Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger.
Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida...
Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida...
Valorizando os afectos...

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Depende!?



Depende do quê!?
Das Perspectivas de  cada um, as palavras têm a conotação que lhes dá-mos.
Podemos ver a mesma coisa, pelo "copo cheio" ou pelo "copo meio vazio"
Analisando, a tão apregoada "INCLUSÃO"
-Irem aos mesmos lugares!?
-Conviverem com a sociedade no geral!?
-Poderem emitir opinião, sem serem julgados!?
-Poderem frequentar efectivamente as escolas em pé de igualdade com os outros alunos, respeitando a sua condição física e psicológica!?
-Poderem ter um emprego, remunerado!?
-Poderem vir a ser  autónomos! ?
-Poderem ter vida própria!?

E isto existe!?
De que lado fica o copo!?
Digam de vossa justiça

Mãe Mina


sábado, 9 de setembro de 2017

Riscos


Fala-se actualmente muito mais  em autismo, do que à 2/3 décadas.
O que não quer dizer, que todos  entendam, as particularidades dos indivíduos cujo os comportamentos são algo singulares, algumas vezes inapropriados, só o facto de não terem um filtro, põem nos constantemente à prova.
Se são crianças acha-se piada, à transparência , à sabedoria espantosa  em algumas matérias que nem supúnhamos essas capacidades.
Quando são adultos essa transparência e capacidade de memória, pode tornar-se "perigosa".
Para quem os conhece continuamos achar piada à mesma inocência e doçura  que nunca perdem.
Para os que não conhecem, podem achar assustador, assim no meio da multidão alguém começar a gritar a chamar atenção : "olha ali o T.F", isto a referir-se a um politico da nossa praça, cuja a memória dele  não o deixou  esquecer se  de o  ter ignorado  num projecto de inclusão e divulgação sobre o tema que aqui, nesta modesta "casinha continuamos a divulgar.
Quem corre os riscos, não são os outros.
Quem corre riscos, são mesmo as pessoas que têm este à vontade, no fundo provocatório, mas sem essa intenção.
Será que alguém , entende!?

domingo, 3 de setembro de 2017

Viver em sociedade


Entre nós...
E os outros!?
Existe um rio, existem margens..
Isto para tentar perceber, o que será que os outros acham, desta forma peculiar e particular de comunicar.
Estar em sociedade, exige demasiadas regras e etiquetas, que para um "Aspie", não serão barreiras visíveis, dada a naturalidade com que lidam com as pessoas.
Os temas de conversa, podem vir do nada, ou de algo que os liga a algum local ou acontecimento, com fio condutor pré-determinado por eles, que do outro lado quem não conhece ou lida habitualmente com esta síndrome, poderá ficar confuso. apreensivo com conversa.
Neste contexto o que fazer...
Deixar que as pessoas, percebam!?
Colocar-mos o rótulo nos indivíduos?

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Correu bem ""


Dar asas, não é fácil.
Mais por nós, do que por eles.
Durante a feira dos frutos, acompanhou a mãe.
Enquanto a mãe ficava no stand da feira.
Ele ia passeando pela feira, à procura de gente conhecida e de acumular mais papel dos outros stands para trazer para casa.
Há noite assistia aos concertos, no primeiro dia ficou num local com amigo, local que a mãe sabia.
No segundo dia, a multidão era muito mais, queria deixa-lo no mesmo sitio, mas quando fui à procura dele já  não o encontrei.
Pedi a alguns amigos, que se  o vissem, me avisassem .
No meio de tanta gente, era quase encontrar uma agulha no palheiro,  ninguém o viu.
Eu sei que ele não se perde,  e que no final do concerto ira ter ao local onde a mãe estava, mesmo assim fico preocupada.
Só mesmo quando terminar a última música e sair toda a gente do recinto, ele vem.
Assim foi.
Quando o reencontrei disse-me : Correu bem...

