor, embora só faltem 4 números , aguarda quase uma hora, enquanto a mãe  está numa fila na diagonal, fingindo não estar, mas estando sempre a observar :)
-Quando chegar a tua vez, não precisas de ir a correr, vai com calma, dizes : Boa tarde, venho tratar da renovação do cartão de cidadão, e segues todas as indicações da pessoa que te atender ( conselhos da mãe).
Sentada ao lado dele , está uma senhora, com número anterior ao dele, assim que chamam aquele número, avisa logo a senhora  que é a vez dela .
Qual vai devagar, quando chamam a senha dele, lá vai no seu correr desengonçado , com medo que chamem  o número seguinte .
 Ele senta-se e a mãe aproxima-se e diz à senhora que vai estar ali ao lado se for necessário alguma coisa.
Acabando no entanto por ficar na cadeira ao lado, mas sem intervir.
A conversação é entre os dois (ele e a funcionária), a mãe  só interfere quando é para tirar a foto ( mas não serviu de nada), porque olhar para lente e não sorrir é complicado e não consegue fazê-lo  com  naturalidade ( lá voltou a ficar com ar de assassino procura-se).
Enfim, do mal o menos, não foi sozinho, e a preparação acabou por ser mais para a funcionária, que até lidou muito bem com ele, no fundo também é isso que se pretende que as pessoas entendam.
Vamos ver se quando for o levantamento, já o vai fazer sozinho ;)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

"Confidencial"


Esta palavra sigilo, não encaixa.
O voluntariado permite-lhe conhecer pessoas, e quando as encontra na rua, gosta de as "cumprimentar"
Do género: - Esta é Maria Conceição Lopes da Silva (o nome é fictício), e vai buscar o saco ( o saco são os alimentos fornecidos às familias carenciadas).
-Já te disse que não podes dizer isso, o que se passa lá, não podes transmitir cá para fora , por isso é que não tens emprego.
-Mas eu sei nome.
-Pois sabes , mas não precisas dizer o nome todo (basta dizer, olá D Maria) e nem precisas dizer que vai buscar o saco, que as pessoas visadas  podem não gostar.
E lá vamos  de novo aos exemplos, se fores ao médico  ele não pode divulgar a outras pessoas as tuas doenças, a mãe quando trabalhava também não podia dizer o que clientes compravam, fica só entre nós.
-Mas eu só disse ao pé de  ti (mim mãe).
-Mas falaste em voz alta e na via pública se estivesse mais pessoas poderiam ouvir.
-Além disso eu não disse o que levam no saco (diz ele)
Ora não dizendo o que leva no saco já não quebra o sigilo rss, fui apanhada :)

terça-feira, 17 de novembro de 2015

" Sigilo"


A euforia e a vontade de mostrar que conhece as pessoas...
Leva-o  a um comportamento social verdadeiro, mas desajustado da realidade, aquela falta de filtro.
Na loja onde habitualmente compramos a fruta e os legumes, entra uma senhora com 3 crianças pequenas.
Em vez  da cordialidade do cumprimento, diz o nome completo da senhora .
-Têm boa memória (diz ela)
-Amanhã não  te esqueças de ir levantar o saco (responde-lhe ele)
 Conhece a senhora  de ir buscar o saco dos alimentos , onde faz voluntariado.
Claro que ele não faz por mal nem com a intenção substimar .
Mas não deixa de ser desagradável , para quem necessita desta ajuda, que não precisa que os outros saibam. e sabe Deus quantos precisam.
"Encolho-me" um bocado para não dar continuiedade à repetição do vais levantar o saco.
Já fora da loja, chamo-o , atenção, para que não deve dizer em público, o que vê e faz em particular, que existe o sigilo profissional, e dou-lhe exemplos dos medicos, que não podem transmitir a outras pessoas o que o paciente lhes  diz.
Responde-me mas eu não tenho jeito para médico.
Lá lhe dei outros exemplos, mas esta coisa do sigilo é muito complicado, não têm noção.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

" Valha-me Deus"

Entrar numa igreija, em plena homilia (dia de todos santos),  pelo corredor central, em direcção  ao altar.
Só para verificar, se  nos bancos laterais, havia alguém conhecido!
Parece-me tudo, menos um procedimento católico.
Valha-nos Deus ao menos, que com tanto "louco", que anda para aí, ainda poderiam pensar, que ia ter com o pároco.
Tudo isto, porque gosta de ver gente conhecida, e não podia aguardar pelo final...
Vá lá a gente compreender , este lado social ;)

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

"Perguntas!?"


Saídas,à Bruno, paro o carro e peço-lhe para perguntar a um senhor, onde é a Junta de Freguesia.
-A minha mãe, pergunta onde é a Junta de Freguesia.
-Oh! Filho, basta perguntares onde é a Junta, não precisas de dizer que foi a mãe , tu também não queres saber !?
O senhor responde, que fica ao pé da igreija.
E não é que do outro lado da rua, estava uma igreija.
-A igreija é aqui (diz ele).
-Isso, não é uma igreija, é uma capela (responde o senhor )
Lá continuamos, até á igreija onde começava a caminhada.

