Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger.
Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida...
Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida...
Valorizando os afectos...

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

"Puxão de Orelhas"

Mãe, leva puxão de orelhas… (justo)
-Psicóloga- O quê que Bruno faz?
-Mãe- Tudo na mesma.
-Psicóloga- O Bruno, precisava de ocupação…
-Mãe-Sem dúvida, há muito tempo, onde, como!?
Conversa de circunstância, referindo se às contingências actuais, que refiro, não são de agora, ele já deve ter nascido com esta matriz de (inocupado).
-Psicóloga- O quê!? Que ele faz em casa ?
-Mãe-Vê televisão, lê, escreve, faz pesquisas no computador, vai à piscina, faz caminhadas, faz o projecto de voluntariado…
-Psicóloga- Tarefas domesticas?
-Mãe-Nada- refiro os medos, quer de objectos cortantes (facas), o medo do lume (fogão), impede as tarefas na cozinha. Podia fazer o resto, mas nada, faz-se de surdo ( acabando, por a mãe fazer tudo). Nem o quarto dele, que está caoticamente atafulhado de papel, e que quando, tento organizar-lhe, fica em “transe”, que não sabe das coisas.
-Bruno-A minha irmã, também não faz nada…
-Psicóloga- Olha, para mãe (está tudo dito). Refere: só existe a mãe, o resto apagou-se a mulher, à muito tempo desapareceu (se calhar demasiado tempo).
-Deixou-me a pensar  nesta realidade. Algo, vai ter de mudar, outras estratégias, e ensinamentos, que à muito tenho, pensado, mas ainda não fui capaz de aplicar...

6 comentários:

Maria do Céu Freire disse...

Sim, Mina nota-se que vives para a família mas que te esqueces de ti do "eu"...mas tu sabes disso e vives isso a cada momento...sabes que há a necessidade de mudar mas é muito complicado dizer e viver a palavra "eu". Sinto que o podes fazer e melhorar cada vez mais o "eles" tornando-o em "nós" onde a Mina pode, por vezes, também, ser o "centro"...

Mina disse...

Céu

Tenho, que aprender a conjugar o verbo de outra forma :)
Que realmente, também desgasta, rodeada de "aspies", que têm que se lhe dizer tudo, e fazer tudo...
E agora lá vamos dar um mergulhito.
Até logo
Beijinhos

São disse...

Acho que a psicóloga tem razão: a Mina não pode viver em exclusivo para quem quer que seja, pois também é uma pessoa com interesses e direito de os realizar.

Peço-lhe desculpa pela franqueza...

Abraço para vós

Mina disse...

São

Isto é genético, já recebi da minha mãe.
Que vivia, para os outros.

A minha preocupação, não sou (eu), é a autonomia, independência e a responsabilidade, que deveriam adquirir, e não adquirem, por terem a papinha toda feita...
Quero pensar, que quando eu não estiver, se hão de desenrascar. Se dê, um click, e, se transformem, em fadas do lar ;)

São!Não tem, de pedir desculpa, respeito , todas as opiniões ...

Beijinhos

Fê blue bird disse...

Prima, junto-me a si nestas preocupações.
O meu filho tem pavor da cozinha, o cheiro incomoda-o e não consigo dar volta a isto.
Mãe sofre ! :)

beijinho

Mina disse...

Prima Fê

É complicado.
Por acaso a psicológa, deu-me umas dicas de cozinhar no micro-ondas, tenho que procurar umas receitas, pelo menos fica de fora já o medo do lume
As facas, é que não vai lá, come com casca...
beijinhos e boa semana