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Caminhadas


Caminhar, é uma forma salutar e saudável , de conviver.
Fazer caminhadas em grupo, tendo como companhia este rapaz , é uma aprendizagem para ele e para todos os que o acompanham.
Já o fazíamos a dois, em grupo começamos à cerca 7 anos, têm tido uma enorme evolução.
Se no inicio, não largava as saias da mãe , agora dificilmente o encontro durante o percurso, porque gosta de ir sempre na fila dos primeiros,  já não o consigo acompanhar.
Normalmente fico tranquila, porque a maioria dos caminheiros já o conhece e tem  por ele grande carinho.
Este sábado realizou-se a caminhada nocturna anual em Óbidos.
E ao contrário do que é habitual, em centenas de pessoas conheceríamos uma meia dúzia.
Partimos já a prova tinha começado, tivemos de correr para apanhar o pelotão.
Mas este rapaz, não é de se  ficar, na fila de trás e prolongou a corrida, até  à fila da frente, onde ninguém o conhecia.
À medida que prova decorria, a minha preocupação de mãe desta vez ia alta, embora soubesse que ele ia à frente o percurso era floresta escuro e ele não tinha lanterna, tinha esperança que daquela meia dúzia de conhecidos alguém fosse perto dele (mas, só esporadicamente algum deles passou por ele).
Cansado e com uma subida pela frente, e os pés a doridos, sentou-se provavelmente à minha espera.
Quando uma das nossas companheiras habituais , passou por ele e fizeram os últimos metros juntos.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

"Sede de conhecimento"


Como é que posso saber tudo o que aconteceu  antes de eu nascer?
É esta a pergunta que eu gostava de responder.
É preciso estudar.
O que aconteceu em 1960?
Como é que sei a resposta a esta pergunta  se eu nessa altura ainda não era nascido.
É através da leitura e de muito estudo na Wikipédia que eu consigo obter respostas a essa pergunta.
Só assim se consegue ter boas notas na disciplina de história.

Escrito pelo Bruno Julho 2017

Nota-  A mãe acrescenta, que esta sede de conhecimento o leva, a querer saber de tudo, sobre tudo, o que imagino será muito cansativo, o acumular da informação  de muitas pesquisas , incluindo decifrar palavras, que estão nuns dicionários e não estão noutros.
-Não sabes o que aconteceu em 1960 ? Pergunta a mãe
-Foi o ano em tu nasceste . ( pronto aqui está o facto histórico do ano ) :)


terça-feira, 11 de julho de 2017

" Matemática e eu"


Quando eu andava na escola , a minha  disciplina favorita era a matemática.
Eu gosto muito de números por isso a matemática era a minha área preferida.
Eu tinha boas notas a matemática. Aliás a única vez que eu tive um 5 de nota, a nota máxima possível foi precisamente no terceiro período no  nono ano de escolaridade na disciplina de matemática.
Aliás, eu nunca me lembro de ter tido alguma vez 2 de nota a matemática..
Aliás a única disciplina que completei do décimo segundo ano de escolaridade foi a matemática.
Equações,Inequações, raízes quadradas, senos, cosenos, teorema de Pitágoras, binómio de newton, múltiplos, números primos, números pares, expoentes, probabilidades, indeterminacões  etc. São alguns dos segredos da matemática.

Nota texto integral escrito pelo Bruno , transcrito para o blog , pela mãe
A data é recente Julho de 2017

terça-feira, 27 de junho de 2017

Situações embaraçosas


Não sei do que tenho mais medo!?
Se do pudor e puritanismo de algumas pessoas?
Se da inocência de pessoas com  Síndrome de Asperger?
O telemóvel toca ( não era suposto tocar, muito menos estar nos calções dele), enquanto toma banho , a seguir a uma aula de hidro-ginástica, ainda ensaboado.
 A única preocupação que lhe ocorre, é ir procurar a mãe que está no balneário das senhoras também  a tomar banho, não abre a porta desse balneário. mas abre a porta da sala seca, onde nos vestimos, fica à porta  à espera, que alguém pegue nos calções onde o telemóvel toca.
Não se lembra que está exposto (nu), nem que as outras pessoas estão também elas  nuas embora embrulhadas em toalhas, não repara nem lhe ocorre sequer a nudez, tal a preocupação em ver-se livre daquele ruído.
Uma senhora, que estava  nessa sala seca, que não o viu , nem ele a viu a ela, só de ouvir a senhora que ficou com calções na mão  contar  e que  me os  foi levar  ao chuveiro.
Ficou de tal forma indignada, (que até parecia que espumava).
-Tentei , tranquilizar a senhora, que ele mesmo que visse alguma coisa não era com maldade, que lhe garantia esse pressuposto, e que se fossemos a uma praia  nudista também víamos pessoas nuas, que já me viu nua em algumas situações  , que  nosso corpo não é nada de transcendente.
Não é algo que se expõe gratuitamente, não andamos nus na rua, nem casa, que foi uma situação excepcional,  pela qual peço desculpa à senhora, que não cede perante nenhum dos meus argumentos, e continua a achar um acto criminoso este despropério.
Claro que ele está informado e foi educado, sabe que não pode andar nu em locais públicos, que segundo a lei é um atentado ao pudor, punível criminalmente.
E esta é uma parte que dói ainda mais, conhecendo-o eu, ter de lhe voltar a referir esta norma, tipo chantagem, dizer-lhe que a senhora o tinha ido denunciar, provocar-lhe o medo, para que estas situações não ocorram.
Humildemente o rapaz queria ir entregar-se às autoridades, esta inocência dói muito.
Assim como a incompreensão e puritanismo destas pessoas, que ainda por cima leccionam, que medo, da formação que está a dar aos alunos.

