Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger.
Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida...
Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida...
Valorizando os afectos...
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sábado, 10 de julho de 2010

Espirito Ganhador!...


Hoje participamos na I Caldas EXPeddyção versus Peddy Paper...
Numa tarde agradável ao ar livre,a passear a reconhecer o património arquitectonico da nossa cidade os sabores e a cultura...
A passos largos, que não podíamos perder tempo a missão para além de desportiva e divertida, era ganhar com o Bruno ao comando das operações, que a mãe nem os óculos levou(pitosga),e sem eles já não lê nem escreve...
A nossa parceira de equipa foi uma surda muda muito empenhada, mas o Bruno nem lhe dava tempo para a leitura...
Com ele a orientar a mãe a controlar a Beta a colaborar...
Foi uma tarde diferente, bem passada e mimada...
Com lanchinho saudável, fruta, figos morangos maças regados água...
Ainda presenteados, por uma pastelaria com os doces tradicionais ( cavacas, beijinhos e suspiros) oferecidos pela pastelaria Machado...
Com esforço e empenho, na última prova na mata Real, apesar de andarem lá muitos cães o Bruno chegou lá a correr e partiu de lá a correr,(parecendo até ter-se esquecido da presença deles) e os cães atrás dele,coisa da qual ele tem muito medo.
Na altura de divulgarem as pontuações, quando disseram 2º.lugar a formadora olhou para ele reparei no olhar dele com um ar de que não estou a acreditar!... (pois sabia que só podia ser o vencedor)
A nossa equipe arrecadou o 1º. Lugar do pódio!...
A imagem acima, foi o prémio dos vencedores (já está na nossa casa:D)
Acumulando com os prémios de participação, saíram todos vencedores ao terem participado... Parabéns a todos!...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A importância das coisas!...


Em actividades no Fórum, foi pedido ao Bruno, para esquematizar as coisas importantes para ele...
Ao encontrar este papelito, não pode deixar de confirmar, aquilo que eu sempre soube.
A mãe está no centro do universo, só podia. rssss
Digitalizei o papelito, até para que vissem os outros interesses. E ainda, o estilo de caligrafia, a motricidade da escrita, que se mantêm quase inalterável desde a instrução primária.
Claro o que mais destaco, nesta imagem é a importância que ele atribui à mãe,(baba)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

"Menino" Mimado


Nas pessoas portadoras de Síndrome de Asperger, também os afectos estão muito condicionados, no caso do Bruno muito antes deste diagnóstico de SA durante anos um psicólogo que o acompanhou, durante 8 anos, considerava ser um problema emocional e não estava longe da realidade é também um dificuldade enorme em manifestar e até mesmo receber afectos...

Vamos, precisar de recriar de novo alguma autonomia, e começar a deixa-lo mais longe do fórum, para que ele faça algum caminho sozinho.
E também por questões logísticas, dá-me mais jeito, deixa-lo ali e ele subir aquela ruela estreita.
Enquanto eu teria de fazer o dobro do percurso, para deixa-lo à porta.
Mas fico sempre assim com o coração "apertadinho"
Então, combinamos um código, logo que ele lá chegasse ligava-me para o telemóvel.
Mas que eu não iria atender, para dar só um toque.
Vai andando dá meia dúzia de passos. (volta atrás)
-Ah! Tu não vais atender!...
- Não filho. Não vale a pena basta só um toque.
- Mas queres que a mãe atenda?.. Se queres a mãe atende!...
Nem responde e volta a retomar o caminho.
Retiro o telemóvel e ponho no banco ao lado.
E fico parada dentro da viatura a aguardar que ele avance.
Mas ele volta de novo para atrás.
Para me dizer:- Mãe, gosto muito de ti.(baba)
- Eu também gosto muito de ti. Vá!... Vai lá filho!... (a esta hora da manhã não se pode dar muita "lamechice") rsss
Vai ficando à esquina, com aquele ar embebecido a olhar para mim.
Tive de me vir embora, como quem solta uma cria para a libertar.
Ainda tentei acompanha-lo pelos retrovisores do carro. (mas não deu)
Lá venho eu convencida, que assim que ele chegasse me ligaria.
Nada!... Não ligou. Assim que paro o carro, ligo-lhe eu.
-Então, filho não ligaste?!...
-Não, não liguei (responde-me ele)
Vá lá a gente entender isto!?... rsss

"Isto não quer dizer que as crianças com SA sejam incapazes de afeição, muito pelo contrário, podem até ser muito carinhosas, por vezes até demasiado, dando beijos e abraços a pessoas estranhas como se fossem próximas".
"No que toca a manifestações físicas de afecto, são oito ou oitenta".
"Fico sempre um pouco desconfiado quando os pais me dizem que uma criança com SA adora ser abraçada". "Pode ser o caso mas quantas vezes é a criança a tomar a iniciativa?"
"Esta dificuldade têm a ver com as trocas emocionais, isto é com a empatia"
"Muitas vezes a resposta chega ao retardador"
Estas últimas frases foram retiradas do livro "Mal entendidos" de Dr Nuno Lobo Antunes

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Preocupações acrescidas

Não é visível, para um Síndrome de Asperger, compreender a linguagem corporal, os olhares, o tom de voz, o "ar" alegre ou carrancudo...
Também não percebem quando estamos "enfadados" e insistem no mesmo assunto, vezes sem conta...
Torna-se aos olhos dos outros isto por si só, numa provocação, como é que alguém pode não perceber que o outro está irritado, e repetir em frente ao próprio na maior descontracção, sem noção real das consequências das suas palavras...

