Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger.
Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida...
Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida...
Valorizando os afectos...
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sábado, 8 de julho de 2023

Alimentação


 

Especificamente nunca escrevi, sobre esta particularidade que se afigura, um pouco complicada, e com uma variabilidade muito grande  nas pessoas "dentro" das perturbações do espectro do autismo...

Tal como em qualquer individuo, têm as suas preferências e gostos dentro do que podemos considerar normal.

Mas, à sempre um mas, alguns não ingerem alimentos de determinada cor, outros textura, outros repugnam pela visão, alguns usam as mãos para comer, são sensíveis ou não ao cheiro, no fundo o funcionamento dos sentidos está sempre muito presente.

No caso particular os alimentos não se podiam tocar no prato e havia alguma selectividade.

A estratégia era mesmo obedecer a essa regra e a melhor maneira de os ingerir era criando histórias para cada alimento e dar-lhe poderes, mas atenção à atenção :) que noutra refeição para o mesmo alimento têm de manter os mesmos poderes, a técnica  resultou e hoje em dia a selectividade já é raríssima, só não come batata a murro, não pelo murro mas pela casca ;). Têm um paladar apurado e o sal é assim um dos seus "fetiches", quando era pequenino era vê-lo passar as mãos pelo bacalhau , e nem a água do mar escapava a esse deleite...

"Dentro" do espectro e do que ao longo de anos fui lendo e fui observando de outras famílias, há quem tenha introduzido uma alimentação seleccionada isenta de glúten e de caseína, muitos deles com resultados muito positivos, quer em termos de intolerâncias, quer a nível de comportamento.

É também comum haver nestes indivíduos alguma alteração a nível do transito intestinal , no caso especifico sofreu de obstipação até aos 7 anos de idade, foi praticamente só por indução, o que como é evidente condiciona o comportamento, felizmente que com o tempo foi melhorando...

Não me canso de dizer que cada caso é um caso, e no espectro do autismo isso é muito evidente, na certeza porém de que a maioria evoluiu de forma positiva...

Aquilo que escrevo é da minha inteira responsabilidade e da minha experiência pessoal, e  também pelo conhecimento de outros casos, sem nenhuma base cientifica, a única base é a resiliência e o amor...


Se repararam o " Dentro" está entre aspas porque ninguém está dentro de nada, não me ocorreu outra palavra, espero que entendam o encaixe.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Dualidades

 


Como é apanágio popular " a galinha da vizinha é sempre mais gorda que a minha".

Mas se falar-mos em dor, a nossa é sempre maior que a dos outros, porque somos nós que sentimos essa dor, é uma analise fácil de fazer.

Seria mais fácil se conseguíssemos intuir a dor do outro e valoriza-la da mesma forma...

Tudo isto parece simples , não seja a dor um mau estar o qual não conseguimos evitar...

Mas se transportar-mos esse mau estar para alguém no espectro do autismo, a dor pode tomar outras proporções  e torna-se difícil avaliar o constante incomodo que lhe causa, não sei se é mínimo ou máximo, mas sei que desenvolve um stress constante, uma instabilidade geral, que não dá tréguas sempre com o mesmo foco na dor.

Lê tudo o que consegue sobre essa dor faz os seus próprios diagnósticos que passam a ser todos relativos aquele foco.

Se esse foco for num dos sentidos  o cenário agrava-se e pode ficar surdo.

O meu medo é o descontrole que lhe causa e todas as palermices que possa fazer na tentativa de aliviar a dor, torna-la ainda pior com a possibilidade de que se possa tornar irreversível...

sábado, 19 de outubro de 2019

Aquele Abraço



Esteve os dias de ausência, a preparar a recepção à mãe.
Com role musical, para me presentear :)
"As saudades que eu já tinha da minha alegre mãezinha" ( alterou o original  :) (Xutos e Pontapés)
" Tenho saudades de te ver, vontade de te abraçar" ( João Pedro Pais)
" Encosta- te a mim" (Jorge Palma)
"Quero voltar, para os braços da minha mãe" ( Pedro Abrunhosa)

A ansiedade era grande, para aquele abraço, tendo-o eu avisado que o voo se atrasou, ele fez as pesquisas , sabia a hora exacta a que voo faria aterragem.
Só não contou com tempo que se leva a sair do avião e a fazer o checkout, que acaba por ser mais uns 30 minutos.
Assim que o avião aterrou, mas os passageiros ainda estavam dentro do avião, fiz uma chamada a confirmar a chegada, mas para não ir com pressa que iria levar tempo a chegar à gare de saída.
Mas ele já nem deve ter ouvido, contou-me o pai que desatou a correr, mal viu os sinais de transito para chegar primeiro ao aeroporto e dedicar-me  aquelas músicas :)
Tão obcecados estavam para ver que não viram, acabando por ser eu a vê-los primeiro.
Não houve espectáculo, mas houve descompressão naquele abraço.

sábado, 25 de março de 2017

E já passaram!


Dia 19 Março, comemorou-se mais um aniversário.
Incrível, como tempo corre e já conta 32 anos.
O meu menino, transformou-se num homem, já a pintalgar os primeiros cabelos brancos.
Está realmente um homem de barba rija, a ganhar já uma  proeminente  barriguinha, gosta de comer, e não basta o exercício físico,  (caminhadas e ginásio), para derreter os excessos.
Este homem, guarda em si, ainda muito do menino, a fragilidade  e a inocência, a precisar do colinho e da protecção.

Mas vinha mesmo aqui falar sobre o dia, o dia de anos, quase todos anos se repete a mesma postura, uma semana antes começa a ficar  mais ansioso, a contar os dias que faltam.
E parece um contra-senso, ou talvez não, dependo da leitura que possamos fazer.
Na véspera
-Amanhã vão ligar, toneladas de pessoas (podem ser só  meia dúzia), e nomea os nomes dos que habitualmente ligam, nesse dia ( e que por norma também só lhe ligam nesse dia), até porque ele não é muito dado a conversas telefónicas.
Este ano preferia passar fora, para não ter que atender chamadas, como se os telemóveis , não fossem connosco , claro que nos acompanham.
Mas sendo dia do pai,  e o pai não gostar muito das confusões nos restaurantes em dias festivos, optamos por almoço familiar caseiro.
E lá toca o telefone
-É para mim, para me dar os parabéns, e lá vai ele apressado para que não desliguem.
Para além da tal meia dúzia, ou nem tanto, destaco a chamada de um casal amigo.
-Fala com o A, mas refere logo que que falta a B. a esposa :
Vá lá a gente entender isto, afinal, quer ? ou não quer que lhe dêem os parabéns?

Nota-Aproveito, para agradecer a todos que ligaram , ou deixaram mensagens por outras vias.
E aqui fica a última fatia do bolo caseiro :)
Obrigado
Mãe Mina



segunda-feira, 7 de novembro de 2016

"Mortinho, por chegar a casa"



-Só me atrasas, não tens mais nada para fazer, (diz-me ele) (como se o cerebro dele estivesse em ebulição).
Aflito para não se esquecer de uma frase que um amigo das caminhadas  lhe tinha dito :
" È o dia mais fraco, com menos movimento", a frase chave, relativa às 2ª. feiras.
Vamos lá rapidinho para casa, que frase não pode fugir , a ver se é remédio , para as "malfadadas" 2º. feiras.
Lá escrever, escreveu...
Mas não aconteceu o milagre,e assim continuamos com a lenga lenga das  2º feiras de segunda a segunda, semana sim, semana sim...