
Nas pessoas portadoras de Síndrome de Asperger, também os afectos estão muito condicionados, no caso do Bruno muito antes deste diagnóstico de SA durante anos um psicólogo que o acompanhou, durante 8 anos, considerava ser um problema emocional e não estava longe da realidade é também um dificuldade enorme em manifestar e até mesmo receber afectos...
Vamos, precisar de recriar de novo alguma autonomia, e começar a deixa-lo mais longe do fórum, para que ele faça algum caminho sozinho.
E também por questões logísticas, dá-me mais jeito, deixa-lo ali e ele subir aquela ruela estreita.
Enquanto eu teria de fazer o dobro do percurso, para deixa-lo à porta.
Mas fico sempre assim com o coração "apertadinho"
Então, combinamos um código, logo que ele lá chegasse ligava-me para o telemóvel.
Mas que eu não iria atender, para dar só um toque.
Vai andando dá meia dúzia de passos. (volta atrás)
-Ah! Tu não vais atender!...
- Não filho. Não vale a pena basta só um toque.
- Mas queres que a mãe atenda?.. Se queres a mãe atende!...
Nem responde e volta a retomar o caminho.
Retiro o telemóvel e ponho no banco ao lado.
E fico parada dentro da viatura a aguardar que ele avance.
Mas ele volta de novo para atrás.
Para me dizer:- Mãe, gosto muito de ti.(baba)
- Eu também gosto muito de ti. Vá!... Vai lá filho!... (a esta hora da manhã não se pode dar muita "lamechice") rsss
Vai ficando à esquina, com aquele ar embebecido a olhar para mim.
Tive de me vir embora, como quem solta uma cria para a libertar.
Ainda tentei acompanha-lo pelos retrovisores do carro. (mas não deu)
Lá venho eu convencida, que assim que ele chegasse me ligaria.
Nada!... Não ligou. Assim que paro o carro, ligo-lhe eu.
-Então, filho não ligaste?!...
-Não, não liguei (responde-me ele)
Vá lá a gente entender isto!?... rsss
"Isto não quer dizer que as crianças com SA sejam incapazes de afeição, muito pelo contrário, podem até ser muito carinhosas, por vezes até demasiado, dando beijos e abraços a pessoas estranhas como se fossem próximas".
"No que toca a manifestações físicas de afecto, são oito ou oitenta".
"Fico sempre um pouco desconfiado quando os pais me dizem que uma criança com SA adora ser abraçada". "Pode ser o caso mas quantas vezes é a criança a tomar a iniciativa?"
"Esta dificuldade têm a ver com as trocas emocionais, isto é com a empatia"
"Muitas vezes a resposta chega ao retardador"
Estas últimas frases foram retiradas do livro "Mal entendidos" de Dr Nuno Lobo Antunes