Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger.
Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida...
Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida...
Valorizando os afectos...
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terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Não sei como é que é com outros pais!



Quando se tem um filho, único , é costume apelida-los de egoístas, não será o caso dos meninos com autismo, que não tem essas "manhas" nem usam normalmente a chantagem para obter o que querem, mas sim a persistência e a teimosia...

O Bruno, não é filho único embora o tenha sido durante praticamente 9 anos, a distância que o separa da irmã.

Nunca manifestou ciúmes, e desde cedo a tentou cativar .

Inicialmente com sucesso, e terá sido ela uma das suas terapeutas.

Que mais facilmente o conseguiu trazer até nós.

Pedaços de nós ainda hoje um homem feito, não se importa de dividir com os outros...


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

"Fico assim sem você"

Ontem apesar do cansaço, e de nos termos levantado muito cedo  e  ainda percorrer cerca de 16 km a pé, pela manhã a acompanhar mos um jovem em cadeira de rodas que fazia o seu trilho em direcção ao Santuario de Fatima.
Faz parte do nosso ritual semanal, as caminhadas noturnas às quartas-feiras e esta semana não foi exececão.
O que não estava no programa era encontrar-mos um individuo inanimado, à porta de um prédio, todo grupo avançou, mas 3 pessoas (incluindo a mãe), voltaram para trás aquele ser humano precisaria de ajuda!? Não podiamos fingir que não vimos!
Enquanto resto do grupo já se tinha afastado, onde o Bruno estava incluido, na altura nem pensei  nele e no  facto de ter ficado para trás , ele vai sempre tão à frente e em boas companhias podia nem dar pela minha ausência (mas o certo é que grupo deu por falta dos 3 forasteiros).
O que acabou por  chamar a atenção do Bruno, durante metade do percurso não nos vimos, mas sabia que ele estava bem um dos caminheiros ligou-me , estava entre amigos e já caminhou outras vezes sem mim, ( mas com conhecimento prévio)  sei que todos estão de olho nele.
Quando me reencontrou no  ponto de chegada, foi como se não visse à uma infinidade de tempo.
Já esperava a celebre questão, do:O quê que aconteceu!?
-Lá lhe expliquei,que não devemos ficar alheios aos outros. ( perceber , percebeu)
Ainda assim, inquiriu, porque que tinha que ser a mãe a ficar a ver o que se passava com aquela pessoa.
Já de regresso a casa no carro, toca esta música.
E nem de propósito, ele diz que é dedicada  à mim (mãe), e tem realmente tudo a ver, não existimos longe um do outro ...
 A musica que ele me dedicou aqui

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

"Doçuras"


Depois daquele primeiro impacto, e resistência à arrumação!!!
De perder um pouco o "Norte", ao papel, e começar aos gritos, onde é que está isto, onde é que está aquilo!'...
O "Pronto socorro" (mãe), vai lá e dá também assim uns berros, está ali, está a acolá!!!
Para acalmar, os ânimos, vem o Amo-te mãe, gosto muito de ti, fica aqui!!!!(beijinhos)
Desta vez até queria que a mãe dormisse com ele:-)
-A que propósito filho!?.. Tu já és um homem!!!
-Tenho saudades de quando dormia contigo!!!
-Ainda te lembras, de quando dormias com a mãe?!
-Quando eu era pequenino e o pai , estava a trabalhar de noite!!!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Beijos!!!


Momentos doces!...
De pura ingenuidade!...
Ao jantar não colocou copo para a mãe
Digo em tom de brincadeira que é coisa que um Asperger ou autista,, não percebe muito bem...
Para a próxima não te ponho o prato.
Termina a refeição, vai a caminho da sua "toca" versus quarto, passa no hall, vê uma foto da mãe.
Reflete e volta a atrás com o seu ar malandreco e atrevido e vem dar um beijo à mãe e exclama tu és linda eheheheh
A falta que faz um copo, para a água?!...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Elos afectivos!...


Por muito "cru" que possa parecer, não é comum nesta síndrome a manifestação dos afectos, embora eles existam não são revelados da mesma forma!...
Numa destas manhãs quando fui levar o Bruno às actividades, pedi-lhe para ele escrever uma sms no meu telemóvel, para uma amiga que ia ser submetida a uma pequena cirurgia.
Disse-lhe o que era para transcrever, só que ao escrever enganou-se numa letra e com seu perfeccionismo tentou apagar e apagou tudo, já não quis voltar a escrever!...
Não só ele insisti,como também mãe :D
Pergunta-me o porquê da minha insistência a I*** é nossa amiga, e pode estar a precisar de nós...
Ligas-lhe quando parares o carro (diz-me ele)
Ok!... Não liguei fui:)))

Quando o vou buscar à hora de almoço ao passar próximo da casa de uma antiga monitora, diz ali mora a S*****,naquele prédio azul no nº. 8, podíamos ir visita-la :D
-Ó filho, mas a S*****, não nos convidou, não podemos ir assim à casa das pessoas...
E começa a fazer comparações com a nossa amiga I****, que não tem nada a ver a I**** dá-nos confiança para privar-mos com ela, enquanto a S***** foi uma ligação temporária.
-Para ele basta apenas uma relação ainda que profissional, para ele achar que já é amiga.

terça-feira, 4 de maio de 2010

"Levado à letra"


A mãe esteve a tratar-lhe os pés, a cortar as unhas...
Retirar umas bolhas das solas dos pés... Pôr creme.. E massajar.
No fim, em tom de brincadeira disse-lhe :
-Agora tens de pagar!...
Olha p'ra mim com aqueles olhos de espanto, como quem diz pagar como!...
-Pagar!?...(diz ele)
-Sim !...agora pagas me com 50 beijinhos...
Aproximo a cara, ele começa a contar os beijinhos rsss

sábado, 6 de março de 2010

Preconceito, nem tudo o que parece é!...


