Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger.
Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida...
Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida...
Valorizando os afectos...

sábado, 23 de janeiro de 2010

Esta dualidade!...Que há em mim!...


Fica complicado saber como gerir, o que é melhor, e fico sempre nesta duplicidade de sentimentos e resoluções...
Sem saber muito bem como agir, fico numa ambiguidade estranha.
Se por lado eu luto e desejo que o meu filho seja aceite e entendido da forma que ele é, e quero dar-lhe "ferramentas" para se autonomizar.
Por outro, fico dividida. Como é que as pessoas que não o conhecem e não lidam com esta patologia o conseguirão perceber...
Mas vamos exemplificar com uma pequena situação, que poderia ser outra qualquer, mas esta ocorreu esta manhã...
Já tínhamos combinado ir esta manhã fazer as análises, depois de uma semana a ouvir o Bruno a repetir : "- Vai doer, vai doer." - E a mãe a tentar amenizar que não dói nada. rsss
Para nos despacharmos mais rápido, até porque o cérebro da mãe em jejum parece que não funciona, íamos no carro. E combinei com ele : "A mãe deixa-te à porta do laboratório com o receituário, tiras a senha e inscreves-nos, enquanto a mãe procura lugar para o carro."
Entretanto antes de sair de casa, escrevi num papel, prevenindo-me para alguma eventualidade... O seguinte: «Este jovem é portador de Síndrome de Asperger, poderá não se explicar bem ou ficar atrapalhado. A mãe foi só estacionar a viatura. Agradecia que fizessem a nossa inscrição que eu volto já e efectuo o pagamento. Obrigada pela compreensão. Um abraço».
Este pequeno manuscrito ia junto ao receituário. Será que a funcionária iria perceber?!.... Se ele entregasse o papel, talvez sim!... De contrário, talvez não!... Acabei por não utilizar esta opção.
Ele convenceu-me que era muito cedo!... ou porque eu não quis arriscar?!...
Lá deixamos o carro no parque e fomos a pé, com o "depósito" da mãe a acusar fraqueza. rsss
Mas fico muitas vezes nesta ambivalência de deixa ir para ver no que é que dá!... Ou continuo a abafar e a proteger!...
Será que alguém entende?!...Eu, ás vezes, não!...
Será uma questão de razão e coração desencontrados?!...

9 comentários:

BrunoV. disse...

Fui fazer as análises e depois das análises tomámos o pequeno-almoço no café e ficámos despachados antes 10 horas e tivemos de fazer mais tempo pois eu tinha outra consulta às 11 horas. Como vêem o tempo foi mais que suficiente.
A mãe queria arranjar lugar para estacionar o carro enquanto eu tirava a senha mas não foi preciso. E a minha mãe insistia dizendo que se estivesse lá muita gente demorava mais tempo mas eu duvido que demorasse muito mais tempo. As análises não doeram mas a minha mãe disse-me que as análises dela doeram e não foi a picada inicial que doeu mas sim a tirar o sangue. Possivelmente ela não acertou na veia. Ela poderia não acertar com a agulha na minha veia e aí doía.
Eu quando era pequeno e levava análises ou vacinas doia por isso sempre que vou fazer análises ou vacinas penso que vai doer mas agora a minha mãe diz que as agulhas são mais finas do que eram antigamente e por isso já dói menos.

Atena disse...

Olá Mina... Penso em mim daqui a uns anos (não tantos assim:))), e vejo que afinal esta nossa "falta de ar" me acompanhará eternamente! OK. Já vi que é melhor é habitura-me e ver se vou carregando energias para isso, porque desde que sou mãe nunca mais consegui sossegar este meu coração malvado. Depois de saber (por volta dos 2,6 anos do Vasco) que ele tinha PEA, a coisa agravou-se muiitíssimo... Agora que ele tem quase 8 anos, sinto essa dualidade que fala... muitas vezes digo-lhe que vá pedir àgua à srª. do café ou do Mc donalds, e fico de longe a ver como é que ele se saí, para ver se ele ganha mais autonomia, mas a Mina imagina como é que a coisa se passa, não é. Uma vez ficou dez minutos a tentar explicar-se a um senhor que queria àgua e o senhor não percebia nada, chamou um colega que nada percebeu, e o Vasco lá ia dizendo : "Eu quero pedir enhor, senhor eu quero pedir..." Ao longe, eu e o pai ainda nos rimos um bocadinho (deu-nos para ali) logo fomos lá e segredamos ao ouvido do Vasco, dizes: eu quero àgua se faz favor... ao que ele repetiu e os srs. lá perceberam. É importante trabalhar a autonomia deles, mas tanbém é muito complicado conseguir grandes feitos. No entanto vamos tentando amiga, sempre se conseguem alguns. Temos muito medo e ele condiciona-nos e é legítimo e +laisível que o tenhamos, vamos tentando arranjar um equilíbrio que não é fácil... Mas também o que é que temos que seja muito fácil?
Beijinhos da Cristina

Atena disse...

