Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger.
Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida...
Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida...
Valorizando os afectos...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Apresentação/2

Como referi no inicío do blogue, quando fiz a apresentação formal do Bruno, não tinha ainda decidido em que termos seria a minha participação.
Como já deu para perceber a mãe acabou por se envolver mais nesta partilha, do que aquilo que inicialmente previa.
Fui-me deixando envolver nesta troca de mensagens, que acabam por nos familiarizar.
Eu ,que pretendia, ficar no papel vigilante e atenta ao discurso menos programado, muito limitado e baralhado deste meu filho, mas que é ,completamente transparente. Qual diamante lapidado!...
Estou completamente enraízada, nesta divulgação séria e muito real, do que é viver uma vida com este homem que me transformou, e sem querer ser hipócrita mudou para melhor, faz-me estar atenta ao essencial e verdadeiro.
Como também já perceberam ,não tenho o dom da escrita, mas penso que tenho alguma capacidade de comunicar. Há até quem diga, que sou "Gralha", mas também gosto muito de escutar...
E como há muitos anos atrás senti necessidade de ler, ouvir, sentir estas palavras.
"Que não estava só!"
Que o meu filho não era o único a viver a vida de forma diferente, com o seu mundo muito próprio, que havia outros pais que tinham os mesmos anseios e dificuldades, que eu.
Entrei neste projecto lentamente de alma e coração, desprovida até da minha própria censura.
Até como eu já referi em alguns blogues, em tempos escrevi o meu próprio testemunho,julgando que com ele poderia fazer companhia a alguém, ajudar alguém a sentir que afinal há outros por perto, que sentem, amam, e sofrem da mesma forma, como até a data não houve possibilidades de o publicar, vai ficar retido na minha gaveta a aguardar oportunidade...Fi-lo pensando no que recebi da escrita partilhada de uma outra mãe que me fez companhia atráves de um livro, foi a única pessoa que me acompanhou e até ajudou, com o seu testemunho.
Ela não sabe quem eu sou, nem eu sei quem ela é, somos mães de homens especiais, agradeço á autora desse livro " Jane Taylor McDonnell", e ao filho "Paul McDonnell" que viveram na minha cabeçeira no ano de 1995 com eles aprendi imenso, fizeram-me acreditar, e não desitir, deram-me até as certezas de que as minhas dúvidas não eram infundadas, quando todos diziam que o meu filho não tinha comportamentos "autistas", e que os pais é que queriam arranjar um rótulo, ensinaram-me ainda o mais importante a partilhar...
Penso que esta é também uma forma de testemunhar na primeira pessoa, tudo aquilo que aqui escrevo faz parte da nossa realidade, mesmo que possa parecer absurda em algumas situações, e espero sinceramente ,que não seja ridicularizado por comportamentos e atitudes próprias da sua condição de SA, não é defeito nem feitio, é particular, ou peculiar como o queriam apelidar.
Sobre mim, basta ler o perfil, acima de tudo mãe.
Sobre esta minha experiência de vida costumo dizer, que é um turbilhão de sensações, emoções, frustrações, eu sei lá, é um vazio tão cheio.
Conto com o vosso carinho, respeito, que eu farei o mesmo...


Nota-Este blogue não é formativo ou informativo é apenas o retrato real de uma familía que vive e convive com SA.
Esporadicamente colocarei algumas informações técnicas que tenho vindo a recolher nos últimos anos.

6 comentários:

Mina disse...

Já todo mundo sabe, mas mais, uma vez tenho de agradecer à minha sócia e cumplíce, pela paciência e dedicação de ensinar uma aluna "tão" info-excluída, a quem tem de se fazer todos os esquemas.
E que de vez enquando os perde lool.
E também pelo apoio e força que deu para que este blog fosse, criado.
Atenção menina isto não é uma troca de mimos, que com um ocêano imenso a separar-nos, sem nunca ter-mos tido, a presença física, temos conseguido manter uma amizade, que ultrapassa o virtual.
Se me dissessem isto há 2 anos atrás eu iria achar que era irreal, mas até aí me consegui surpreender,pronto que mais posso eu dizer...
Obrigada Noris

Pronto!... ás outras amiguinhas não fiquem tristes, mas tenho de ser justa, vocês também já são desta grande familía e tem todas lugar aqui neste nosso cantinho e no meu coração.
Bjocas Para todos/as

Mrs_Noris disse...

