Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger.
Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida...
Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida...
Valorizando os afectos...
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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

"Rivalidades Clubisticas e não só!"

Quando eu andava na escola secundária R.B..P, os colegas gozavam comigo. O P.O. diziam-me tu és Sportinguista.
-Eu disse-lhe que era Benfiquista.
E como ele tem a mania que o Sporting é melhor do que o Benfica, ele gozava comigo porque o Benfica nessa altura estava a perder muitos jogos.
Por isso eu agora gozo com os Sportinguistas para eles não terem a mania que são melhores que o Benfica.
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Para eu entrar na escola era preciso eu mostrar um cartão para eu ter autorização para entrar na escola mas houve uma certa altura onde à entrada da escola estavam lá alunos de outras turmas que gozavam comigo quando eu mostrava o cartão da escola ao porteiro e chamavam-me clandestino.

Bruno V.

Tudo isto é transcrito integralmente como Bruno os tem na papelada, a maioria não consigo datar, porque ele não coloca datas e são centenas talvez milhares de papéis que tem escrito ao longo dos anos.
Passarei a chamar-lhe fragmentos com estes dois, que aqui transcrevi, que podem ter sido escritos na mesma altura ( estavam no mesmo caderno), não necessáriamente no mesmo dia ou mês.

Reportam-se a a anos diferentes e escolas diferentes, até cidades diferentes e como tal também colegas diferentes...

Mãe Mina

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

"Encontro"


Encontro inesperado com o "Ambrósio"*, ontem durante mais uma apresentação do projecto voluntário...
O Bruno deu de caras com ele o "Ambrósio".
A quem deu uns cumprimentos, relembrando os velhos tempos de escola.
Quando ele andava no 5º. ano era na casinha do "Ambrósio", que a professora o punha de castigo.
Nunca cheguei a saber disso na altura, só soube aquando escrevemos os nosso testemunho.
E esta foi uma professora que levei muito em conta e nos ajudou na integração num ano controverso de mudança.
Mas que vim a saber que tinha cometido esta lacuna:(
*Esqueleto

terça-feira, 21 de setembro de 2010

"A inquirição!..."


A propósito do episódio anterior...Fui chamada à escola (como seria de esperar).
Não era coisa que não fizesse habitualmente e sem necessidade de convocatórias, nos dias estipulados para receber os encarregados de educação, ia lá com muita frequência.
Mas nesse dia confesso que fui muito assustada, sem saber o que me esperava(seria o meu lado "aspie").
Como é que eu ia gerir aquela situação, o Bruno já tinha sido castigado.
Nesse dia embora ele não tenha ido à reunião foi comigo pedir desculpa à funcionária...
A mim após um tempo de espera com as pulsações a acelerar, sem saber muito bem o que me estava a aguardar, sabendo apenas que era para falar daquele assunto.
Abre-se-me uma porta com um grupo de pessoas 4 /5 já nem sei, parecia-me um julgamento, eu que nem sei como funcionam os tribunais...
Senti-me a encolher,e agora o que é que eu vou fazer?!...Limitar-me a responder, cheia de vergonha não só pelo acto ocorrido, mas por estar perante tanta gente!...
Há entrada pensei todos contra mim, aguenta, não tens alternativa(penso eu com os meus botões)
Nem sempre tudo corre como nós pensamos e nem sempre nos julgam...
E nesta longa conversa com este grupo de pessoas que percebeu a minha "pequenez", deixaram-me à vontade numa conversa cordial, todos empenhados para o mesmo fim.
Senti-me aliviada, mas não segura, aquela situação ou algo semelhante não se poderia repetir, ou lá se ia a confiança depositada em nós...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

"As marcas que ficam!..."


