Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger.
Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida...
Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida...
Valorizando os afectos...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A importância dos irmãos...


E dos amigos...
Sem ter-mos um diagnóstico concreto, percebíamos as alterações do Bruno, perante qualquer mudança.
Perante esse facto, fomos sempre planeando a nossa vida tendo em conta essa evidência.
Tínhamos planos, para ter mais um bebé, como tal tínhamos de preparar o caminho...
Mesmo antes da gravidez, ia o chamando à atenção para as barriguitas das grávidas que se cruzavam no nosso caminho e para o bebés.
Íamos lhe perguntado, se não gostaria que tivéssemos um bebé só nosso (da família).
Durante a gravidez, foi acompanhando o crescimento do bebé, e aprendeu a senti-lo.
Pedimos a opinião dele para a escolha do nome e embora não soubéssemos o sexo do bebé, ele só escolheu nome para rapariga e a sua escolha recaiu no nome de uma amiguinha (por sinal única), a quem ele considerava a "mãe" da mesma idade. a Rita M********. ( sua única escolha)
O nome foi aceite, com uma pequena alteração, ser M**** Rita (esta alteração teve de ser muito esmiuçada) para ele a aceitar.

Concluindo, posso dizer que a mana, foi muito bem aceite por ele, embora no inicio estranhasse a pequenez (dela) rsss,
Durante esses primeiros anos tornou-se muito mais comunicativo e interactivo com a irmã, fazia palhaçadas para ela se rir, ainda bebé fazia-a mexer os braços e dizia que era para ela fortalecer os músculos, por isso é que ela não se fica a trás, deu resultado o exercício rsss
Fazia queixinhas, se ela rasgava as revistas, mas gostava dela e pedia sempre coisas para a mana ( o que faz ser irmão mais velho rsss)
Hoje em dia, já não é bem assim, são mais "cão" e "gato", embora ele continue a ser mais generoso com ela e a dar-lhe primazia, até lhe enche o copo com água, sem ela pedir ou mesmo sem ela querer lool
Outras vezes andam ás "turras", por causa do PC, se ela não cumprir com o horário estabelecido, ele fica muito irritado e ás vezes tenho mesmo de intervir.
Entre todos os prós e os contras, funcionou como a melhor terapia e criou nele um outro desenvolvimento, notou-se a evolução...

10 comentários:

Atena disse...

Que bom Mina! Ainda hoje penso que um irmão/ã seria coisa tão boa... mas a dificil opção conjunta, que por vários motivos, tivemos de tomar - de não ter mais filhos - impôs-se com muita força, após muitas conversas a dois, e venceu-nos.
Retalhos de vida (pessoais); Obviamente muitos medos que a "ruleta russa", que falam alguns médicos funcione a nosso desfavor; a falta de apoios de toda a espécie; os dificeis empregos que além de não existirem em abundância, não respeitam nada a não ser o lucro; o tempo só para os pais que é tão pouco com 1 filho e é imprescindível, necessário e salutar para a relação, que no fundo é um pilar importantíssimo manter, e por aí a fora.... tantos medos! Para lá da decisão irremediavelmente tomada, fica-me a certeza que ter irmãos seria sempre bom, por mutio que a vida nos mostre que para nada há certezas, existindo inclusivé mtos exemplos "negativos". Fica-me sempre o desejo e o sonho de ter tido mais um filho/a... mas sem arrependimentos porque quando se tomam decisões, especialmente após muita reflexão, não há lugar para arrependimentos... nem para mentiras, por isso esta verdade que direí sempre, compreendendo assim mesmo, que não nos é de todo possivel ter mais nenhum. Vale que o Vasco preenche-nos a casa com a sua alegria.
Abraço forte,
Cristina

Mina disse...

Cristina
Entendo, todos os seus medos e as suas dúvidas, esta minha segunda gravidez também foi sendo adiada, tanto que a diferença entre eles é de quase 9 anos.
Foi muito pensada, repensada, com muitos avanços e recuos, não é de ânimo leve, nem sem preocupações acrescidas que se viabiliza a concepção de um filho, quando sabemos que temos um que nunca será suficientemente autónomo e independente.
Também não foi coragem, como algumas colegas referiam na altura, foi mais um acto "egoísta" confesso com alguma consciência. Estava no projecto família e nem sequer levei a gravidez a pensar que podesse ter alguma doença foi uma questão de muita fé...
E veio preencher-nos mais.
O tempo é o mesmo, as despesas essas são muito mais, kkk
E íntimamente como mãe, sei que não é justo mas acalento a esperança, de que a irmã, não o deixe sozinho, que o oriente...
É muito provável, que seja utopia da minha parte, e nem quero que a minha princesa carregue esse "peso" mas precisamos de arranjar, algo que nos sossegue o coração.
Como vê minha amiga também aqui nos surgem as dúvidas e as angústias, só teoricamente estamos mais protegidos....
Mas , pelo menos o que recebeu em pequeno, já ninguém lho tira, valeu a pena...
Evidente que estas decisões têm de ser tomadas de comum acordo, e basta um para dar Amor...
Quantos casais não levam anos à procura!?...
Sermos felizes com os filhos que temos, é o mais importante, e um Vasco ou um Bruno ensinam nos muito... A dar valor ao essencial...
Bjocas

Mrs_Noris disse...

