Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger.
Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida...
Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida...
Valorizando os afectos...
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segunda-feira, 8 de abril de 2019

De volta à ilha da Madeira



Para quem têm filhos, no espectro do Autismo, reconhecerá  que não são fáceis as alterações de rotina e de ambientes.
Nós por cá, fazemos os planos de férias com muita antecedência.
Tudo é orientado ao pormenor, a marcação dos dias, a maior dificuldade  reside nas dormidas a escolha desse local têm de ter algumas variáveis importantes a maior delas a privacidade.
Desta vez corremos um risco calculado ( meio a apalpar terreno) não podíamos despender muito dinheiro na estadia, com conhecimento do Bruno e escolha inicial dele, resolvemos reservar um quarto, numa casa onde também residiam os nossos anfitriões.
Fiz todo um estudo prévio, do perfil das pessoas que nos iriam receber e inspirou-me confiança.
Se tive dúvidas!? Algumas , para não dizer bastantes, ir para casa de uma família que não conhecemos com um adulto, que é bastante comunicativo e sociável , mas que efectivamente não faz de forma nada padronizada, pode fazer das respostas perguntas que ninguém entende ( como se as pessoas tivessem poder de adivinhar).
Não têm as normas de etiquetas formais, é tu cá, tu lá, como se fossem amigos de longa data.
Esta forma diferente, não o impede de gostar, e gosta de gostar, e se do outro lado tiver-mos a empatia, temos a sintonia perfeita.
Enquanto mãe gostei deste gostar de estar ,desta compreensão e inter-acção, à pessoas que têm este poder de nos tocar, foi o caso desta família que nos acolheu no seu seio familiar  com muito carinho,  do qual  trouxemos um pedacinho mais de Amor da ilha.
Grata a esta família, que nos permitiu mais uma experiência, que sem experimentar nunca iríamos calcular o resultado de uma forma diferente de viajar.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Solidariedade com os nossos amigos da Madeira


Nem parece meu mas ando sempre distraída, só quando meio mundo já sabe é que eu tomo conhecimento.
Hoje à tarde passo na casa de uma amiga para levar uns miminhos à mãe dela que está acamada. Pergunta-me ela: sabes do temporal na Madeira?!...Nada!... Olha a minha cara de espanto, nem liguei a TV esta manhã.
Vou com o Bruno fazer a nossa sessão de caminhar, ele fala-me que o temporal da Madeira vem cá para (Continente).
Chego a casa e o marido pergunta: sabes do temporal da Madeira? Lembraste do Dolce Vita? E aquela rotunda cá em baixo ao pé do Parque Santa Catarina? Nem se vê está tudo submerso!
Aquela avenida que vem do monte que tinha uma ribeira toda florida, parecem repuxos tanta é a força da água.
Bem deixa-me cá ver... Apartir das 19 h foi só ver notícias da Madeira para me actualizar.
Simplesmente devastador e irreconhecível.
Pensei nas minhas amigas Noris, Avogi, Margarida e Quicas!...Será que está tudo bem com elas?!...
Amigas um grande beijinho meu, extensível a todo o povo Madeirense nesta hora de aflição...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Viagem à Madeira



Aqui, ficam mais uma vez os registos fotográficos da ilha, numa escolha difícil, onde o verde abunda e nas rochas nasce água que brota pelas encostas, acompanhem com a escolha musical do Bruno, que ele associou à beleza da ilha...
Mãe Mina

