Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger.
Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida...
Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida...
Valorizando os afectos...

terça-feira, 27 de junho de 2017

Situações embaraçosas


Não sei do que tenho mais medo!?
Se do pudor e puritanismo de algumas pessoas?
Se da inocência de pessoas com  Síndrome de Asperger?
O telemóvel toca ( não era suposto tocar, muito menos estar nos calções dele), enquanto toma banho , a seguir a uma aula de hidro-ginástica, ainda ensaboado.
 A única preocupação que lhe ocorre, é ir procurar a mãe que está no balneário das senhoras também  a tomar banho, não abre a porta desse balneário. mas abre a porta da sala seca, onde nos vestimos, fica à porta  à espera, que alguém pegue nos calções onde o telemóvel toca.
Não se lembra que está exposto (nu), nem que as outras pessoas estão também elas  nuas embora embrulhadas em toalhas, não repara nem lhe ocorre sequer a nudez, tal a preocupação em ver-se livre daquele ruído.
Uma senhora, que estava  nessa sala seca, que não o viu , nem ele a viu a ela, só de ouvir a senhora que ficou com calções na mão  contar  e que  me os  foi levar  ao chuveiro.
Ficou de tal forma indignada, (que até parecia que espumava).
-Tentei , tranquilizar a senhora, que ele mesmo que visse alguma coisa não era com maldade, que lhe garantia esse pressuposto, e que se fossemos a uma praia  nudista também víamos pessoas nuas, que já me viu nua em algumas situações  , que  nosso corpo não é nada de transcendente.
Não é algo que se expõe gratuitamente, não andamos nus na rua, nem casa, que foi uma situação excepcional,  pela qual peço desculpa à senhora, que não cede perante nenhum dos meus argumentos, e continua a achar um acto criminoso este despropério.
Claro que ele está informado e foi educado, sabe que não pode andar nu em locais públicos, que segundo a lei é um atentado ao pudor, punível criminalmente.
E esta é uma parte que dói ainda mais, conhecendo-o eu, ter de lhe voltar a referir esta norma, tipo chantagem, dizer-lhe que a senhora o tinha ido denunciar, provocar-lhe o medo, para que estas situações não ocorram.
Humildemente o rapaz queria ir entregar-se às autoridades, esta inocência dói muito.
Assim como a incompreensão e puritanismo destas pessoas, que ainda por cima leccionam, que medo, da formação que está a dar aos alunos.

Demasiado íntimo relatar situações, que aos olhos de alguém com Síndrome de Asperger não vê maldade, mas que mundo vê como provocações e má educação.





5 comentários:

Mina disse...

Fico preocupada, como é que pessoa que está a leccionar no ensino, pensa desta forma.
Uma coisa seria a exposição gratuita do corpo.
Outra bem diferente, é estar num local onde as pessoas se despem naturalmente, e numa situação de "emergência", saírem despidas.
Não é que seja caso, para desculpabilizar a situação, mas temos que enquadrar no contexto.
Sinceramente, não consigo perceber as atitudes deste tipo de pessoas, que nem sequer viu, nem foi vista, se sinta tão incomodada .

Jack Lins disse...

Muito triste esse tipo de atitude da tal senhora, na verdade tenho é medo desse tipo de "gente".
Muitas vezes também tenho medo da inocência dos nossos àspies, medo devido a sociedade na qual vivemos e onde é tão "fácil" enganá-los.

Mina disse...

Olá!
Jack Lins

Sem dúvida, que esse também é o meu medo enquanto mãe, a facilidade com que são manipulados, está provado que eles são vitimas fáceis, os que não verbalizam , os que verbalizam mas não distinguem facilmente a maldade.
E depois ainda levamos com este género de pessoas que vêm maldade onde ela não existe.

Beijinhos

Fernanda Maria disse...

Prima Mina, desculpe a minha ausência mas estou a fazer uma pausa nos blogues, ando muito cansada...de tudo.

As pessoas estão cada vez mais insensíveis e desligadas do que as rodeia, é muito triste terem que passar uma vez mais por estas situações, nem sei que comentar...

Um grande beijinho


Mina disse...

Prima Fê

Não precisa pedir desculpa, também tenho andado ausente.
Por muito que queiramos , não conseguimos chegar a todo lado.
É preciso umas pausas de quando em vez, os amigos sabem esperar.

Quanto ao episódio , propriamente dito, para ele supostamente aprendeu a lição, de não sair nu por motivo algum, a não ser um caso de vida ou morte.
Quanta à senhora professora, já não tenho a mesma convicção, que venha aprender alguma coisa sobre autismo.
Vamos vivendo com o temos, queria saber qual era a senhora, coisa que eu não lhe disse, nem vou dizer, que já queria deixar de ir às aulas de hidro-ginastica.
Beijinhos