Às vezes fico com a sensação que o facto do M não ter irmãos "incomoda" mais os outros do que mim. Também já decidi sem grandes ponderações. Por mim, o M não terá irmãos e quando me dizem que "ter um é não ter nenhum" eu respondo que "tenho um que vale por três". :)!
Poderá ter irmãos pelo lado paterno, mas não é a mesma coisa hihihihihih
Beijokas.

AVOGI disse...

Nem sempre os irmãos se dão bem. E neste caso ter ou não ter vai dar ao mesmo. Sei de casos de irmãos que não se falam por coisas parvas. Coisas de família. É grave o que se ouve vezes em que irmãos saem de casa e nunca mais dão noticias. Nestes casos houve falta de algo, mas alguma vezes não muito amor e simplesmente acontece. O carácter da pessoa tem muito a ver. Mesmo que haja bons laços familiares o carácter define tudo. E a família interroga-se por que razão o seu familiar se foi? Por que razoa não dá noticias? A teoria de muita gente em querer ver filhos na família alheia dando sugestões do : "quem tem um não tem nenhum" é errado porque ter um ou mais o amor é igual não se reparte. Não julguem tb que tem um só filho o ama mais do que aqueles que tem muitos. O amor não se reparte. Eu tenho dois e aempre acalentei a ideia de adoptar uma criança ou tornar-me familia de acolhimento, mas o meu marido nao estava a favor. Por sso fiquei-me com os dois filhos. E agora tenho a casa cheia de Pulgas. kisses

Mina disse...

Noris
Cada qual faz a sua escolha, e com o ritmo de vida dos nossos dias, até podera ser a melhor escolha.
Mas o que noto, é que os filhos únicos são tendencialmente mais egoistas...
E ter um irmão da parte do pai, não deixa de ser irmão, que essa cena dos meios irmãos faz-me alguma confusão rsss, podem não criar uma relação tão íntima, mas os genes estão lá kkk
Eu com os meus irmãos, é mais estilo pais kkkk
Na idade adulta é que houve uma maior ligação de irmãos embora com o mano continue a haver algum distanciamento, por termos estado tão pouco juntos, em nasci ele já estava quase a casar lool

bjocas

Mina disse...

Avogi
Naturalmente, nem todos os irmãos se dão bem, até há pais e filhos desavindos.
Mas quando se dão bem, é concerteza uma companhia e uma ligação forte principalmente senão houver grandes diferenças de idade.
No caso específico dos meus filhos, ao que eu me queria referir é que os pais que têm um filho "deficiente" tem muito mais medos e receios de ter mais filhos.
Inclusivé o psicolgo que seguia o Bruno na altura tinha sérias dúvidas da reacção e da aceitação do Bruno.
Que poderia funcionar precisamente ao contrário e puxa-lo para um isolamento maior.
E também o pediatra logo me alertou para uma maior dificuldade, que se fosse ao contrário de o "deficiente" ser o 2º. filho a aceitação seria maior, e isso de facto notasse, partir do momento em que ela teve noção das dificuldades do irmão o sentimento que passou a vigorar foi a vergonha, e ainda está numa fase não aceitação...
Normal na idade dela, apesar da educação que lhe temos dado.
Portanto nem tudo é um mar de rosas, mas ainda acredito que quando ela ganhar outra maturidade, vai mudar...
bjocas

Mrs_Noris disse...

Mina,
Decidir ter um segundo filho tendo como principal motivo dar um irmãozinho ao primeiro, não me parece ser um pensamento saudável, nem correcto.
Para mim esse conceito de que os filhos únicos são mais egoístas, reservados, mimados, etc, é um mito. O facto de uma criança não ter irmãos não determina nem o seu futuro nem o seu carácter. O meu filho, sendo único, é muito mais extrovertido, seguro e sociável do que eu fui. Sempre fui exageradamente tímida e amedrontada, e o pior é que só me curei depois dos 35 anos :)!
E de que valem os genes quando não existe uma vivência comum e fraterna, especialmente durante a infância? Será a mesma coisa? Não me parece. ;)
Beijokas.