Um "mau" dia, depois de uma aula de educação física!...
A aula termina, e ele em vez de sair, uma vez que não tinha necessidade de se desequipar, que em dias de exercício físico optamos pelo prático ia equipado de casa com fato treino (sempre foi assim).
Para evitar as dificuldades inerentes á sua síndrome de não ter o ritmo que é preciso para essas coisas...
Mas, mesmo assim ficou enquanto os colegas trocavam de roupa, uma auxiliar de acção educativa, foi alertar os alunos para se despacharem, que era a última aula, tinha de fechar o pavilhão...
Não era nada com o Bruno, mas ele não terá gostado desta advertência aos colegas, e não sei se por iniciativa própria se com estimulo dos outros,começou a atirar pedrinhas à senhora...
Quando o fui buscar, ele contou-me o sucedido, mesmo sem ter sido inquirido,quando é algo mau ele tem noção e é o primeiro a contar e ás vezes são mesmo coisas sem importância.
Confesso não dei muita importância, umas pedrinhas não devem sequer ter acertado na senhora pensei , ainda assim ralhei com ele e dei-lhe aqueles conselhos de mãe.
O que eu não esperava é que tivesse sido feita uma participação, e que me contactassem como se ele fosse um criminoso, só terá faltado chamar a polícia...
Conhecendo-o como conheço, não me parece que o caso fosse tão grave, ainda hoje não acredito e já lá vão 10 anos.
E vieram daí as tais botadas que ainda hoje me doem, tinha de encontrar maneira daquela cena não se repetir e só encontrei aquela solução de lhe bater nas pernas com as botas, e doeu eu sei que doeu de forma a mostra-lhe que as agressões doíam, se ele não gostou a funcionária também não gostou ( enquanto, por dentro o meu coração sangrava), achei que aquela situação não justificava perante mim tamanho castigo.
Sempre achei que o caso foi muito empolgado, por ser um aluno com condição especial e novo na escola.
Só por isso terá provocado tanto medo na senhora, medo esse de todo infundado, que ele nunca foi um miúdo perigoso ,e, é facilmente controlável.

sábado, 18 de setembro de 2010

Mudanças...


Aquele foi o ano da mudança, que apesar disso foi de muito fácil adaptação até porque tudo estava planeado e preparado com muita antecedência, mudança de casa, cidade e escola!...
Começo de um novo ciclo, faço transferência e só há uma escola que preenche os requisitos, que servem ao Bruno, fico tranquila porque me parece que este novo ambiente de uma cidade mais pequena vai favorecer a independência do Bruno e tenho mais segurança...
No entanto ainda antes do inicio das aulas, ligam-me a avisar que o Bruno não preenche os requisitos para estar naquela escola especialmente naquele curso que escolhemos para o qual achei que estava mais apto "Informática"...
Disponho-me a ir à escola como sempre fiz apresentar as minha disponibilidade e referir que aquele é o único curso que estava nos planos e para o qual ele teria mais capacidade, por incluir a matemática e a informática matérias do interesse dele...
Tudo correu como estipulado, o Bruno entrou a frequentar o 10º. ano, os pais estiveram sempre disponíveis para colaborar com a escola...
Sempre presentes, a dar informações sem omitir as dificuldades que seriam por demais evidentes!...
Além de que ao mudar de escola já traz um processo atrás de si, que não me foi permitido transporta-lo pessoalmente, não fosse desviar algum papel no caminho!... Mas pronto isso também não interessa nada!...A adaptação decorreu de uma forma pacífica e foi aceite pela turma e pelos docentes, que embora assustados com a diferença, foram todos colaborantes...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Acreditar no melhor!...Mudança!...

Começou uma nova etapa, novo ano, nova professora, que poderemos nós esperar?!...
Pior que anterior, não pode ser!... Mais uma vez como todos os anos, sempre que muda o professor, ou há alguma outra alteração a mãe informa de todo o historial do Bruno...
Começa este novo ano com uma professora "dura" daquelas que impõe respeito até pelo "cabedal".
O Bruno lá ia fazendo os seus testes provocatórios, para os quais a professora arranjou metodologia para os ir alterando. E conseguiu uma alteração da postura dele na sala de aula, embora as ausências se mantivessem, as provocações que não eram intencionais, conseguiu com que fossem diminuindo, a relação com a turma que se manteve até ao 4º. ano melhorou de novo.
Houve um trabalhar na auto-estima dele que embora socialmente nunca participasse, quando muito só com uma amiguinha, uma verdadeira "pestinha", com sentimentos angélicos, esta nossa linda Ritinha, foi a "mãe pequena".
Foi um ano de readaptação, conseguindo elevados progressos a todos os níveis sociais, emocionais e consequentemente a aprendizagem, apesar de continuar sempre a disparidade entre a matemática e tudo o resto.
Como "equipe que ganha não se mexe".
No 4º. ano solicitámos ao Ministério da Educação, que desse continuidade a este processo e a esta relação professora aluno, felizmente e para bem de ambas as partes este pedido foi aceite, e o 4º. ano decorreu sem grandes sobressaltos com o Bruno a atingir os objectivos propostos.
Ainda mantemos contacto com esta professora, que foi a grande motivadora, quer do Bruno ter continuado a escolaridade, e também a mim (mãe) deu uma enorme força, para nunca desistir, sempre que me vou abaixo, lembro-me das palavras de incentivo, dela.
Obrigada Professora Isabel Pica.
Agradeço também à nossa amiga Ritinha e aos pais por terem permitido esta ligação, embora lhes tenhamos perdido o rasto, jamais perderemos os registos, que ficaram nos nossos corações...