Mina,
Oh Mina, que amor...
Porque será que me “confesso” mais a si, minha amiga mais que virtual, do que àqueles com quem convivo há anos? :)
Porque será que eu já conto consigo? Esta nossa interacção tem sido um fortificante para mim. Obrigada por tudo.
Um beijo enorme.

Lili_B disse...

Mina,
Que bom que enveredou por ter um blog e aprender mesmo com ajudas como o gerir.

O importante é partilhar, divulgar, informar tudo sobre exemplo de vida para que todos os que envolvidos ou não neste tema pessoalmente, possam tirar ilações , sentimentos que sendo diferentes são comuns entre si.

Todos se sentem algo desamparados.
Todos ou quase...

Parabéns à Noris também pelo apoio de amiga e da forma que do lado do Oceano aí vai chegando.

Beijinhos e força.

Mina disse...

Amiga Lili

Eu acho que a criação e manutenção de um blog, é uma coisa muito séria que envolve pessoas, sentimentos e respeito mutúo.
Daí eu estar sempre muito renitente eu entrar nesta "aventura", ainda para mais não dominando estas técnicas, que continuam a ser muito impessoais do meu ponto de vista, eu ainda gosto do escrever á mão, sentir a caneta e o cheiro do papel,o que ainda faço na maioria das vezes. Podem me chamar antiga eu não me importo , mas é assim que eu sou.
Além do mais eu já estava partilhando, com este mundo virtual a minha experiência em muitos outros blogues onde se aborde o tema, seria para mim muito mais confortável mantêr essa posição.
Penso que também sabem que o principal, impulsionador deste projecto foi sem dúvida nenhuma o Bruno V., porque que ele assim o quiz, e como também referi no inicío não sabia qual a continuiedade que ele lhe iria dar, e como alguns saberão uns dias podem responder outros não, terão sempre dificuldade em faze-lo, e por isso é que eu assumi esta função.
Para que todos se sintam acompanhados, e que todos terão uma resposta nem que seja um obrigado, ou um olá.
Bjocas

Estrumpfina disse...

O seu testemunho é valioso para todos nós, pais de meninos Aspergers ou autistas.

A meu ver, a partilha faz-nos ficar mais fortes. As mensagens de carinho de quem não conhecemos podem parecer não ser nada mas por vezes são mesmo aquilo que estávamos a precisar.

As mensagens do Bruno são também mensagens de esperança para quem até agora pouco mais do que o silêncio tem como resposta.

Um grande beijo,
Andreia

Mina disse...

Andreia
Sempre foi meu desejo, puder de alguma forma contribuir com a minha experiência, que só é maior porque já vivi mais anos, e tenho aprendido com a vida que é importante dividir, no entanto o receio de alguma exposição, ou interpretação menos própria.
Levou-me a estar neste papel de divulgação embora mais passivo,também penso que era uma forma de mostrar a realidade( em comentários que tenho feito em outros blogues).
Só o Bruno para fazer com que eu enveredasse por caminhos virtuais, mas muito honestos, e que me impôe alguma responsabilidade, que tenho receio de não puder cumprir.
Daí, eu já o ter feito numa publicação, que não chegou a ser editada, era muito mais confortável para mim, e secalhar mais útil para todos, no entanto ninguém se mostrou interessado, não que eu tivesse algum interesse pessoal, muito menos financeiro, que alías todos os direitos autor eram cedidos.
Até porque o meu filho não é moeda de troca, e nem sequer haveria valor que fosse suficiente para nos "despir-mos".
Mas sem mágoas fica em stand bye, e até mais reservado...
Assim desta forma simples mas realista, espero conseguir passar a mensagem de que nem tudo é rosa, mas também nem tudo é cinzento, e temos que saber aproveitar a vida com o que Deus nos deu, estes filhos maravilhosos e completamente puros.
E espero que levem esta experiência apenas como tal, que pode ou não cruzar-se ,com alguma maneira de estar dos vossos filhos.
Sem criar expectativas exageradas, mas também não desmorenar, só com um dia de cada vez se consegue lá chegar.
Bjocas