Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger.
Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida...
Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida...
Valorizando os afectos...
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quinta-feira, 10 de agosto de 2023

"Mordomias"



Ser voluntário, é uma actividade de que gosta muito.
Assíduo e pontual , passou a fazer parte da rotina à cerca de dois anos que o faz, sem nunca faltar.
Estão provadas as capacidades físicas e intelectuais, a capacidade de ajudar e fazer o que lhe mandam e fazer bem.
Mas têm um senão, o tal comportamento social, que deita muito perder.
Não é falta de educação, não usar as "mordomias", é prático e directo.
Desta vez assisti ( e sei que é comum, por muito que lhe ensine as regras de etiqueta)
-Vou ali ajudar aquela (levar os sacos dos alimentos, à viatura), que ela precisa de ajuda .

 Mais uma nota de arquivo de  Agosto de 2017, já passaram 6 anos sobre esta publicação, que ficou na gaveta, mantêm-se no voluntariado, com o mesmo gosto e interesse, e também com o mesmo comportamento sem mordomias nem filtros sociais...
                                                                                                                                                                               



segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Convites


Tanto tempo à espera!
Parece uma coisa insignificante, para a maioria das pessoas .
Ser convidado para um simples almoço.
Por medo!? Por desconhecimento!?
As pessoas no espectro do autismo, raramente fazem parte das listas de convidados.
Em 34 anos conta-se pelos dedos de uma mão os convites, e sobram nos dedos.
Posso garantir que foram  apenas 3 : O primeiro no 10º. ano uma colega de seu nome Patrícia, que só o conheceu nesse ano, convidou para um almoço no  Fast-food (milagre).
Não posso precisar, se faz voluntariado à 4 ou à 5 anos, no primeiro ano foi convidado, mas tive que o trazer de volta, sem participar ( na altura escrevi os motivos , mas perderam-se esses registos).
Hoje talvez os tais 5 anos depois repetiu-se o convite, meio receosa lá o fui levar para o almoço com os outros voluntários, num espaço demasiado grande para um autista se movimentar, com menu self-service, como é que ele se irá desenrascar!?...
O meu contacto, está sempre disponível, para qualquer eventualidade, deixo-o ficar com o grupo às 12:30 e vou busca-lo quando me ligarem às 14:30, o tempo suficiente para se " empaturrar", a primeira ronda com vigilância de uma das orientadoras do projecto.
As restantes foi sozinho.
O quê, que comeste!?
-Muito. (primeiro as entradas, tudo o que tinha direito  (risos) um de cada que o rapaz não é esquisito.
Depois duas vezes os menu prato, não especificou o quê .
E ainda para terminar, duas vezes se levantou para ir às sobremesas.
Isto porque a mãe disse para não encher, muito os pratos ;)
Resumindo comeu que se fartou, não teve tempo para convívios, mas correu bem segundo as informações.
E assim vamos de festas, a ver vamos se p'ro ano o convidam ;)



sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

"Inadaptado"



Falamos de autismo, e das suas observações genuínas sem filtro.
Na sua actividade de voluntariado, detecta uma pequena falha, um saco que não encontra por estar no local errado, atrapalha-se e os comentários são logo em voz alta, preocupado que era para uma família, e estava nos individuais, obviamente com menos produtos.

Na aula de hidroginástica, já está dentro da piscina, quando entra a professora.
- Estava preocupado que não viesses, chegaste atrasada .
- Não cheguei nada, vocês é entraram mais cedo.

Ah! A mãe caladinha não diz nada, mas chegou ligeiramente atrasada ou o relógio da piscina estava adiantado .

terça-feira, 13 de junho de 2017

Porque! Ele disse...


...Tu ( a mãe) vais escrever sobre isto!
Sobre o habitual "metediço" ou "preocupado"!?
Não sei qual o melhor titulo?
Quando encontra alguém  que conhece, questiona não por onde andou, ou se está tudo bem com a pessoa!
Mas porque não têm feito as habituais rotinas, senão perde o direito aquela ajuda.
Ainda assim a pessoa dá-lhe crédito e responde que esteve ausente, mas avisou os responsáveis.
Até parece que é ele o responsável, tal a preocupação de que cesse o apoio,  aquela senhora e  a outras pessoas, que não  têm vindo por algum motivo fazer o levantamento do seu cabaz.
-Oh! Filho quantas vezes, já te disse que. não tens nada a ver com  a vida das pessoas, podem ter mudado de residência, podem estar doentes, podem já não necessitar ( o que seria óptimo)!
-Não lhe chegam as minhas justificações , contrapõem que já são muitas pessoas a não ir -( mas isso é bom (digo eu) é sinal que já não precisam desse apoio).
Extrapola para a vertente laboral, se toda a gente deixar de ir aos supermercados, estes fecham e as pessoas ficam sem emprego - ( pode acontecer em alguns casos, quando à muita oferta, alguns  podem não subsistirem, não haver mercado para todos, (digo eu).
O rapaz , até têm alguma razão, nestes pensamentos e nestas observações , o modo de as transmitir ao mundo é que pode não ser entendível para todos.