Na sexta-feira encontrámonos com a Noris e o M. no Fórum Madeira.
E depois fomos ao Centro da Cidade do Funchal e mostrei o jardim onde fizeram o discurso daquilo que gostaram, o restaurante onde jantavam e o Centro Comercial Dolce Vita.
No sábado mostrei a Pousada da Juventude onde dormi e fomos de autocarro até ao Monte onde vimos uma multidão a andar nos famosos carrinhos de cesto do Monte e depois regressámos ao Funchal de teleférico.
No domingo demos umas voltas pela cidade de autocarro fomos à Praia Formosa e ao Pico de Barcelos.
Na segunda-feira alugámos um carro e vimos o Cabo Girão. Fomos à praia da Calheta não tivemos tempo para tomar banho porque o parque de estacionamento é a pagar. Depois fomos ao Miradouro da Ponta do Pargo. Depois de passarmos a ponta do Pargo o tempo mudou e fez nevoeiro e choveu um pouco e não deu para tomarmos banho nas piscinas naturais de Porto Moniz depois subimos o Paúl da Serra e disseram-me que era o único local plano que há lá na Madeira e era para ser lá o aeroporto da Madeira. E disseram-me que o aeroporto da Madeira não foi construido no Paúl da Serra por causa do nevoeiro. E foi por causa do nevoeiro que não se conseguiu ver nada no Paúl da Serra a não ser as vacas junto à estrada. Voltámos ao pé de Porto Moniz onde vimos o véu da Noiva até Santana ainda vimos mais duas cascatas. Em Santana a mãe tirou fotografias às casas tipicas da região, Depois páramos na praia em Machico que juntamente com Calheta são as duas praias na ilha da Madeira com areia. Depois regressámos ao hotel.
Na terça-feira fomos à Eira do Serrado onde se vê o Curral das Freiras que também fomos lá. Voltámos para trás e fomos até ao Pico do Areeiro, um dos pontos mais altos da ilha da Madeira. Aí é um espectáculo as nuvens andam por baixo de nós. Depois fizemos um piquenique. Depois do piquenique fomos à Camacha e à ponta do Garajau onde está lá um Cristo-Rei. Depois fomos à Ponta de São Lourenço, o ponto mais oriental da ilha da Madeira. Depois o pai pôs gasolina e devolveu o carro.
Na quarta-feira fomos de barco até Porto Santo e ficámos na praia. Estivemos na esplanada num restaurante para ser atendidos e ninguém nos servia o almoço. Nesse restaurante vimos uma mulher a fazer de estátua e quem quisesse tirar uma fotografia tinha de pagar.
Na quinta-feira as coisas correram-nos mal:
Depois do check-out no hotel.
Primeiro fui eu que me esqueci das sandes do almoço no autocarro. Eu pensava que a saída do autocarro não era naquela paragem mas sim um pouco mais à frente o que me pôs em stress. A seguir fomos andar nos carrinhos de cestos do monte tivémos de pagar 50 euros para andarmos todos.
A minha mãe depois de andar nos carrinhos de cestos no monte ficou arrependida. Porque queria apanhar autocarros do Giro no Livramento e não havia e mesmo que houvesse havia poucos e poderiamos ter de esperar mais de meia hora para apanharmos o giro. A minha mãe procurou jardins onde pudessemos fazer o piquenique. Descemos, descemos, descemos até chegarmos ao centro da cidade do Funchal já estavamos muito cansados e apanhámos o autocarro e saímos no jardim onde um senhor me tinha ameaçado matar. Comemos lá o meu pai teve de comprar sandes no Dolce Vita. Depois a minha mãe sujou as calças e eu fiquei a rir e a minhã mãe ameaçou-me com a garrafa de água. Aquele jardim para mim é o jardim das ameaças porque sempre que eu vou a esse jardim sou sempre ameaçado. Depois também o pai entornou a bebida e sujou-se .. E a minha mãe também me viu sujo na paragem do autocarro para o hotel. Só faltava a minha irmã também estar suja para nos termos sujado todos. Depois fomos para o hotel à espera que alguém nos levasse para o aeroporto. Para casa o avião não tinha videos como quando fomos para lá.
O meu pai só queria andar de avião para experimentar e não gostou porque tem de se estar no aeroporto duas horas antes da partida para se fazer o check-in e o meu pai achou aquilo uma seca porque depois do check-in tem de se esperar para entrar no avião. E também porque depois de se sair do avião tem de se esperar muito tempo pela bagagem.
O tio V. Levou-nos até ao aeroporto e buscou-nos.
Deixámos o nosso carro na casa dele e foi ele que nos levou ao aeroporto.
No dia da chegada ainda estivémos na casa do tio V.
Chegámos a casa à meia-noite.
Fim da viagem.