Nota- Com esta professora prescindiram, das aulas de apoio, para que não houvesse muitas alterações, porque o apoio era ministrado numa sala independente, permitiu também assim uma maior estabilidade.

3º. e 4º. anos

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Como um professor, faz a diferença!?...

Já escrevi sobre as minhas memórias longínquas da primária.
Sobre a instrução primária do Bruno, estão mais frescas e documentadas.
O Bruno entrou para o primeiro ano, numa escola pública, após ter sido "rejeitado", pelo externato que já havia frequentado nos dois anos anteriores.
Já ia referenciado, como uma criança com problemas com relatórios do externato e de psicólogos que havíamos consultado, que referiam e davam indicações de uma criança sob-dotada, mas ao mesmo tempo inapto para algumas áreas.
Apesar desta nuvem negra o Bruno foi aceite, quer por colegas quer pela professora S******, e conseguiu atingir os objectivos propostos, foi traçado um quadro que ele cumpriu evidentemente que não incluía trabalhos de grupo, os intervalos eram passados sozinho no meio da criançada, com os seus correpios e saltinhos solitários. A ansiedade fez com que tivesse roído alguns objectos como: borrachas canetas e lápis, e o Bruno não tinha diagnóstico de PEA, nem nada que se parecesse...
Foi um ano de adaptação com inclusão do meu ponto de vista.
No 2º. ano apenas mudou a professora, a escola e colegas mantiveram-se, mas houve um "volt face", esta professora achava que o Bruno e outro menino a quem chamavam "cão", eram alvos a ser retirados daquela sala de aula, com o outro menino conseguiu o objectivo, mas como a mãe do Bruno é osso duro de roer não conseguiu, tentou levar-nos aos limites da humilhação fez-me chorar, sofrer mas não conseguiu demover.
Pois o Bruno o que mais precisava era de estabilidade e de aceitação e esta professora conseguiu que até os colegas que já o tinham aceite o rejeitassem.
Foi um ano muito doloroso, salvando-nos as monitoras do ATL, que sempre nos apoiaram. E a professora no final do ano" vazou

(Ensino Básico 1º. e 2º. anos)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Tesouros do Bruno Parte 4 ( escola Carnaval)


Começou, aqui, 2ª parte aqui, 3ª. parte aqui

De encarregado de educação: M.M.V.
Para professores de EVT
Mensagem: Informo que a minha mãe não anda a roubar carteiras para ir aí meter mais dinheiro no teu mealheiro, tenha muita paciência mas não pode ser assim.
Não pode ser a única solução, é não fazer máscaras para o Carnaval.
Bruno V. 10 anos 5º. ano

Juro,que sempre fui eu a encarregada de educação e nunca disse semelhante coisa rsss, nem eu nem professora em questão tivemos conhecimento na altura, só vim a descobrir estes papéis umas folhas soltas amarrotadas por acaso. Uns catorze anos depois kkk, este foi o último desses achados, por isso deixei os links em cima para quem quiser seguir, ou apenas recordar rsss
Mãe Mina

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Lembranças (2)