Nota-E, é quase  sempre assim, a pergunta, é sempre enunciada por outrém, dificilmente tem iniciativa de o fazer, mesmo que esteja aflito ...São estas pequenas particularidades que o distinguem.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Hoje vou ser simpático



É natural, as pessoas com esta síndrome, não terem filtro social.
O que os olhos vêem, "dispara" na linguagem.
Um amigo do pai, em tempos deu-nos boleia. 
A primeira coisa em que ele repara, é na obesidade da pessoa em questão, que num carro pequeno ocupa quase os dois bancos ;)
Entra, senta-se e em vez do habitual cumprimento, diz: Deves pesar para aí uns 110kg !? 
O senhor, não se conseguiu encolher no banco, por causa da sua  constituição física, mas pesará certamente mais, e nem lhe deu resposta.
Viemos calados o tempo todo. 
Assim que tive oportunidade, já fora do carro, expliquei-lhe que o senhor não é gordo, porque goste de o ser, é uma doença.

Há dias o mesmo senhor dá nos novamente boleia ( não terá ficado traumatizado).
Converso com Bruno, para não repetir a situação anterior.
-Quando entrares no carro dizes: boa noite, e obrigado
Já a ficar preocupado, que a língua se soltasse, queria vir no banco de trás.
-Oh! filho o senhor, não é nosso "chauffer", é melhor seres tu a ir  no banco da frente, do que a mãe, mas não faças comentários .
Quando chega a boleia, abre a porta da frente.
-Exclama: Hoje vou ser simpático  rsss, (em vez da boa noite  recomendada ).
Como quem diz hoje, não vou falar do teu peso  :)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Comunicar!???

Quer, comunicar, e não saber como, pode ser complicado!
Enquanto, mãe, muitas vezes isto dói!
Porquê, que ninguém quer conversar com ele!
A sua maior obsessão agora é irmã, porque fala horas infinitas, no computador.
O que para além de não o deixar dormir, o deixa intrigado, porque fala ela tanto.
-Ainda bem que ela fala , quando as pessoas não falam é que mau ( digo-lhe eu).
-Eu também queria falar (diz-me ele)
-Lamentavelmente, não tens amigos com quem falar, fica: (entristecido com esta realidade).
Porque se repete constantemente , que até a mim deixa cansada.
-Mas eu gosto de pesquisar, sobre desporto (refere-me ele)
-Até podia escrever um livro.
-Claro, então escreve , filho, centenas de papéis de coisas soltas, que por aqui andam, não sei que nexo teria o livro :)
Talvez livro de consulta de sites rsss

Ontem encontrou um ex-colega, que não via à alguns 10 anos, que o reconheceu,a conversa do Bruno, coisas do arco da velha, que outro não recordava, e indo ainda buscar que o outro tinha sido expulso, pela professora rsss

Hoje na padaria, encontra um casal de polícias desconhecidos, repara nas pistolas.
E em vez de reter os pensamentos, di-los em voz alta, pistolas, pistolas, pistolas ( o que deixa logo pai acabrunhado), com estas saídas , indirectas e indiscretas.
Ainda que ninguém, lhe ligue, reparam, nestes comportamentos bizarros...
E ele também repara nos pormenores, e no crachá, que senhor polícia traz com a identificação, e para não fugir ao estranho, comenta também o nome em voz alta. (acho que polícia sorriu).
E pai saiu envergonhado, e sempre aflito com estas figuras ;).

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Apesar "De"


Não vale a pena relativizar, quem lida com pessoas com esta síndrome, sabe que são todos diferentes neste largo  espectro.
E, que à particularidades, muito singulares nestes indivíduos.
Que algumas vezes, se evidenciam, mais do que outras.
Raramente, pelo menos neste caso único, o fazem por maldade, ou com sentido de ofender.
Dizer umas asneiras, mesmo que seja  na língua inglesa, pode ser só para mostrar que sabe ;)
Pois é. Fora de contexto, também sei, que é frequente.
Assim, como é frequente, perante evidências de comportamentos, menos padronizados, o rótulo salta, e se calhar é melhor desinvestir nestas pessoas ( não vale a pena).
Pode, até nem ir à formação (ficar em casa).
O mais  provável é não obter o certificado da formação.
Formação em Inglês comercial para quê!? Se serve para os outros também serve , para ele.
Ao segundo dia, já não sabem muito bem como lidar, com uma pessoa, desta natureza,
Que regra geral, bem, o mal alerto logo, para esta condição particular.
Feliz da vida, a  formadora , mostrou-se conhecedora desta síndrome rsss
Não cheguei a perceber, então porquê, da intriga, de dizer uma asneira fora de contexto, não é mal educado, nem sequer engraçadinho , são aquelas chalaças sem graça.
Apesar  "De", acabar, por concluir a formação, sem faltas, mesmo com estas sérias dificuldades de comunicação, eu não precisei de lá estar para saber que houve  pessoas que adquiriram menos conhecimentos do que ele.
Ele gostou, e no final, até foi só aquele pequeno pormenor, de resto naturalmente correu dentro dos parâmetros de compreensão desta síndrome, que neste caso têm de ser explicita e directa.

