Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger.
Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida...
Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida...
Valorizando os afectos...
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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Fomos, a votos!

Domingo, foi dia de eleições autárquicas, toda a gente sabe !
Também sabem, que a grande maioria, não foi cumprir , esse dever cívico,
Adiante! Nós fomos.
A maioria  dos que se abstiveram, estão descontentes, com as politicas, não necessariamente, com os partidos (  tal como nós).
Tendo , nós a oportunidade, de poder contribuir para uma mudança, optamos, por apoiar um movimento independente. (de que falarei noutra publicação)

Mas o que queria mesmo explicar. e,é para isso, principalmente que serve este blogue, como se comporta , o rapaz no acto eleitoral.

Não menosprezamos o treino, do comportamento, reiterando a regra do voto secreto, e que não se pode falar na área circundante às assembleias de voto sobre o assunto.
Tendo nós, desta vez apoiado um movimento de cidadania, não havia dúvida em quem ia mos votar, inicialmente, tinham nos dito,  que seria o primeiro a aparecer no boletim ( o que não correspondeu á verdade), e, estava mesmo em quarto.
Havia também a possibilidade do símbolo, não estar exactamente igual, ao que tínhamos visto e usado na campanha eleitoral, a diferença seria mínima, ainda assim alertei, para essa eventualidade de poder ser retirada a chama do símbolo ( o que também, não aconteceu), mas tenho que precaver , todas as possíveis,  alterações.
Ensaiamos, mais uma vez a dobra dos boletins em 4 partes.

Já ao final da tarde, dirigimos à assembleia de voto, desta vez conhecemos, mais gente.
Gente essa, que pode fazer, parte do movimento, que apoiamos, e que estará, nas mesas de voto, começo a ficar "pilha  de nervos" ( não quero que ele corra riscos nenhuns) mais um alerta para aquela cabecinha : vais fingir, que não conheces ninguém, isto para evitar, que ele fale no movimento .

Já ia planeado, ser eu, a primeira ir à sala votar, e depois iria com ele, ou arriscaria , enquanto eu ficasse, numa sala, ele ir á  outra.

Tivemos sorte, desta vez, a sala era a mesma, e só estava uma pessoa, atrás do biombo, atraso-me, propositadamente um pouquinho, para dar tempo à pessoa sair, para ver se consigo, que sejamos os dois nos biombos  ao mesmo tempo.
Entrego-lhe a carta, e o cartão de cidadão, vou eu, à frente, que assim posso controlar o tempo, ainda estou  a dar os meus dados, já ele está  a querer entregar os dele, notasse logo ali a diferença ( e a caneta, a preocupação da caneta), há caneta atrás do biombo, diz o presidente da mesa.

Lá cumpriu o seu dever cívico, desta vez ainda com maior convicção, e interesse, estava a votar em pessoas, que conhecia, e se tornaram seus amigos, o acarinharam durante a campanha, e não podia falhar.
Voltei a empatar -me um bocadinho atrás do biombo, para lhe dar tempo a dobrar os boletins e sair-mos quase ao mesmo tempo.
Missão cumprida, fomos acompanhar os resultados, na sede, estando ele muito  preocupado  em frente ao televisor ,e a consultar, pela internet, ao mesmo tempo.
Meu rico filho, nas coisas que esta mãe, o mete :)
Igual aos outros, com mais convicção.

Há quatro anos foi assim :http://asperger-eu.blogspot.pt/2009/10/2-acto-eleitoral.HTML
outros actos eleitorais : 1º. vez : 3ª. vez : 4ª vez .

domingo, 5 de junho de 2011

"A Nova Maioria"


A abstenção!!
Com muita pena minha, e depois de já estar tudo planeado e pronto para irmos ás urnas.
Prontos para sair e cumprir o dever cívico.
Vamos lá recapitular, convêm sempre relembrar,a importância do acto e como se comportar.
Treino:
-Eu sou a presidente da mesa(mãe) posiciono-me numa ponta do quarto.
Ensaia-mos
-Entras, dizes boa tarde, entregas o BI e a folha com número de eleitor.
Se as cabines estiverem ocupadas, esperas, e vais quando estiver desocupada, fazes a cruz, sem perder muito tempo a olhar para o papel ( antes de entrar-mos vamos ver o boletim, para lá dentro não perderes tempo a olhar para todos os partidos e quadrados).
Dobras a folha em 4 com a cruz para a parte de dentro.
Depositas o boletim na ranhura, e dizes obrigado.
Devolvem te os teus documentos.
Lição estudada e completamente de acordo, sabe como alinhar todo este ritual.

