Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger.
Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida...
Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida...
Valorizando os afectos...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

"Autismo em "referencia"" Parte 3/4

Falemos agora das manifestações mais comuns da síndrome autista:

As crianças com autismo evitam o contacto ocular, e podem resistir e mostrar desagrado ao serem pegados ou tocados.

Não é raro os pais dizerem:"ele estava tão feliz quando estava sozinho, mas começou a gritar e chorar quando lhe peguei ao colo".

Muitas crianças não exibem movimentos de antecipação para serem pegadas ao colo.

Contudo ao contrário do que geralmente se crê muitas crianças com autismo gostam do contacto corporal, que constitui em muitos casos uma das únicas formas de comunicação com as outras pessoas.

Seres humanos, animais e objectos poderão ser tratados da mesma forma, havendo relativa incapacidade para partilha de alegrias, interesses, prazeres com as pessoas, mesmo com os familiares.

As pessoas designadamente os pais, poderão ser tratadas como se fossem instrumentos para alcançar determinados objectos.

Com frequência mesmo situações geradoras de stress, não procuram o necessário conforto, ajuda ou segurança junto dos adultos ou de outras crianças .

Tipicamente as crianças com autismo isolam-se e demonstram incapacidade para estabelecerem uma relação social adequada com os seus pares. Esta incapacidade, persiste de um modo geral, durante a infância a adolescência e, mesmo na idade adulta.

À medida que a criança cresce, as perturbações de interacção social tornam-se menos evidentes, particularmente se a criança é observada em ambientes familiares.

Muito precocemente, as com autismo demonstram graves problemas de compreensão da fala, dos gestos e da expressão facial dos seus interlocutores(podem rir-se quando alguém grita, ou ficar com medo quando alguém ri).

A atenção é pobre (por exemplo dizer adeus ou bater palminhas. O balbuciar (dizer ma-ma-ma-ma, sem o significado de mamã, que ocorre na maioria das crianças sem problemas, por volta dos 6-8 meses) é pobre ou, mesmo inexistente; emitem sons monótonos, em contraste com a riqueza habitual dos sons produzidos pelas crianças com desenvolvimento convencional.

Todas as crianças com autismo sem excepção, apresentam um atraso de funções linguísticas, com notória incapacidade para a compreensão da linguagem falada. O vocabulário é pobre, pouco variado.

Fazem um uso muito pobre da mímica facial e dos gestos.

Cerca de metade das crianças com autismo consegue desenvolver uma linguagem funcional. Um fenómeno muitas vezes descrito é o da persistência da ecolalia ( repetição sintomática das palavras ou dos fins das frases dos interlocutores, que em determinada fase do desenvolvimento é normal).

Por vezes, há uma confusão ou um evitamento na utilização dos pronomes pessoais.

Muitos fazem constantemente perguntas, por vezes de uma forma monótona e repetitiva.

Mais raramente está descrita a ecopraxia (imitação de gestos e movimentos do interlocutor).

Algumas crianças com bom desenvolvimento linguístico conseguem repetir, integralmente longas conversas, palavra por palavra, contudo tem uma enorme dificuldade em extrair o significado das frases.

Algumas crianças não falantes, poderão ser capazes de cantar canções e algumas poderão, mesmo repetir a letra, sendo incapazes, todavia, de o fazer sem música.

Não há geralmente discurso espontâneo.

Estão descritas dificuldades significativas na compreensão, poderão compreender ler o significado de palavras simples (como de determinados substantivos, verbos e, por vezes até de adjectivos relativos a fenómenos visíveis ou audíveis).

Com frequência, há perturbações vocais, com tendência para o discurso muito pontilhado(escandido ou tipo staccto).

Estão referidos problemas de comunicação não verbal.

Mantêm-se muito afastados ou muito próximos dos interlocutores, olham para os lábios em vez de olharem para os olhos de quem lhes fala e fecham os olhos, longamente, durante a comunicação com os outros.

Frequentemente ,estabelecem ligações bizarras a certos objectos ou a partes de objectos, como pedras, peças de brinquedos etc,... Poderão ficar fascinados por objectos que produzam som (copos, campainhas, etc....) Os objectos são muitas vezes seleccionados por uma característica particular (pela sua cor textura ou forma...) e são transportados para toda a parte.
Ficam tensas se alguém pretende pegar neles. Objectos redondos e susceptíveis de poderem rodar, como rodas , moedas e discos produzem uma enorme atracção

Amiúde, há uma aderência inflexível a determinadas rotinas, geralmente não funcionais, e que assumem uma forma doentia.

Acompanho uma criança que, todas manhãs quando vai com a mãe às compras, tem de correr à volta de um determinado marco do correio,está descrita uma intolerância às mudanças de ambiente( pequenas mudanças verificadas no quarto poderão produzir uma grande irritabilidade)

As esterotopias (movimentos repetitivos, não funcionais, como estalar os dedos, como" lavar as mãos", como os balanceamentos do corpo ou da cabeça) são muito frequentes característicos das crianças com autismo.

Um aspecto peculiar ( e que alguns autores reputam de muito significativo) é o das resposta anómalas aos estímulos sensoriais. Por exemplo, poderão ignorar um ruído forte (ou mesmo estrondo) e poderão ligar, logo a seguir, ao som produzido pelo desembrulhar de um chocolate.

Não é rara a reacção anómala à dor ao calor e ao frio.

Frequentemente, há um fascínio pelos contrastes de luzes.

Podem ter o hábito de cheirar pessoas e objectos.

A hiper actividade (traduzida por uma enorme irrequietude) é um problema comum.

Estão referidos em muitos casos, problemas de sono.

Por vezes auto-flagelam-se (batem a si próprios, parecendo insensíveis à dor).

O défice cognitivo (atraso mental) ocorre em 65-88% de todos os casos de autismo.

Muitos apresentam habilidades e talentos específicos em determinadas áreas, como, por exemplo, na aritmética, na música e na construção de puzzles, sendo capazes de verdadeiras proezas.

As convulsões ocorrem em 30 a 40% de todos os casos. Os défices auditivos e visuais são muito frequentes.

4 comentários:

PDD-NOS (Menina) disse...

Obrigado Mina por esta preciosa informação.
Aliás penso dar uma cópia ao Prof da Bea.
Boa noticia, estou de volta ao trabalho.
Bjs Bete

Mina disse...

Bete
O essencial está transcrito, e conheço muito bem na prática muitas daquelas directrizes, vivo-as na prática, por isso trancrevi por me parecer muito credível e com matéria interessante e se ajudar as pessoas tanto melhor, é essa mesmo a intenção, não sou egoísta kkkk.
Podes esperar, que publique as outras duas partes, pra ficares com o documento completo, que subdividi, por ser muito grande.

Que fixe estares de volta, é sinal que já estás melhor, começaste mal, espero que acabes bem...
Bjocas para ti e para Bea

AVOGI disse...

Que bonita explicação. Melhor que muitas que já li.

Mina disse...

Querida Avogi
Estas directerizes, não são da minha autoria, eu limitei-me a transcreve-las.
Mas conheço-as todas na prática, poderia ter sido eu faze-lo, salvaguardando uma ou outra que o meu filho tenha menos acentuada...
Mas já passou por todas, e mantêm muitas delas...
Bjocas