Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger.
Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida...
Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida...
Valorizando os afectos...

terça-feira, 27 de julho de 2010

Sonhar faz sentido!...(3)

A síndrome possui diversos graus, cada caso é um caso. Existem pessoas afectadas de forma ligeira, noutras é mais grave. Para as primeiras, o diagnóstico pode nunca chegar. “Existem por volta de 30 mil casos de Síndrome de Asperger em Portugal”, diz Piedade Monteiro. “Existirá ainda mais que não foram diagnosticados”, acrescenta. “No caso do Bruno é um grau muito elevado. Pode ser o grau mais elevado na Síndrome e o grau menor no autismo”, esclarece Mina.
Lidar com a Síndrome de Asperger pode ser uma montanha russa. Como a 9ª sinfonia de Beethoven. As notas irrompem, rasgando o ar com violência. Depois baixam como uma carícia. Gato assustado que se esgueira.

Na creche já diziam que ele era diferente” conta Rossana. “Mas diziam que era por ser mimado”. Reparo que uma rapariga nos observa de soslaio.
Bruno, por sua vez, não tem falta de diagnósticos: “ele foi pela primeira vez ao psicólogo tinha 4 anos”, diz a mãe. “Teve um diagnóstico de sobredotado. Mesmo antes de entrar para a 1ª classe já sabia os números todos e o alfabeto”. Bruno interrompe de tempos a tempos para falar do mundial e fazer previsões dos jogos. “Depois foi a um departamento onde disseram que ele tinha um problema do foro emocional”, continua. “Depois disseram que ele era border line”. Pergunto-lhe o que significa. “Estar entre a fronteira entre a normalidade e a “anormalidade”. Sorrimos ambas. O que é ser “anormal”? Na mesa do lado a conversa eleva-se seguindo o rumo do jogo….
“Os psicólogos ainda não têm noção da Síndrome”, diz Piedade Monteiro. “Conhecem a palavra e as características do autismo. Mas para além do autismo típico pouco sabem. Não analisam o espectro”

Continuação do trabalho da Sara, que também tem um blog que podem visitar e para lhe dar estimulo para não parar em :http://acreditarparamelhor.blogs.sapo.pt/

6 comentários:

Anónimo disse...

Uma observação:

>“Existem por volta de 30 mil casos de Síndrome de Asperger em Portugal”, diz Piedade Monteiro. “Existirá ainda mais que não foram diagnosticados”

Não quero por em questão o que Piedade Monteiro diz, mas quase todas as estimativas que tenho visto sobre a prevalencia da SA andam entre os 0,2% e os 0,4%. Ora, para um país com 10 milhões de habitantes, se há 30 mil diagnosticados, quer dizer que já não haverá muitos por diagnosticar.

A menos que os 30 mil se refiram a diagnosticados e por diagnosticar (para falar a verdade, acho difícil de acreditar que haja 30 mil diagnosticados com SA, até porque duvido que entre os aspergers com mais de 30 anos haja mais que uma mão cheia diagnosticados), mas pela conversa dá a ideia que os 30 mil são os diagnosticados.

Sara disse...

Boa noite,

Obrigado pelo seu reparo

Nas pesquisas que fiz para esta reportagem e para outro trabalho não encontrei informação relativa aos números propriamente ditos. Sei que o número de portadores da Síndrome varia entre os 30 a 40 mil, conforme se pode ler no site da APSA: “Calcula-se que em Portugal existam cerca de 40.000 portadores de Síndrome de Asperger afectando maioritariamente os rapazes”. Noutros sítios refere-se que “a Síndrome de Asperger afecta quatro em cada mil crianças”. Não sou especialista em Síndrome de Asperger, não estou por dentro da questão dos números. Reproduzi o que foi dito por Piedade Monteiro, daí a citação estar entre aspas.

Cumprimentos

Sara P.

Mina disse...

Anónimo
As estatísticas são sempre discutíveis, e para mim pessoalmente não são significativas nem as valorizo...
Apenas no sentido que se vai falando mais na síndrome e ainda mais nas suas caracteristicas e o que podem condicionar a vida do individuo, e eu que não sou especialista no assunto consideraria apenas os casos em que esteja comprometido essencialmente a autonomia ainda que em alguns casos parcial...

Será um número 30 mil diagnosticados (exagerado), mas se viermos a considerar que a genetica tem um papel importante nesta síndrome já se incluiram os progenitores que estarão muitos deles acima dos 30 anos...
Um abraço

Mina disse...

Sara
O mais importante no teu trabalho, não é parte da numérica, mas o seu todo, e as estatisticas não são nem da tua nem da minha responsabilidade...
E julgo serem apenas estatisticas e não números confirmados na sua totalidade...
bjocas

Fê-blue bird disse...

Este é um trabalho feito por alguém que acredita e gosta do que faz.
Sente-se pelas suas palavras, pela emoção que elas transmitem.
Também fala de números obviamente, mas acho que o aspecto humano é o mais salientado, o que para mim é o mais importante.
Parabéns uma vez mais e quando vier de férias, terei muito gosto em visitar o blogue com a atenção que ele merece.

Um beijinho a todos

Mina disse...

Fê amiga
Muito boas férias...
Cuidado com o sol xD...
Irei continuar ainda a colocar o trabalho da Sara que merece ser lido na integra, não só como divulgação mas também com o mérito do esforço dela, embora esta seja uma forma muito modesta de o fazer, deveria ter outro enquadramento, perdesse tanto tempo na comunicação social a transmitir notícias com muito menos interesse do que esta poderia ter, pode ser que quando ela vier a ser jornalista e se tiver oportunidade disso nos ajude a mostrar esta face da Síndrome Asperger...
bjocas