Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger.
Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida...
Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida...
Valorizando os afectos...
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quinta-feira, 8 de junho de 2017

Sem filtro



Quantos dos pais com filhos, no quadro das  perturbações do espectro do autismo não dariam tudo, para ouvir  umas simples palavras!
Um filho, que lhe conseguisse transmitir, o que o incomoda, que conseguisse  identificar a localização de uma dor!
Nem sempre os que têm essas capacidades de comunicação e de  verbalização, o conseguem expor da forma mais conveniente.
Aquele "malfadado" filtro social, torna a conversa disfuncional, contar algo que até pode ter a ver, mas por ser demasiado intimo ( talvez o devesse  guardar na gaveta intimidade).
Saí tudo da boca para fora, não que tenha algum mal, falar de sexualidade, mas dentro do contexto, e se a consulta fosse nesse sentido.
A consulta era de otorrinolaringologia, para observar mais uma vez um problema crónico que se arrasta à já alguns anos de um desvio no septo nasal, que lhe têm provocado bastante mau estar, desde que sofreu uma agressão (quando frequentava o FSO*)
Explica à medica, quais as estratégias que têm arranjado, para conseguir aliviar de alguma forma o desconforto respiratório da narina, que está mais afectada ( fazer rolinhos com papel para provocar o espirro, torcer o nariz, colocar vibrocil e o acto masturbatório), que a médica nem tinha ouvido, mas que fez questão de repetir .
Está cientificamente provado o efeito, mas não havia necessidade :)

Agora, vamos ficar em modo, preparação psicológica, para uma possível cirurgia.
Já lhe foi explicado, que vai ter uns rolos no nariz, e só poderá respirar , pela boca.
Vamos aguardar, serenamente, a ver se é desta que resolve, este problema.

*FSO- Forúm Sócio Ocupacional


sexta-feira, 2 de maio de 2014

Consulta


Fico, na dúvida!
Se entro!?não entro!?
Trata-se de uma consulta de especialidade (urologia), num local desconhecido, com médico desconhecido.
Continuo, a não arriscar.
-A mãe, pode entrar!? ( pergunto eu), não porque fique com dúvidas de que ele consegue, facilmente relatar as queixas ( à maneira dele), mas de que do outro lado, não seja entendido, e que não me saiba, depois transmitir, o que lhe é dito em consulta( e o médico, não poderia estar a repetir).
Com facilidade, o medico percebe, que à algo diferente, naquele paciente, para além das queixas, daquela especialidade.
-O,quê que ele têm!?(pergunta-me)
-Têm autismo,nada mais, (respondo),e noto, que como grande parte das pessoas, têm só o registo, do autismo clássico, falamos um pouco sobre a síndrome (notei interesse).
Agora a vez do paciente relatar as sua queixas.
-Estou, sempre "arrasca", para urinar,sinto ardor,um dos orifícios pinga para as cuecas, ou para chão, (preocupação),e fico também preocupado em urinar na cama.
Tem um problema congénito, no meato urinário ( que já tinha sido, observado em criança), que poderia ter sido corrigido, com uma pequena cirurgia.
Continua a consulta, é feita a observação...
Quando entramos no hospital, as setas indicavam que o serviço de Urologia, era no 6 piso, e estávamos na consulta no piso 1 (insistência), até que médico que passa um exame, para marcar no piso 6...E ainda outro, que vamos ter de pensar...
Suspeita, Bexiga hiperactiva...



sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

"Puxão de Orelhas"