Se isto para os ditos "normais", implica uma dose de conhecimento e paciência.
Para alguém com deficiência mental, isto supostamente é um atentado. E há que trava-lo com violência física. Até porque para estes adultos secalhar o que funciona mesmo é a linguagem do corpo, só as palavras soam já a uma ameaça e confronto...

Isto tudo, para chegar ao episódio de hoje, que me deixou preocupada acima da média, não que não esperasse já este tipo de situação, mas queria levar esta minha ideia para outro lado, que não passasse de um devaneio...

Hoje à hora de almoço, enquanto esperavam pela carrinha o Bruno, depois de ontem ter visto o M. e o J.P. a degladiarem-se, hoje lembrou-se de dizer ao M. para "atacar" o J.P.
Ora não falando ele em segredo, o J.P. ouviu e não foi de meias medidas, foi de encontro ao Bruno e apertou-lhe os "garganetes", já estando o Bruno quase sem respirar e aflito, sem se saber defender, ali se ficaria, "qui ça" podendo mesmo o outro esgana-lo, senão fosse o M. em sua defesa. Criando-se depois um luta "acesa" entre os outros dois.

O J.P. é um jovem com problemas mentais, que me parece "descarrilar", algumas vezes, não consegue controlar a sua fúria.
Já, havia antecedentes com ele, e se o Bruno já é cheio de medos, agora ficou com mais.
Pior ainda é que a única forma que encontro para o demover destas provocações ao J.P é causar-lhe ainda mais medo, o que torna a situação terrível, mas que não é infundada, porque já repetidas vezes lhe tinha dito para ignorar completamente o jovem problemático e afastar-se dele.
Hoje ficou bem assustado, julgo que vai cumprir o nosso pacto de ignorância...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

" Falsas Acusações"


O sentido de justiça, é também uma característica dos Asperger.
Porque para eles só existe uma verdade. A verdade...
E não acham piada nenhuma, quando são acusados injustamente( claro ninguém gosta).
O Bruno por exemplo e penso que se aplique a muitos outros, nunca percebe se estão a fazer uma acusação ou se estão a brincar ao dizer que foi ele que fez determinada coisa , que ele de facto não fez...
Esta não percepção da linguagem não verbal, pode despoletar uma revolta nele, não percebe se o tom é brincadeira ou a sério.
E esta tarde, alguém partiu um vaso, e o J.P. disse que foi o Bruno, e logicamente ele ficou logo revoltado com acusação, que terá sido outra pessoa ao retirar o chapéu de chuva do vaso que o terá feito cair, por coincidência o Bruno ia a passar naquela altura. E levou logo com as culpas.
Por mais que eu lhe diga, que foi a brincar, para ele não ligar, que até nem sei se foi o caso, para ele é sempre uma acusação e nunca uma brincadeira ou provocação...
Ás vezes tenho, medo da reacção dele a estas provocações injustas...
Porque têm dificuldade, para se defender, a não ser insistir que não foi ele e ficar muito revoltado.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Noite em "Branco"


Esta madrugada, às 2 horas, ainda estava acordado, com nervoso miudinho, em "corropios" até ao w.c.
Até às 6h e 30m , não o ouvimos, assim que o pai se levantou, foi logo para o nosso quarto dizer que não tinha conseguido dormir nada toda a noite.
Tudo isto provocado, pela nova etapa que iniciou hoje, nada de muito significativo, por agora, as alterações não foram assim muitas, mantêm se na mesma instituição, noutras instalações ( que já conhecia), numa outra frequência, com alguns colegas que também já conhecia que privaram com ele no tele trabalho e outros novos, agora numa estrutura, nova para ele.

Passou a noite a pensar nos novos colegas, e como funcionariam as novas actividades... Ansiedade levada ao limite, apesar de o ter medicado.
Dado o estado anímico dele, fiquei preocupada e sugeri ir busca-lo à hora de almoço, para vir descansar.

Ligou-me, para o telemóvel, que eu tinha deixado no carro. Não atendi.
Ligou para o fixo, e eu ainda não tinha chegado a casa...
Deixou recado à irmã, para me transmitir que estava tudo bem com ele, para não me preocupar.(conversa em tom elevado)

Que ele sabia que eu tinha ficado preocupada, por ele não ter dormido.
O que poderia provocar alterações de comportamento, de extrema excitação ou de apatia( felizmente não se verificou)

Ainda assim, fui ter com ele à hora de almoço ao enclave, onde almoçam, com o propósito de o trazer, teve de almoçar rápido e eu a dizer para não comer tão depressa, afinal ficou-se na refeição pouco mais 15m, só podia mesmo comer à pressa....

Há tarde ainda com poucas novidades, mas com horário estabelecido, colegas e monitores apresentados, saiu satisfeito e mais tranquilo.