Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger.
Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida...
Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida...
Valorizando os afectos...
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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Respondendo a questões???


– Porque é que escreveu o livro?
-Começou por ser um desabafo interior um testemunho pessoal, guardar em papel as imagens de uma vida, como quem organiza um álbum de fotografias...
Qual o objectivo livro?
-Inicialmente foi apenas ficarem guardadas essas memórias, Quando surgiu um grupo associativo ,algo com tanto sonhara, achei que deveria dividir com os outros, um testemunho que apesar de ser único talvez pudesse contribuir, para desmistificar, dar a conhecer sem dramatismos mas também sem falsas ilusões esta síndrome. Que não têm cura.
Onde AMOR é a terapia principal, e com muita perseverança, conseguimos algumas vitórias ...
De que é que o livro fala?
-Não gostaria de chamar livro, porque acho que seria uma ofensa para os profissionais da escrita.
Mas sim um testemunho, que fala da nossa relação e experiência com a perturbação do espectro do autismo nomeadamente a Síndrome de Asperger...
– Há quanto tinha o livro escrito?
-Foi sendo escrito por partes, mas concluído à 4 anos
– Já tinha feito diligências para publicar o livro?
- Já tinha entregue, para que utilizassem e divulgassem ficassem com as receitas, mas não foi possível.
– Como é que teve conhecimento do Projecto Cyrano?
Através do facebook , do blog, e também porque sabia e conhecia a forma de escrever da autora do projecto a quem podia confiar "o nosso tesouro"...
– Em que é o o Projecto Cyrano ajudou?
-Ajudou a realizar o projecto de transformar umas simples folhas de papel, carregadas de sentimentos, em algo mais palpável que pudesse guardar e também partilhar com os entes mais queridos e alguns amigos, que navegam nas mesmas águas ...
– Foi importante ter conseguido publicar o livro?
-Nunca pensei muito a sério na perspectiva da importância.
Se-lo-ia mais se tivesse cumprido o primeiro objectivo de abranger um número maior de pessoas.
Ainda assim estou muito feliz com o resultado final, tenho tido um excelente retorno da família e amigos a quem já ofereci, que ficaram a entender melhor determinados comportamentos que antes não percebiam.
– Como é que está a fazer a divulgação do livro?
-Não tendo sido feito com intuito comercial, estou a partilhar com os que nos acompanham quer através do nosso blog, onde alguns episódios já foram relatados, e também no facebook.
Estão alguns disponíveis para alguns amigos que percorrem esta mesma estrada, a preço de custo.
Já estão feitas algumas reservas a quem tenho muito gosto em entregar e espero de alguma forma poder dar um pouco de brilho ao caminho.
– Equaciona voltar a usar o Projecto Cyrano para outro livro ou outro tipo de publicação?
-Foi com enorme prazer que entreguei este testemunho e muito à vontade nas mãos de uma pessoa sensível e que conseguiu ler e registar o que estava no meu coração sem alterar a força motriz do amor e nem o valor das minhas palavras.
Recomendo francamente, todos temos uma história guardada na memória que se pode perder, e poder-mos ficar com os registos e imortaliza-los acho que é uma mais valia.
Quem sabe se esta história não terá continuação...A vida essa terá concerteza..

Imagem contracapa da publicação

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Perturbação do desenvolvimento

Há 40 mil crianças Asperger em Portugal mas muitas abandonam escola na adolescência

06.10.2009 - 18h49 Lusa
Quarenta mil crianças e jovens portugueses têm síndrome de Asperger, uma perturbação do desenvolvimento que causa problemas de adaptação social e escolar que na adolescência podem levar ao abandono escolar.

Dar apoio a estes jovens é uma das prioridades da Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger que hoje deu o primeiro passo para a construção do projecto “Casa Grande”, uma residência de formação e reinserção para portadores daquela síndrome.

A partir dos 16 anos, explicou a presidente da associação, Piedade Líbano Monteiro, muitos destes jovens abandonam a escola, surgindo então os primeiros problemas na inserção na vida activa. As dificuldades de inserção profissional levam estes jovens à frequência de custos de formação profissional, na expectativa de um emprego estável, mas sem êxito.

A “Casa Grande” é um projecto sonhado pela Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger que pretende dar resposta a estas dificuldades e deverá abrir em 2012, com o apoio da Câmara de Lisboa. O sonho, explicou Piedade Líbano Monteiro, começou a realizar-se com a assinatura de um primeiro protocolo em Janeiro que a obrigava a conseguir 350 mil euros até Maio.

“Casa Grande” é o nome da residência de dois pisos que a APSA vai construir numa edificação em ruínas na Quinta da Granja de Baixo, em Benfica (Lisboa), destinada à formação profissional e reinserção social de 53 jovens com mais de 16 anos e portadores da síndrome de Asperger na Área Metropolitana de Lisboa.

A síndrome de Asperger é uma perturbação do desenvolvimento (espectro do autismo) que se manifesta por alterações na interacção social, na comunicação e no comportamento, mais comum nos rapazes do que nas raparigas. Os “aspies” podem ser excelentes na memorização de factos e números, mas têm normalmente dificuldade ao nível do pensamento abstracto.

Funcionamento cerebral diferente

Ao contrário dos autistas “clássicos”, que normalmente estão ausentes e desinteressados do mundo que os rodeia, muitos “aspies” querem ser sociáveis e gostam do contacto humano, mas têm dificuldades em fazê-lo. Com um funcionamento cerebral diferente, têm um gosto marcado por rotinas e um interesse obsessivo por determinados temas.