Mãe, leva puxão de orelhas… (justo)
-Psicóloga- O quê que Bruno faz?
-Mãe- Tudo na mesma.
-Psicóloga- O Bruno, precisava de ocupação…
-Mãe-Sem dúvida, há muito tempo, onde, como!?
Conversa de circunstância, referindo se às contingências actuais, que refiro, não são de agora, ele já deve ter nascido com esta matriz de (inocupado).
-Psicóloga- O quê!? Que ele faz em casa ?
-Mãe-Vê televisão, lê, escreve, faz pesquisas no computador, vai à piscina, faz caminhadas, faz o projecto de voluntariado…
-Psicóloga- Tarefas domesticas?
-Mãe-Nada- refiro os medos, quer de objectos cortantes (facas), o medo do lume (fogão), impede as tarefas na cozinha. Podia fazer o resto, mas nada, faz-se de surdo ( acabando, por a mãe fazer tudo). Nem o quarto dele, que está caoticamente atafulhado de papel, e que quando, tento organizar-lhe, fica em “transe”, que não sabe das coisas.
-Bruno-A minha irmã, também não faz nada…
-Psicóloga- Olha, para mãe (está tudo dito). Refere: só existe a mãe, o resto apagou-se a mulher, à muito tempo desapareceu (se calhar demasiado tempo).
-Deixou-me a pensar  nesta realidade. Algo, vai ter de mudar, outras estratégias, e ensinamentos, que à muito tenho, pensado, mas ainda não fui capaz de aplicar...

sábado, 17 de novembro de 2012

"Medicamentos"

Enquanto os dedos dele tamborilavam, em cima da secretária do psiquiatra.
-Este pergunta-me: Se ele toma medicação.
-Respondi-lhe que não, e chamo atenção do clinico, para aquele tamborilar de dedos (estereotopia).
Se tomasse talvez estas esterotopias estivessem controladas.
-Não toma porque não acho fundamental, ocultar o óbvio.

Estarão a pensar, mas o médico, não sabe se ele toma medicação!?
Lá terá anotado um ansiolitico, que de quando é vez, é a mãe que toma ( mas desta vez até me esqueci, só em s.o.s) e se ele necessitar também poderá tomar.
Os pais também, não são de ferro, não sou fundamentalista em relação à medicação, mas só o estritamente necessário, uma caixa dá-me para anos rsss.
Alías estas consultas só ocorrem duas vezes no ano, e já na anterior me esqueci, agora só para meio do ano de 2013!

O porquê destas consultas psiquiatricas se nem toma medicação, nem faz outras terapias, como vivemos num estado burocrático, onde nos exigem provas de tudo, temos que ter um suporte para os eventuais relatórios que a amiúde nos pedem!

Nesta consulta: Olá boa tarde
-Como é que está!?
-Tudo na mesma como a lesma:)
-Então Bruno para quando queres a próxima consulta!?( calendários e datas é com ele)
Durante a consulta já está a visionar o calendário que se escontra por debaixo da papelada do do médico.
E constata que já não tem os feriados,os que foram retirados.
Então até Maio, senão for preciso algum relatório antes!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

"Like"

Este meu filho é um "espectáculo".
Não entrei com ele no ínicio da consulta.
Mas sei que a psicóloga lhe perguntou, se ele tomava medicação.
Ao que ele respondeu: Não.
E ainda se justificou com os efeitos secundários dos medicamentos.
Assim mesmo,é que é, filhote!!!
Ah! E os medicamentos engordam, e disseste isso filho!?
Não! isso não disse.
Mas lá que pensou, pensou:)

Lógico que há casos onde a medicação é essencial, e não devemos ser fundamentalistas.
Há casos e casos e formas de controlar determinados comportamentos, que cada um saberá o que mais se adequa ao seu caso.
Nós, optamos pelo não, prefiro um filho activo do que "adormecido".
Mas não fecho a porta a se houver uma necessidade, para a qual não haja outra alternativa.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Isto é que é uma "limpeza"!...


Esta manhã entre a consulta com a psicóloga, uma passagem no mercado da fruta e a ida para o CAO, passamos por várias agências sejam elas imobiliárias ou de viagens, até chegarmos á viatura.
O foco do Bruno agora são as agências de viagens, e não se contenta em tirar uma brochura, quer logo trazer todas as que estão expostas.
Já que lhe expliquei várias vezes que não pode tirar todas, porque não conseguimos viajar para todo o lado, e além disso depois não haveria para as outras pessoas.
Mas hoje de manhã a mãe foi "compincha" e até ajudou, pronto uma a cada um.
E lá vieram seis. Lá que abre o "apetite", lá isso abre...
Desculpem lá senhores agentes.
É só uma colecçãozita ...:)))