Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger.
Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida...
Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida...
Valorizando os afectos...

quarta-feira, 10 de abril de 2013

"Dores sem nome"

O que vou escrever pode parecer chocante, e talvez seja.

Há pouco tempo, houve um homicídio seguido de suicídio, estas coisas acontecem, e não é só em casos, onde está presente o autismo.

Mesmo em famílias estruturadas e com relações sólidas...

O futuro destes adultos é demasiado preocupante, para ficar-mos impávidos e serenos à espera do milagre.

A sociedade os políticos e as politicas continuam a ignorar estas perturbações, que são de uma enorme complexidade e que senão estiverem informados e souberem lidar com esta população.

Os Portadores de PEA, vão sentir-se perdidos, porque ninguém os vai entender senão estiverem preparados para isso.

E porquê!? que todos anos se promove a Conscencialização para o Autismo , é para chamar a atenção, da sociedade que não quer ver, nem quer saber destas pessoas tornando as invisíveis.

O ser um espectro, dificulta a nossa acção , à uma enorme variabilidade, mas há um fio condutor as dificuldades de comunicação, sociabilização e inter-acção, em maior ou menor grau. Não há medicação para curar ou minorar os efeitos desta perturbação, há no entanto para algumas comorbilidades que lhe possam estar associadas.

Acho que muitos pais, onde eu me incluo, sentem uma enorme angústia no amanhã, queria ter esperança, mas não consigo.

Mesmo que tente remar contra a maré, sinto o barco sempre afundar-se.

E se ele (meu filho), acha que eu não devo morrer, eu acho que ele vai ter muita dificuldade em sobreviver sem mim, e isto é uma dor imensa sentir esta amargura que habita o meu ser.

Quem o irá entender, se ele é um rapaz tão inteligente, que sabe tanta coisa e depois não sabe usar esse conhecimento. Pode saber o país mais longinquo, capital, clima e tantos outros assuntos num "disco" carregado de informação. Mas também pode, e, é comum não saber atar os ténis ou ver a sua imagem desfralda entre muitas outras coisas do quotidiano social.

É tão dificíl deixa-los num mundo impreparado, não sei mais o que fazer...

Quando a sociedade não quer saber :(

4 comentários:

Fê Blue bird disse...

Mina, estou emocionada e sabes porquê?
Sou mãe!
Compreendo e sinto as tuas preocupações, porque sei que há dias em que deixamos de lado o sonho e caímos na realidade.
Ser forte, dói todos os dias e cansa...cansa muito.
Só te posso dar a minha amizade e solidariedade.

beijinho

Mina disse...

Prima Fê

Há alturas em que esta nuvem negra, paira na minha cabeça, e não à Azul que demova.
Queria tanto acreditar que todos eram filhos, mas alguns continuam a ser rejeitados e é isso que me assusta, que me preocupa que estes individuos sem sensibilidade governem autarquias e até país.
Onde está a humanidade, a igualdade a fraternidade.
Cada dia que passa mais odeio estes politicos e as politicas de desigualdade para com os seus cidadãos.
E quando à estes dias de conscencialização e se vê que afinal ainda gozam connosco, tornando-nos invisiveis.
Beijinhos e obrigada pela amizade e o carinho

quem és, que fazes aqui? disse...


Mina, a tua preocupação é tão legítima que só posso, associar-me a ela.

Um beijo grande para vós.

Laura

Mina disse...

Laura
Obrigada, pelo apoio moral.
Há coisas que não se explicam sentem se e isto são dores sem cura :(

beijinhos