Mina disse...

Noris
Há situações em que só mais tarde se veêm os resultados rsss
E mesmo tendo irmãos "especie" pais, prefiro de longe do que os não ter, e para eles a mana "petit", foi um brinquedo de carne e osso kkk, e nem sequer estava nos mais recôndidos planos do casal, foi o acaso que me trouxe lool

Agora conheço muitos casos de filhos únicos que são verdadeiramente egoístas, podem ter "toneladas" de brinquedos que não despegam deles, mesmo que com eles não brinquem, têm uma enorme dificuldade em partilhar muito menos dar...

Agora também fico na dúvida, porque não ter outro filho, para salvar a vida de um primeiro!... Há quem não concorde com estes filhos com um propósito.
Não será moral e éticamente correcto, mas só quem está nas situações as pode avaliar, e eu não julgo as pessoas por esse facto, nem acho egoismo.
Acho que esse amor a ambas até pode duplicar.
Ainda não li o livro da autora Jodi Picoult " "Para a minha irmã", que por acaso lhe ofereci a ela(irmã), estou á espera do emprestimo kkkk
Que debate precisamente esse tema dos filhos com um propósito...
Bjocas
Podes ler aqui a sinopse:http://www.wook.pt/ficha/para-a-minha-irma/a/id/175370, e também o trailler do filme , que já me fez chorar...
bjocas

Atena disse...

Eu gostaría de ter outro filho por ele mesmo, por nós, porque sempre penseí em ter 2 filhos ou 3 se fosse possivel. Ter uma familia no minimo onde possam haver irmãos, sobrinhos, etç... enfim, porque também adoro crianças. Não acho que se deva ter um filho para suprir as necessidades de outro, nem é dado adquirido que assim o seja, embora obviamente na nossa situação existe essa esperança. E na verdade tendo outro filho há mais hipótese de isso acontecer, do que não o tendo. Sem irmãos, o meu Vasco nunca poderá saber se o irmão/ã seria um apoio porque pura e simplesmente não há irmão. Com irmão - caso tivessemos decidido assim, sempre haveria uma esperança e estaría nas mãos do dito irmão essa opção.
Mas de forma nenhuma eu queria ter outro filho para esse fim. Outra questão ainda podería acrescentar-se: quem sabe não seria ainda o meu Vasco a ter de alguma forma dar apoio ou companhia a um outro que viesse? È tudo tão relativo na vida e tão incerto...
Eu queria muito um filho - uma menina por exemplo enchia-me as medidas, quando fiqueí gravida do Vasco e antes de saber o sexo, imagineí uma menina e dei-lhe um nome e tudo. Quando soube que era um rapaz fiqueí também muito feliz e tranquila porque penseí que viria a seguir a "Matilde".
A vida não se proporcionou assim, mas nada de ressentimentos, agora não minto a mim mesma e era esse o meu desejo. Hoje vejo que não é de todo possivel e aceito pacificamente. Mas acreditem se me saísse o totoloto, teria mesmo mais um e ainda adoptava outro daqueles que ninguém quer - com alguma problema... aí teria dinheiro suficiente para não ter de trabalhar, assiti-los, pagar todas as terapias, comprar uma quinta com cavalos, piscina trampolins, e afins, e empregava uma série de terapeutas a tempo inteiro só para eles. E agora digam lá que não eramos felizes?
Beijos (e desculpem o longo post)

Mina disse...

Atena
Está à vontade, para escrever o que lhe vai na alma, estas partilhas servem mesmo para isso, para soltar o que ás vezes está preso no nosso "eu".
Quando se fala de sentimentos é difícil ser-se sucinta...
Eu tento ser o mais curta possível e ás vezes secalhar não passa tão bem a mensagem...
Mas encontrei aqui no seu comentário mais uma coincidência, o meu Bruno até aos 8 meses de gestação chamavasse Tânia kkkk, que só nessa eco soubemos o sexo que claro ficamos radiantes o principal era ser perfeitinho.
E o pai até estava mais virado para o rapaz,"guerra dos sexos" lool
No meu caso achava piada ás míúdas por podermos "abonecalas" rsss vestidinhos laçarotes fitas e enfeites, que alías com ela não me safei, foi só até ela ter quereres que foi cedo aos 4 anos já não permitia nem fitas no cabelo esta minha "Maria Rapaz"...
Quem não queria um euromilhões?!...
Até eu, e neste momento sonhava em criar um espaço para futuro dos nossos filhos especiais, aquele espaço onde eles podessem ser livres e felizes no dia em que já não estivessemos por cá...
Ser mãe de um adulto, leva-me a esta preocupação constante...
Por enquanto sonhar não paga imposto, é o que nos vale rsss
bjocas