Olá Bruno, aqui estou eu a ler as coisas do vosso blog, que gosto muito. Pois é as mães são assim um bocado preocupadas com tudo o que diz respeito aos filhos, percebes. Se pensares bem até é bom para ti, porque é bom termos quem pense em nós e se preocupe por nós... que zêle para que nada de aborrecido nos aconteça. Eu também sou assim com o meu Vasco e acho que sereí sempre... ele às vezes não gosta, mas no fim diz-me sempre que gosta muito de mim e eu fico feliz.
Um abraço para ti da Cristina

AVOGI disse...

Exactamente o coração a não querer desapertar a razão. A razão a não querer dar lugar ao coração. Nunca mais se entendem. E ainda bem digo por mim que também ando sempre de mãos atadas a dar lugar ao coração quando as razões são por vezes mais fortes do que o coração mas teimamos em não ceder. como entendo. Bonitas palavras como sempre bem do fundo do...coração, mas... com razão.

Mina disse...

Cristina
A sua história, não terá de ser semelhante á minha, até porque cada vez á mais informação, e uma maior partilha, e espero muito honestamente contribuir, com esta nossa realidade para que outros pais consigam fazer melhor, até porque aprendemos com os nossos erros e com os dos outros.
E talvez esta minha insistência, na autonomia , seja mesmo para que outros pais comecem mais cedo a prepara-los, que quando somos pais temos esta tendência em querer super-proteger os nossos filhos e contra mim falo, não deixa-mos criarem este caminho. Claro que estes meninos especiais ficamos sempre de coração "apertadinho", mesmo eles sendo homens.
E o Bruno, não teria dificuldade em expressar-se o problema seria, alguma pergunta que ele não soubesse responder, ficaria em "modo" bloqueio, por isso o papelinho, que não deveria existir, mas seria uma forma de o proteger à distância.
Mas lá está a tal dualidade, na minha razão faria sentido ele ir sem o papel e as pessoas procurarem entende-lo, mas o meu coração dizia-me para que ele levasse algo que o identifique pra assim o entenderem.

Com um filho, dito sem problemas as preocupações também são grandes, mas conseguimos pensar que eles se vão desenrascar.
Bjocas

Mina disse...

Avogi
Esta, ligação com os filhos mantêm-se para vida,
E parte emocional, acaba sempre por levar a melhor nestas contendas.
O que vale aqueles filhos que não têm estes problemas criam a sua liberdade. Que nós pais vamos tendo dificuldade em dar, é isso que estou a tentar relativizar com ela...
Deixo aqui uma frase do Dr. Daniel Sampaio,
-« Os pais com maturidade sabem que os filhos não lhes pertencem». Com a qual eu até estou de acordo pela parte racional.
Mas que a minha parte emocional, não me permite ainda essa maturidade.
Daria uma discussão filosófica, mas agora não temos tempo kkkk
bjocas

Mina disse...

Ah! minhas amigas e fica aqui só um aparte.
Cuidado estamos a ficar com registos, até nas análises lool
-Eis, senão quando a senhora me pergunta, toma alguma coisa para o colestrol rss
-Não. (respondi)
E como é que ela sabia, que eu no ano passado e secalhar no outro tinha assim um bocadinho de "castrol".
Ah, pois estava lá registado kkk
A esta pergunta o Bruno saberia responder?!...
E ainda outra análise, que ia com código, que era e não era à "creatinina", no sangue ou na urina, urina da manhã ou urina de 24 horas, era comparticipada ou não comparticipada, existia código para ela não existia código para ela.
Lá andou a rapariga á procura, de desmanchar aquele "embrogolio".
Que eu já tinha resolvido num ápice, não se faz essa análise, coisa tão simples, que eu até acho que foi engano.
Quando for à consulta, pergunto á medica, que não me falou em nenhuma análise especial.
Bem lá andaram a pesquisar, vamos ver no que vai dar.
Aguardasse os resultados, que ainda por cima essa leva mais tempo a saber os resultados, pelo menos mais 15 dias que as outras.
As do Bruno p´ra semana já estão e ele diz que está ansioso, para saber os resultados.

Margarida disse...

MIna
Mais do que natural essa dualidade. Eu tenho-a com as inhas filhas. quero cortar o cordão...mas depois não quero!
Adorei o depoimento do Bruno: correu tudo bem e nem doeu.
O melhor deve ter sido o pequeno almoço a dois no café, não?
Bjs

Mina disse...

Margarida
Depois da fraqueza, sabe duplamente bem um pequeno almoço.
Acho que nunca conseguimos cortar o cordão umbilical, mesmo nos que não tem nenhuma patologia associada, este cordão não se pode nunca quebrar, é uma ligação eterna, foi o que senti com a minha própria mãe, são laços que normalmente enquanto filhas nem sempre valorizamos tanto, quando somos mães entendemos melhor, são também esses valores que transmito a minha filha.
E vou tentar ganhar a maturidade que diz o drº. Daniel Sampaio rsss.
bjocas