sábado, 15 de novembro de 2014

"Perigo"

Ás vezes, é difícil descrever, o que  sentimos!
Conviver com autismo, é uma balança,  nem sempre  equilibrada.
E, o desejo de uma normalização, nem sempre é possível.
Não, são apenas  tentativas, é mesmo a vontade de inserção no mundo, que é de todos, mas nem todos, temos, o mesmo olhar, ou compreensão.
E  a dificuldade reconhecer esta perturbação, se calhar para o comum dos mortais, passará por ser conotada com outra perigosidade ou doses de loucura.
Toda, esta prosódia, para explicar, uma atitude que pode  fazer parte do padrão comportamento de pessoas com esta perturbação do espectro do Autismo.
Embora tudo que aqui escrevo, se refira apenas ao meu filho, e estas são atitudes de que não me orgulho, e que tento evitar (até porque sei, que do outro lado, haverá sempre julgamentos).

Sempre que há eventos de interesse público, nós vamos, e hoje não foi excepção, sensibilização para a diabetes , com rastreio , actividade física,  alimentação e bons conselhos.
O que foi excepção, foi a presença do senhor presidente do município, que ainda por cima já quase no final do evento, se colocou, ao nosso lado, claro que senhor doutor não nos conhece de lado nenhum, nem conhece provavelmente nada sobre estas  perturbações do autismo.
Mas o Bruno que têm esta perturbação conhece-o , e mais uma vez fez-se notar.
-Este, é o T.F ? ( o nome do senhor) (diz me ele) -enquanto, eu baixo os olhos, e não respondo.
-Insisti, este é Presidente da Câmara!
- Respondo :Sim - e tento desvia-lo  deste foco, indo para outro local.
Tentado sempre evitar, que estas observações se mantenham, ou que lhe saia, mais alguma.
Já fora do recinto, enquanto conversava com amiga.
Esta figura carismática da cidade saiu do evento, e Bruno tenta de novo aborda-lo numa correria, que me deixou envergonhada.
Tive, de sair do local, sem sequer me despedir da pessoa com quem estava a falar, para evitar a aproximação.

Não era nada de transcendente, mas poderia correr perigo, não o senhor presidente, mas ele por esta atitude "desvairada",se o presidente tivesse guarda-costas.
Tudo isto , por que ele acha piada, ás figuras públicas :) e como até sabe o nome completo do senhor, considera que já o conhece.

-Mas afinal, o que que ias perguntar!? (pergunto eu)
-Porquê, que ele me ignorou!? (diz-me ele)- quando apresentamos o programa de voluntariado, este senhor doutor exercia outro cargo.
-Pois filho, o Autismo, não conta, essa é. E será sempre a nossa maior dificuldade em poderes viver neste mundo, meia dúzia de pessoas já se interessaram, e conto com elas para que possas ser feliz com todas essas tuas particularidades.

Nota- Tive que o  assustar,  e zangar-me com ele, que nem todos entendem estas atitudes, e que pode correr perigo, não basta saber o nome completo da pessoa , para a conhecer, e sabendo que é figura pública, nem que seja do burgo.
Ainda me sinto triste,  por não conseguir  abrir lhe  as portas do mundo.
Ficou muito assustado, quando lhe consegui fazer entender, que uma coisa simples com  as figuras públicas, pode tomar outras proporções .


terça-feira, 21 de outubro de 2014

"Cabeçinha de vento"


Quem lida, com  pessoas portadoras desta síndrome (autismo/asperger),  sabe que elas, têm uma sobrecarga informativa.
E que ás vezes uma coisa simples, eles complicam.
O seu estado de alerta para o mundo, pode estar noutro foco.
E um simples ir buscar uma mochila,(que reconhecidamente, ele sabe ser nossa), mas está dentro de um cesto diferente, que ele não reconhece.
Às vezes parece que não ouvem, mas estão atentos a tudo o que se passa ao redor ( desengane-se quem pense o contrário, e que fale, como se eles não ouvissem)
O bom do meu rapaz, peço-lhe para ir buscar a nossa mochila, depois do banho, enquanto me limpo.
Os seus ouvidos tinham escutado, uma cena minutos antes, de uns cestos, que o segurança achou, que um casal havia deixado, e chamou-os atenção, que casal saísse e deixa-se os cestos ( até nem eram do casal).
Perdido nestes pensamentos, não reconheceu a nossa mochila, dentro do cesto verde...
Como , não sabe resolver de outra forma, entra em agitação e grita :
-Segurança- Roubaram os nossos sacos ;)
Quando eles estavam lá.
Ele, é que ainda estava no assunto anterior...
Valha-nos a mão da nossa amiga Né, que lá vai buscar a nossa mochila  :)
Mas , para que culpas, não fiquem só com a cabecinha de vento, do rapaz.
A mãe nesse dia, não se ficou atrás, e colocou o telemóvel, no saco de outro veraneante (cabecinha de alho chocho)...
Vá lá, que à gente séria e deixaram na recepção...
Obrigado