Mas!!! Há sempre um mas a condicionante secretismo, o voto é secreto não se pode revelar no local de voto,entras e saies em silêncio.
-E espreitar, para o boletim do lado é proibido, eu quero ver se votam naquele partido (diz-ele)
Estudou analisou esteve muito atento à campanha às sondagens às opiniões.
Mas estava indeciso, não gosto de influenciar nem costumo dizer-lhe antes de, em quem vou votar, mas desta vez digo-lhe, salva guardando que ele pode votar noutro.
Já estava convicto, deu-me logo as previsões e o quanto o meu voto poderia alterar o número de deputados na nossa região.
Tão fácil, como ele parece ter percebido isto tudo.
Não lhe posso pôr fita cola na boca, nem venda nos olhos.
Quando ele mete uma coisa na cabeça, por mais que eu gaste o meu latim, ele vai me provocar e cometer todas as ilegalidades, que lhe disse para não cometer.
Mesmo alertando-o para todos os riscos, ele não controla esta particularidade que lhe é extremamente prejudicial ( a de dizer e fazer o que não deve).

O que fazer!!!
Não o posso acompanhar sem atestado medico passado a provar a deficiência ( nem sei se basta o multi-usos).
O que não seria sinónimo de não dizer ou fazer "disparate", visto ser imprevisível.
Por outro lado quero dar-lhe a autonomia e a capacidade de decidir e actuar sozinho.
No final, ele não quis ir votar. O que nós respeitamos.
Iria correr riscos, para quem tinha tantas incertezas...

Nota- a imagem faz parte do treino:-)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Há terceira foi de vez..


Foi o terceiro acto eleitoral em que o Bruno participou...
Sempre à espera do dia, já com pensamento firmado em quem iria votar, com pensamento Aspie, do qual não o quis desviar.
Curiosamente acho que continua a seguir a mesma linha de raciocínio em todos os actos eleitorais, logicamente com o sentido Asperger, da sua "alergia às alterações".
Disse-lhe que não é obrigado a ir votar, embora o deva fazer, mas têm de faze-lo na legalidade sem comentários ou perguntas durante a votação.
Argumenta logo que no Brasil é obrigatório:-)
Mas a minha preocupação, não é em quem vota, mas como vota.
Não pode ter dúvidas, ou elas tem que ser esclarecidas em plena assembleia, o que como nós sabemos é ilegal e pode incorrer em sanções.

Então lá voltamos aos treinos, como tem as caras dos candidatos.
È só um boletim, será mais fácil, ainda assim não posso descurar e repetir os ensinamentos.
-Entras dizes boa tarde!!! entregas o BI e o papel com o número de eleitor.
-Dão-te um boletim de voto, vais para traz do biombo, fazes a cruz em quem queres votar dobras o boletim em quatro com a parte escrita p'ra dentro.
Em caso de dúvida não perguntas nada ou dobras em quatro em branco ou fazes um risco dobras e fica nulo.
-Nada!!! mas mesmo nada!!! de espreitar, para o biombo ao lado.
O voto é secreto.
-Colocas o boletim na "caixa" urna.
Devolvem -te os teus documentos e dizes obrigado. ..
A mãe sempre à porta a mirar, não fosse a coisa "escambar"...
Correu bem diz-me ele:-) Ainda a suspirar a descarregar aquela ansiedade de dever cumprido....
E ao mesmo tempo, com o sentimento, desta já me (safei).
Agora já não à mais eleições:-)
1º. acto eleitoral aqui
2º. acto eleitoral aqui

domingo, 11 de outubro de 2009

2º. Acto!... Eleitoral !...