Imagem: direitos de autor http://apginestalmachado.blogspot.pt/2014/12/projeto-ginestal-solidaria.html

terça-feira, 30 de agosto de 2016

" Não dá; Não dá, Não dá"


Lá vou eu bater na mesma tecla.
Devo estar a torna-me autista!?
Ninguém mais do que eu ambiciona com todas as forças a inclusão, mas a força não basta, o desejo não basta, a vontade não basta.
Têm dias que só vejo os impossíveis, para quê bater na mesma tecla, cansada das minhas repetições, cansada do meu querer, se nada resulta.
Não posso culpar os outros por falta de compreensão ou de tentativa de inclusão, se ele não facilita.
Mesmo eu que já levo anos de preparação, e muitas vezes , já antevejo o que se vai passar, falta-me a paciência  e  a capacidade de dar a volta ao assunto, apenas me apetece desistir.
Os outros não têm obrigação de  aturar  todos os comportamentos desajustados e a falta de senso, que ele diz não conseguir controlar.
Pode retrair-se por momentos, mas rápidamente volta à  "carga"*, fazer ou dizer o que se já lhe disse milhares de vezes que não é suposto , dizer ou fazer, e que se deve limitar às suas funções.
Sem saber que ele retomaria hoje uma das tarefas, o meu "feeling"* , já me dizia que se ia passar  alguma coisa, muniu de telemóvel, para qualquer eventualidade.
Chegada ao local onde o ia deixar, a Drª. dirigiu-se a mim, se tinha algum tempo para falar, lógico que tenho  todo tempo do mundo.
Lá estacionei o carro e estivemos a conversar, infelizmente nada que eu não esperasse do seu comportamento provocatório, se estiver com uma criança comportasse como ela.
Se vir uma pessoa do outro lado da rua, grita pelo nome dela (excesso de confiança, que ninguém lhe deu).
Na entrega  se for pessoas que lhe agradem mais, manda as passar à frente.
Dá informações que estão nos estatutos de atribuição, mas que não lhe compete a ele e as pessoas obviamente , não gostam.
Um sem número de comportamentos, que já o avisamos centenas de vezes, para não fazer.
Não pude tomar outra atitude, senão dizer lhe para o suspenderem, para ver se ele aprende.
Assim, não dá, não dá, os avisos não servem, as chantagens não servem.
O que fazer !? Desta vez ficou, até trabalha e faz bem as coisa.
Quando o fui buscar, voltou à parte palerma.
Oh! My god.
*-Carga- a mesma coisa
*feeling- sentimento,sensação

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

"Confidencial"


Esta palavra sigilo, não encaixa.
O voluntariado permite-lhe conhecer pessoas, e quando as encontra na rua, gosta de as "cumprimentar"
Do género: - Esta é Maria Conceição Lopes da Silva (o nome é fictício), e vai buscar o saco ( o saco são os alimentos fornecidos às familias carenciadas).
-Já te disse que não podes dizer isso, o que se passa lá, não podes transmitir cá para fora , por isso é que não tens emprego.
-Mas eu sei nome.
-Pois sabes , mas não precisas dizer o nome todo (basta dizer, olá D Maria) e nem precisas dizer que vai buscar o saco, que as pessoas visadas  podem não gostar.
E lá vamos  de novo aos exemplos, se fores ao médico  ele não pode divulgar a outras pessoas as tuas doenças, a mãe quando trabalhava também não podia dizer o que clientes compravam, fica só entre nós.
-Mas eu só disse ao pé de  ti (mim mãe).
-Mas falaste em voz alta e na via pública se estivesse mais pessoas poderiam ouvir.
-Além disso eu não disse o que levam no saco (diz ele)
Ora não dizendo o que leva no saco já não quebra o sigilo rss, fui apanhada :)

sábado, 7 de novembro de 2015

"Voluntário"


Das actividades que pratica uma delas é voluntário, muito voluntarioso na Cruz Vermelha.
Todas as 3º. feiras e ainda a 1ª sexta feira de cada mês.
Trocou outras actividades por esta de ajudar, porque gosta de sentir útil.
Vai a horas e nunca quer sair antes de terminar, colabora em tudo o que lhe pedem.
Gostam muito dele e a ajuda dele é importante, quer sempre fazer mais.
Claro que tem as suas conversas despropositadas, e o querer saber tudo, não deixa de ter a síndrome por estar ocupado, mas é uma pessoa muito válida e capaz.

Inicialmente, nem sequer o conheciam, planearam, ir só uma vez por mês, a tal sexta-feira.
O tal eterno desconhecido continua a assustar.
Como sempre orgulho-me de que o meu rapaz marque esta diferença na indiferença.

Ainda uma última nota, por muito que ele goste e trabalhe com afinco e vontade, e com certeza até o faria todos os dias com o mesmo empenho. Não é trabalho, é uma ocupação voluntária muito meritória.
Esta actividade permite lhe a inter-acção com a comunidade , sem a mãe por perto.