Demasiado íntimo relatar situações, que aos olhos de alguém com Síndrome de Asperger não vê maldade, mas que mundo vê como provocações e má educação.





sexta-feira, 23 de junho de 2017

Carrega nas segundas


O tal "tubarão dos encerramentos" (frase dele).
"Sobrecarregas-me a agenda"( outra frase dele)
"Não tenho nada para fazer à segunda feira" (mais uma frase dele), que contraria a anterior, vá lá a gente entender isto.
Na tentativa de o distrair desta fixação, a tarde de segunda-feira está totalmente  preenchida, e as fatídicas 3 da tarde que só dá telenovelas ( segundo versão dele).
Essa hora está destinada a ir despejar  o nosso eco ponto domestico, que só faz de semana a semana ,para  ocupar um  tempinho.
Observo o  da janela de casa, retira os rótulos das garrafas de água.
Esta semana arranjou mais uma distracção, pôs-se a ler os cupões dos supermercados,
Vou lá ter com ele, deita isso fora, se está aí é porque a mãe não precisa .
-Mas estão na validade refere.
P'ro que lhe havia de dar.

Nota- Também só desfaz a barba às 2ª. feiras

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Pedrogão Grande , vestido de negro


Depois da tragédia, renascer das cinzas
É com profunda consternação e dor, com sentido pesar, pelas famílias enlutadas, que apenas imagino a dor inapagável que estão a sentir neste momento.
Aqueles que perderam os bens materiais desculpem o meu egoísmo, mas a VIDA é o bem mais valioso e essa não se recupera, tudo resto renasce das cinzas.
Aproveitem a vida e deixem a mesquinhez do que não vale a pena, a vida perdesse a qualquer momento, e o que levamos no momento da partida são as memórias dos afectos, pelo menos para mim são.
E só estou a escrever agora e não o fiz mais cedo, apesar de estar a seguir nos média o trágico desenrolar deste caminho negro em que aquelas localidades se transformaram num autentico inferno terrestre, mais uma vez reforço as minhas condolências às famílias das vitimas que não conheço. somos todos irmãos.
Tocaram nas raízes do meu coração, Pedrogão Grande a terra dos meus pais, as recordações dos carreirinhos verdes, das fontes que brotavam água, das ribeiras onde lavavam a roupa, da frescura das adegas, dos animais que podia levar ao pasto, das pessoas que partilham o duro trabalho do campo e de levarem o farnel, de andar de pés descalços a regar o milho, de arrear a burra para tirar água do poço, das escamisadas *, um rol de memórias que valem milhões e fazem de mim a pessoa que sou, que dá prioridade a este sentir de SER humano, talvez "lamechas", mas estes são alguns dos tesouros que nenhum incêndio apagará ( a não ser quando me falhar a memória) a tal "lamechice" que se chama Amor, guardo até hoje os valores e o amor ao próximo a dádiva dos meus tios Augusta e Zé António.
Muita força a Todos/as , e que este inimigo dê tréguas ás populações , e aos soldados da paz um bem haja.
Felizmente, neste dia a situação do fogo , está muito mais controlada.
Desculpem o desabafo, não consegui ficar indiferente , ao sucedido.
Quero deixar  uma mensagem de esperança , depois da tragédia irá florescer.
Aos que enfrentam a dor da perda, que encontrem força na memória dos afectos.


Mãe Mina
*-Tirar a "camisa" do milho