Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger.
Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida...
Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida...
Valorizando os afectos...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Casos de vida


Ontem, na TVI, passou um relato magnífico da vivência de uma família com um autista, (angústias, culpas, sentimentos controversos)...
Revi-me em algumas imagens, embora o meu filho até não fosse considerado autista, tinha alguns comportamentos daquele personagem (o isolamento, a fraca interacção social, ecolalia...). Não tinha dificuldade em falar, mas, por outro lado, parecia não ouvir. Tudo o que dizia fazia com muita perfeição e correctamente. Nunca nos passou pela cabeça que ele fosse surdo ou mudo. Aflorou-se, por volta dos 3/4 anos, a forte possibilidade autista, embora fosse sendo camuflada pela facilidade de memorizar e levasse as técnicas a esta ilusão, na qual eu fui entrando, querendo acreditar que eles/elas tinham razão. Mas coração de mãe não engana e nunca abandonei esta prespectiva do autismo, embora numa versão diferente (capaz de comunicar sempre a "saca-rolhas", como eu sempre chamei).
Sonhei que o meu filho tivesse um final como aquele jovem, conseguisse ser autónomo, tivesse emprego, conduzisse, tivesse uma namorada...ainda que limitado, tivesse vida "própria", mais independente, só que esse quadro não se realizou, foram utopias mas há algumas que eu mantenho, como a capacidade dele ainda ser útil para a sociedade.
Se não fosse pela desconcentração até poderia conduzir, alias, ele assim que fez 18 anos queria tirar a carta. No código tenho a certeza que passaria, devido às suas facilidades em termos de memorização.
As raparigas "andam cegas"...
Será possível chegar áquele nível de perfeição?!
Pelo que já vivi, acho demasiado utópico, mas haja quem continue a sonhar, (o sonho comanda a vida), e eu ainda continuo a sonhar, mas menos...

7 comentários:

PDD-NOS (Menina) disse...

Como eu gostava de ter assitido ao programa, mas não vi.
O futuro também é algo que me preocupo.
Será que a Bea irá conseguir ser autonoma? É esta a minha grande questão, e que eu sei que ainda é muito cedo para obter uma resposta.
bjs Bete

Mrs_Noris disse...

Mina, também vi o programa, revi-me em muitas passagens e emocionei-me. Emocionei-me não só porque há 4 anos atrás senti o mesmo que aquela mãe, tal e qual, mas também porque, Graças a Deus, o meu filho evoluiu, e hoje já não o revejo naquele menino actor, que até aparenta ter a idade que o meu tem actualmente. Na altura o meu filho era bastante mais novo que o menino da TV. Também achei o final um tanto exagerado atendendo ao facto de a personagem, aos 6/7 anos, ser tão marcada pelo autismo. Beijos.

Mina disse...

Bete
Descontraia, viva um passinho de cada vez, o futuro ainda está longe, e cada vez á mais informação, e tenho a certeza as crianças de hoje já terão um caminho mais livre no futuro.
Sonhar até faz bem,mas sempre com um horizonte, ajuda-nos a progredir.
Eu nunca me arrependi de ter sonhado, isso tem-me feito quer chegar mais longe...Ainda não cheguei mas vou continuar, só posso ser teimosa!...
Bjocas

Mina disse...

Noris
Felizmente eu como vivia numa ambivalência,não cheguei ao estado de desespero daquela mãe, mas sempre que pensava no "bicho papão" autismo, reconfortava-me com a possibilidade de ser sob-dotado, até porque na altura o autismo era algo muito assustador, e pouco divulgado, agora já está mais que provado que aquela minha receita de toneladas afectos, com kgs de paciência ajuda muito.
Uma vez que era ficção até teve um final feliz, mas estava á espera que tbm no final houvesse um pouco mais de aproximação a realidade, embora seja possível ,um caso de recuperação daqueles seria um milagre...
bjocas

mariamartin disse...

Amigas,
Não vi a reportagem e por isso se souberem que anda por aí na net, digam.
Eu confesso que nunca pensei que o meu filho tivesse alguma forma de autismo mas essencialmente porque para mim, até há pouco mais de um ano, autistas eram os que eu hoje sei que são os "profundos".
Agora, reconheço bem no meu os "traços" mais marcantes,o isolamento,os tiques,a indiferença perante "o outro" e a total ausência de manifestações de afecto.
Por agora,não vemos melhorias nem pioras,apenas uma certa "manutenção"...do mal o menos!
Beijos!
mariamartin

Mina disse...

Maria Martin,neste post estou-me a referir,a um episódio de ficção que foi transmitido na tvi daqueles que eles transmitem sempre aos domingos a noite tipo novela, mas que aborda sempre um tema especifico nesta semana foi o autismo.
A reportagem já nós tinhamos visto, foi transmitida tbm no sabado esses sim casos reais.
bjocas

Anónimo disse...

bom comeco