A “Casa Grande”, explicou Piedade Líbano Monteiro, vai por isso ajudar as empresas que venham a receber estes jovens, mostrando-lhes que podem ser os melhores profissionais da empresa desde que entendam a forma como funcionam. “Se prepararmos as empresas, mostrando que estes jovens e adultos são extremamente perfeccionistas nas áreas que dominam, apesar de socialmente não serem muito comunicativos, todos ficarão a ganhar”, disse.

Garantir a estes jovens maior autonomia com vista a assegurarem um projecto de vida próprio é o objectivo da casa - que também acolherá a sede da associação - e que “não será um local de permanência definitiva, mas um local de passagem no máximo por quatro anos e aberto à comunidade”.

Cafetaria, esplanada, espaço de estudo, reprografia, espaço multimédia, lavandaria, engomadoria e arranjos de costura, oficina de recuperação e de encadernação de livros, galeria de arte, salas para artes plásticas contam-se entre as valências que a Casa Grande irá dispor para ensinar e dar formação profissional. Salas para formação musical, informática, estufa, horta e pomar biológico são outras das muitas valências projectadas para a casa.

Notícia retirada do seguinte link do jornal o Público

terça-feira, 31 de março de 2009

Ansiedade Generalizada


Pode evoluir para um quadro de depressão.
Comum em todos os seres humanos, independentemente da idade ou do género, a ansiedade é uma emoção absolutamente normal, que se pode manifestar de diferentes maneiras e perante factores desencadeantes distintos. De acordo com o psicólogo e psicanalista José Carlos Coelho Rosa " a ansiedade mais não é do que um sentimento de medo, pelo que em si mesma, não pode ser considerada doença. No fundo trata-se de uma emoção que todas as pessoas já experimentaram, o problema é enquanto umas pessoas vivem as suas ansiedades de forma controlada, e relativizada, outras há que não conseguem controlar esta emoção e , nesses casos devem procurar a ajuda de um especialista". Quando a ansiedade se torna frequente e começa a interferir com a qualidade de vida das pessoas dizemos que estamos perante uma ansiedade generalizada, que se manifesta sobretudo num estado de tensão e de inquietude permanente, sem que exista um acontecimento concreto que o possa explicar. Nestes casos a ansiedade é geralmente acompanhada por várias manifestações físicas tais como palpitações, sensação de aperto no estômago, transpiração, dores de cabeça, secura na boca entre outras, o que faz com que possamos afirmar que estamos perante uma sensação de angústia. " A angústia é um estado emocional pior, porque é uma ansiedade que não tem nome. È quando uma pessoa já acorda a sentir-se mal com tudo o que a rodeia e com medo não sabe de quê" explica José Carlos Coelho Rosa.
No fundo existem diferentes níveis de ansiedade, que vão desde uma ansiedade considerada normal e pontual, até uma ansiedade generalizada passando pela fobia, pela perturbação obsessivo-compulsivo, pelos ataques de pânico e pelo stress pós-traumático. Contudo, "é possível aprender a lidar com a ansiedade", tranquiliza o especialista, "nomeadamente através de uma ajuda do exterior de alguns especialistas, tais como psicólogos psicanalistas ou psiquiatras, entre outros. O importante é ajudar as pessoas a perceberem que nem tudo o que está ao seu redor depende delas". O problema adverte José Carlos Coelho Rosa, é que "muitas vezes a ansiedade não é apenas endógena, não é só algo que vem de dentro, é provocada por acontecimentos externos. Se vivemos numa sociedade em que os próprios governantes criam situações de medo não assumindo com a verdade o actual quadro económico-social em que vivemos é natural que as pessoas se sintam inseguras e que ansiedade aumente". Sentir medo é normal, o que faz a diferença é a maneira como cada pessoa lida com o sentimento. " Quando a ansiedade passa a ser inibidora e não permite que as pessoas vivam a sua vida com qualidade, então está na altura de procurar ajuda, para perceberem o porquê dessa ansiedade e para tentarem aprender a controlá-la", diz o psicanalista. Mas nem todas as situações de ansiedade são fáceis de controlar, o que faz com que a ansiedade seja uma das causas que pode conduzir a quadros clínicos mais graves, de que é exemplo a depressão. " Uma pessoa ansiosa é alguém que não consegue viver a vida tranquilamente e se sente permanentemente frustrada com o seu próprio sentimento de ansiedade, o que frequentemente deprime, tal é o acumular de frustrações", salienta José Carlos Coelho Rosa, acrescentando que " não se pode afirmar com certeza que hoje em dia existam mais casos de ansiedade ou depressão do que no passado, o que posso concluir da minha experiência clínica é que as pessoas têm menos resistência á frustração". A ansiedade está sobretudo relacionada com a insegurança. "O que cria a ansiedade são sempre circunstâncias novas ou desconhecidas que podem afectar tanto as crianças como adultos, homens ou mulheres, sendo que encararmos a vida com segurança e com naturalidade é meio caminho andado para reduzir a ansiedade até ao nível suportável, que não interfira com a nossa qualidade de vida", conclui o psicanalista. O importante é que as pessoas percebam que a maior parte das ansiedades patológicas são susceptíveis de melhoramentos consideráveis, permitindo-lhes ter uma vida dita normal.
Informação retirada da Dica de 02.04.2009

Achei muito interessante e se calhar toca, a muitos dos pais de filhos com síndrome de asperger/ autistas o sentimento de insegurança e impotência quanto ao futuro dos nossos filhos. Pelo menos em mim gera este sentimento de ansiedade...Não quer dizer que o resto das pessoas estejam imunes.