Na idade adulta as respostas para as pessoas no espectro do
Autismo, são praticamente inexistentes.
Em tempo de pandemia ainda mais isolado ficou, as poucas
actividades voluntárias foram canceladas.
A forma que encontrei de o ocupar, numa tentativa quase
terapêutica foram as caminhadas que já fazia antes da pandemia mas mais em grupo.
Com todas as condicionantes impostas pela *DGS, passamos a
fazer a dois, inicialmente na nossa área geográfica, depois de muito andar
pelos mesmos caminhos o interesse já não era o mesmo.
Partimos à descoberta de novos percursos, utilizando o
comboio para chegar o ponto de partida, o que obedece a algumas pesquisas no
google e a escolha dos percursos.
Só que nem sempre o estudo é o mais indicado (riso) e acontecem imprevistos, nomeadamente
haver obras a interromper , o que provoca logo um estado de agitação e ao fazer as pesquisas alternativas, normalmente
vira para lado contrário ( já lhe disse que algum dia para ir para Lisboa,
vai dar uma volta ao Porto)
Ao fim do dia regressamos à estação do comboio e o
mais imprevisto aconteceu, ele entra no comboio, quando a mãe vai a entrar a porta que não abrira totalmente, fecha-se automaticamente, deixando um braço e
a mochila da mãe entalados.
Acho que nem um, nem outro conseguimos
raciocinar, a mãe na tentativa vã de libertar o braço, ele em pânico sem
conseguir abrir a porta.
Num laivo de sobrevivência, digo: Carrega no alarme, há-de aparecer alguém, atrapalhado lá accionou o alarme,o tempo de espera para
ambos estava a ser longo ( para aí uns 2 minutos), num comboio onde viajavam meia dúzia de pessoas, vai ver se encontras
alguém.
Pelo estado aflição em que ele se encontrava, os dois passageiros que viajavam na carruagem contigua vieram desentalar a mãe aqueles segundos ali presa, deu para pensar:
E se tivesse sido ele?
E se eventualmente o comboio avança sem a mãe ter entrado?
*- DGS- Direcção Geral de Saúde
Nota- ele achou, que a a mãe teria de escrever sobre o assunto.