O Bruno, algumas vezes quando anda na rua quer seja com o pai ou com mãe.
Gosta de se sentir protegido, e apoiado, e independentemente de ser um ou outro progenitor, coloca o braço por cima dos nossos ombros, ou enfia o braço no nosso.
Sentindo-se assim mais seguro, (julgo eu).
O pai sente se observado, pelas pessoas circundantes, pelos olhares de soslaio.
Que pensarão?!... Que anda a "transar" com um jovem?!... Credo que mentes...
Com a mãe, fazem o mesmo.Olham , comentam em surdina...
O p´ro meu ar de preocupada," tou nem aí"...
Que pensarão?!... Uma "cota", com um "chavalo"?!...Santa ignorância...
A mim não me afecta, rigorosamente nada, podem olhar á vontade , não vou deixar nunca de o proteger de o mimar, do abraçar...
Eu até gostaria que ele fosse mais independente, e há algumas situações em que o é.
Se andar sozinho ( o que agora é raro) não tem em quem se apoiar, bem a congeminar nos seus pensamentos...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

"Menino" Mimado


Nas pessoas portadoras de Síndrome de Asperger, também os afectos estão muito condicionados, no caso do Bruno muito antes deste diagnóstico de SA durante anos um psicólogo que o acompanhou, durante 8 anos, considerava ser um problema emocional e não estava longe da realidade é também um dificuldade enorme em manifestar e até mesmo receber afectos...

Vamos, precisar de recriar de novo alguma autonomia, e começar a deixa-lo mais longe do fórum, para que ele faça algum caminho sozinho.
E também por questões logísticas, dá-me mais jeito, deixa-lo ali e ele subir aquela ruela estreita.
Enquanto eu teria de fazer o dobro do percurso, para deixa-lo à porta.
Mas fico sempre assim com o coração "apertadinho"
Então, combinamos um código, logo que ele lá chegasse ligava-me para o telemóvel.
Mas que eu não iria atender, para dar só um toque.
Vai andando dá meia dúzia de passos. (volta atrás)
-Ah! Tu não vais atender!...
- Não filho. Não vale a pena basta só um toque.
- Mas queres que a mãe atenda?.. Se queres a mãe atende!...
Nem responde e volta a retomar o caminho.
Retiro o telemóvel e ponho no banco ao lado.
E fico parada dentro da viatura a aguardar que ele avance.
Mas ele volta de novo para atrás.
Para me dizer:- Mãe, gosto muito de ti.(baba)
- Eu também gosto muito de ti. Vá!... Vai lá filho!... (a esta hora da manhã não se pode dar muita "lamechice") rsss
Vai ficando à esquina, com aquele ar embebecido a olhar para mim.
Tive de me vir embora, como quem solta uma cria para a libertar.
Ainda tentei acompanha-lo pelos retrovisores do carro. (mas não deu)
Lá venho eu convencida, que assim que ele chegasse me ligaria.
Nada!... Não ligou. Assim que paro o carro, ligo-lhe eu.
-Então, filho não ligaste?!...
-Não, não liguei (responde-me ele)
Vá lá a gente entender isto!?... rsss

"Isto não quer dizer que as crianças com SA sejam incapazes de afeição, muito pelo contrário, podem até ser muito carinhosas, por vezes até demasiado, dando beijos e abraços a pessoas estranhas como se fossem próximas".
"No que toca a manifestações físicas de afecto, são oito ou oitenta".
"Fico sempre um pouco desconfiado quando os pais me dizem que uma criança com SA adora ser abraçada". "Pode ser o caso mas quantas vezes é a criança a tomar a iniciativa?"
"Esta dificuldade têm a ver com as trocas emocionais, isto é com a empatia"
"Muitas vezes a resposta chega ao retardador"
Estas últimas frases foram retiradas do livro "Mal entendidos" de Dr Nuno Lobo Antunes

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Despedida Amiga

Como sempre referi, no blog e em sede própria, nunca achei em tempo algum que o CAO, fosse a resposta adequada ás capacidades e condições do meu filho.
Não têm a ver com o funcionamento da instituição que funciona em moldes regulares, muito menos com a "massa" humana que são a força motriz de qualquer instituição...
E alguns manifestaram de alguma, forma o apego que tinham pelo Bruno o que muito me enterneceu ( principalmente a parte feminina) sentimentos de mulheres, sempre mais activos...
E apesar de o Bruno, não ser de muitos afagos e demonstrações afectivas, acho que até em alguns colegas deixará saudade, em outros a sensação de alívio natural por tirarem alguém que «teria mais capacidades», note se que sem nenhum pretenciosismo da minha parte, que esta é a minha leitura, o que não quer dizer que seja a correcta, mas é a minha.
Eu própria que sempre, fui um pouco renitente nesta passagem, reconheço que fiquei a encarar a diferença de uma outra forma, não ainda da forma "ligeira" de quem lida diariamente com todas aquelas patologias...
Alguns daqueles "meninos" e desculpem o alguns, porque não gostamos de todos de igual maneira ficaram no meu coração seria hipocrisia dizer que são todos... Reconheço que o meu rapaz têm algumas limitações e que não são compatíveis com um mercado de trabalho aberto, mas que têm capacidades e condições para funcionar em sistema protegido. Espero que esta etapa seja mais um passo, para alcançar o tal emprego ou actividade protegida.
E ainda agora está a começar que não seja uma paragem, mas sim um recomeço, para uma vida activa e produtiva.
Será pedir muito!?...

Nota-têm de se pôr o som alto, que a gravação está assim mal feita rsss, foi a última participação em Cao