Como já deu para perceber a tia Isabel é um elemento de referência para o Bruno...
Chegamos a socorrer-nos dela muitas vezes nas férias, quando não conseguíamos ter férias no período em que o ATL fechava, ou ainda quando havia necessidade de fazer horas extra, a tia ia buscar à escola ou ao ATL.
Numa dessas vezes em que a tia o foi buscar à escola, tinha ele para aí uns 6 anos, houve um desencontro, e a tia chegou a casa pensando que eu pudesse ter saído mais cedo e já estivessemos em casa os dois.
Quando ela aparece sem o miúdo ficamos numa enorme aflição.
Ele saía ás 18 horas e eram quase 19 horas ainda não sabíamos dele.
Estávamos nós já numa fase de descompensação...
Aparece-nos à porta um Senhor com o Bruno pela mão.
Nem sei se o Bruno o conhecia!.
Ou se foi só por ser a pessoa que estava ali mais à mão.
Então o Senhor esteve-nos a contar que o Bruno agarrou-o pela mão e o orientou até nossa casa...
Sem fazer nenhum pedido, nem nenhuma explicação, que alías ele nem saberia dar.
Apenas o puxando, pela mão, guiou até a casa, sem palavras, não que ele não soubesse falar, que sempre soube e saberia a morada e número de telefone, mas tinham de lhe perguntar.
O ele ter aquela iniciativa ainda agora me surpreende...
Foi um milagre ter encontrado uma pessoa de confiança, que o conseguiu perceber.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Tesouros do Bruno Parte/2 (colegas e funcionários)


Do mesmo modo os nomes vão ser alterados, mas identificadas as pessoas pela função.
Como se vê o Bruno não fazia discriminação, entre todos os intervenientes da função
educativa, todos tinham direito à sua contribuição rssss, escrito no 5º. Ano

Texto integral
Colega: Diogo Rolão, eu informo para te dizer que no futebol humano aleijas os alunos. =150$00
Colega:Francisco Parreira, eu informo para te dizer para quê que tens faltas de: presença, comportamento e material. Consulta o horário para veres as disciplinas que tens no dia seguinte para não teres faltas de material. Está quieto nas aulas e nem perturbes a turma para não teres faltas de comportamento. E que doença tiveste o quê que te aconteceu para teres faltas de presença. =600$00
Funcionários: Maria José , eu informo para se o meu comportamento for mau não me suspenderes, o mesmo com a Laurinda Costa.= 150$00-140$00
Empregados bloco A- Eu informo para que vocês nem me suspendam do bloco A, nem me levem ao conselho directivo. =190$00
Empregados do bloco C- Eu informo para me apertarem os ténis. =120$00
Porteiro: João, eu informo que há terça feira à tarde só tenho aulas de apoio. = 130$00
Para ler parte 1 aqui

segunda-feira, 1 de junho de 2009

T esouros do Bruno /parte 1 (professores)


Há dias a procura de uns papéis para deitar cá para fora as emoções...
Eis o que eu encontrei algumas folhas daquelas onde nós despejamos o que sentimos, escritas pelo Bruno com 10 anos de idade, e digo isto porque apesar de ele nunca datar os papéis, referiam-se a pessoas que o acompanharam no 5º. Ano. Ano de muita controvérsia e adaptação. Ele refere os nomes de professores, colegas e funcionários. Que eu irei alterar, não que fosse uma afronta para alguém simplesmente não uso os nomes das pessoas sem o seu consentimento. Até porque os nomes são de somenos importância. A identificação da função que exerciam na escola é feita por mim:

Prof de EVT:Joana, eu informo que não quero ser suspenso. =80$00
Prof de Inglês: Susana, eu informo para não te zangares comigo. =90$00
Prof de Ciências:Isabel, eu informo para não me meteres para fora das aulas dessa disciplina. =130$00
Prof de Matemática: Carla , eu informo para desmarcar a minha falta de comportamento, porque já tive outra falta de comportamento a EVT, e eu já escrevi a carta á professora Joana e também digo a ti para não me suspenderes. =420$00
Prof de Português : Maria Rosa, eu informo para dizer a ti para quê , que mandas trabalhos para casa ou pelo menos estudar.=210$00
Prof de História: José Silva, eu informo para dizer porque é necessário pôr os papéis há frente, se for preciso consultas a lista e dizes onde é que está.=260$00
Mensagem- Informo a professora Joana e a professora Maria José, metem-me na rua e porto-me bem . Pagamento automático- 580$00
Participation much serious- An course of times now to hear about of de times, because to me to he have the to perform the work.

Isto foram informações que ele quiz transmitir aos professores, e que nunca chegaram a ler. Nem a mãe tinha lido estas relíquias, ainda não percebi a ligação das informações com o dinheiro lool, mas que tinha jeito p’ro negócio lá isso tinha...