Confesso que tinha um outro discurso muito mais idílico, preparado na minha cabeça...
Ontem á noite ele dizia-me: mãe, amanhã vamos votar.
Desta vez as coisas só podem correr bem, interiorizei eu...
Alertado para a dificuldade de desta vez serem três boletins, fizemos o treino da dobragem, ainda no caminho na viatura lhe pedi para o fazer, para poder confirmar, se estava em ordem.
Ele já me tinha referido qual a sua escolha para presidente da Câmara, sugeri-lhe que para os outros dois "assentos", Presidente da Junta e Assembleia Municipal, votasse no mesmo partido, para lhe facilitar a escolha, que não precisava nem devia escrever nomes, era só colocar a cruz nos respectivos boletins...
Mais uma vez me dirijo com ele ao local, desta vez fico na soleira da porta, a aguardar... e nem refiro o PEA, , que foi notório.
Ele pega nos 3 boletins, mais uma vez fica baralhado, acho que lhe apetecia sentar se, indicam-lhe um "privado duplo", onde no outro lado está uma pessoa a votar.
Numa atitude provocatória, vai espreitar o voto.
E diz :ele já pôs a cruz e supostamente iria apontar no boletim, tive de entrar e me aproximar para o mandar calar e referir de novo o secretismo do voto.
Lá vai ele de novo para traz do "biombo", fica de novo confuso, porque não sabe qual dos 3 boletins é para eleger o Presidente da Câmara, e sai do local para vir procurar não propriamente qual é o boletim para votar no Presidente, mas é muito mais explícito e refere o nome.
Lá entro de novo em acção, a referir o secretismo do voto...
E claro que não estava a gritar da soleira da porta, aproximei-me em todas as situações...
E estive sempre a ouvir a informação que não podíamos falar, que o voto seria anulado, isto foi referido várias vezes, era com o que eu estava menos preocupada...
Eu só queria que ele fosse capaz.
Eu não estava a interferir na escolha, mas na orientação...
Ainda tive de intervir, novamente na explicação da dobragem dos boletins, que estava correcta, ou não tivesse dobrado os três boletins num conjunto, mais uma vez tive de alertar para os dobrar de forma individual.
E como sempre aéreo, vinha embora sem os documentos.
Concluo que no cérebro dele continua a não perceber o secretismo, estes segredos não lhe encaixam em circunstância alguma.
Fiquei desiludida, por não ter corrido melhor, desta vez...

domingo, 27 de setembro de 2009

Fizemos o teste...Cidadania!...Ou talvez não?!...


Como milhares de portugueses, fomos dar o nosso contributo de cidadania dirigimo nos á assembleia de voto, para mais uma eleição legislativa.
E embora o Bruno já tenha 24 anos, e já tenha adquirido o direito a voto á alguns anos, passou por outras eleições em que não participou, tal como nós pais...
Hoje decidi, que estava na altura dele fazer a sua estreia e participar activamente num acto eleitoral, fazer a sua escolha, ou não escolha de um partido para o representar na Assembleia da República.
Não lhe dei nenhuma indicação em que partido poderia ou deveria votar, para não influenciar a escolha.
Mas informei-o das situações de voto nulo,voto branco, ou eleger um partido colocar a cruz no que escolhesse, explicação teórica.
Correndo o risco dele se "chibar", a dizer qual o partido em que a mãe votou, e de me questionar o porquê daquele e não noutro, eu assumiria o risco, para ele ver na prática.
Claro que eu sei que o voto é secreto , o que eu não sabia é que havia tanta complicação a srª. presidente da mesa de voto foi chamar a srª. representante da comissão nacional de eleições, que me referiu que o Bruno não pode assistir ao voto da mãe, nem vice-versa. Enquanto a mãe votou o Bruno ficou sentado numa carteira há espera...
E poderíamos ficar por aqui. Vir embora sem o Bruno votar, que essa era a opinião do pai.
Só como a mãe é teimosa e não gosta que a derrubem assim, continuamos o espectáculo, já com o pai a "soprar" e fora de cena xD
Mãe e filho subimos á secção de voto onde ele faria a sua escolha, dei-lhe o B.I. e a folha A4 que é o novo cartão de eleitor.
E disse entregas aquele sr., a quem expliquei de novo que o Bruno tinha uma perturbação do espectro do autismo, e mantive-me á porta na minha vigilância...
O Bruno pega no boletim de voto, leva a caneta fornecida pela mãe, dirigiu-se por breves segundos ao privado, não terá achado confortável rsss, foi-se sentar nas carteiras encostadas ao quadro.
E afinal ele já tinha uma escolha feita , que depois argumentou comigo de uma forma coerente.
Mas sentadinho, ali na mesinha, escreveu no boletim o nome do candidato em que votava e nada de por o X, enquanto as pessoas que se encontravam a fiscalizar a mesa eleitoral, comentavam: Nós temos tempo!...
Cansada da" brincadeira", desloquei-me até ao Bruno, para lhe dobrar a folha em 4 e ele colocar na urna.
Pelo menos fizemos a experiência, não sei se repetirei, aliás até referi que seria a a 1ª. e última vez, que nos sujeitaria mos a esta prática.
E deixe-mos que o Bruno continue cidadão de 2ª., sem direito a escolha.
Que como eu volto a insistir, eles tem capacidades, mas necessitam de orientação, foi ele que fez a sua escolha, que até fiquei admirada pela coerência da mesma, e soube que tinha assistido á campanha eleitoral, e estava informado.
O voto não vai ter o efeito, que o Bruno lhe quis dar, será um voto nulo, eu diria um voto "Aspie", que queria eleger a pessoa, por isso escreveu o nome rsss