Bruno V.

domingo, 13 de setembro de 2009

Levamos os beijinhos até à ilha da Madeira


O encantamento do Bruno, pela ilha convenceu a família a querer conhecer...
Fomos mais longe e cruzamos o oceano por um dia, até a ilha de Porto Santo.

Encontramos paisagens magníficas, na ilha da Madeira, ,num sobe e desce montanhas, num clima a ameno o dia inteiro sem grandes oscilações de temperatura, mesmo nos locais onde choveu, só o vento refrescava...
Em Porto Santo limitamo nos à praia, de água quente e areia fina.

Mas mais nenhum de nós ficou tão apaixonado pela ilha, contrariamente ao que poderia parecer, preferimos a tranquilidade da nossa zona Oeste ao reboliço do turismo multilingue na ilha... Não, que já não o soubessemos ,mas confirmamos...

E, se férias é sinónimo de descanso, mentiria se disse que foi o caso...

O estar fora do nosso espaço, interfere com a nossa estabilidade interior, de querer ir a todo lado, e ter de "controlar" o Bruno 24 horas por dia os movimentos e posturas do Bruno, cansa, porque não é a mesma coisa ele estar em casa a fazer todos os ruídos e movimentos estereotipados que são inerentes à sua condição de portador de síndrome de Asperger, que também nos incomodam e cansam em casa, mas ganham uma dimensão maior fora do nosso "canto".

O pai então veio exausto, porque preza muito a sua privacidade, e estar na "mira" de outros olhares deixa-o incomodado.
Ainda para mais partilhou o quarto com o filho, que naturalmente tem dificuldade em adormecer em outras "tocas", que não a sua...

A mãe, partilhou o quarto com a filha, num trec-trec... constante de sms que me ia dando um "treque", este vai e vem de sms o dia inteiro sem parar, nem para almoçar, para a atravessar a estrada nem tem preocupação de olhar, à noite então é de enlouquecer...

O Bruno foi o nosso guia, que se regulava pelos caminhos que já tinha passado anteriormente, e quando havia alguma alteração de percurso não assinalado, ficava irritado, por não haver placas a indicar...
Ele continua a apostar na ilha da Madeira, até queria que o pai fosse para lá trabalhar, rssss
O clima continua a ser a sua principal influência na escolha.
Despediu-se dos túneis, como de alguém importante se tratatasse, rsss.
Ah!.. E confirmou que são mais de 100 túneis, que rondarão os 140, segundo informação dada pelo guia que nos conduziu ao hotel.
Isto porque o Bruno começou a fazer a contagem entre o aeroporto e o hotel , já ia em 15 loool

Estamos de volta mais cansados ,do que fomos... Será normal?!...

Nota- Os beijinhos foram entregues pessoalmente à Noris e ao M., e são extensíveis a todos os leitores do blog, mas só eles os poderão comer rssss

quarta-feira, 10 de junho de 2009

De regresso



Super-contente, com a felicidade estampada no rosto...
Nem sei onde encontrou tantos adjectivos e adequados aos sentimentos...
Estou deslumbrado, encantado, fascinado com aquela ilha maravilhosa, adorei a oportunidade que me deram – são algumas das muitas frases dele.
Regressou com uma vontade enorme de "despejar" a beleza da ilha para cima de nós.
Até parece que "cresceu", está com um discurso muito mais fluente e com tantas coisas para contar...

A mãe também de o ver tão eufórico, tão feliz, derreteu o coração...
Mãe lamechas não pára de se emocionar...
Fiquei tão feliz de o ver assim, que nunca poderia ficar triste de o ver partir...
P'ro ano prometo que me vou controlar :)
Agradeço às técnicas que os acompanharam, que vinham estafadas, mas também elas felizes, com a alegria de o dever cumprido.
E a todos que de uma forma generosa permitem estes momentos de felicidade, a estes homens e mulheres, que de outra forma não desfrutariam desta magnitude.
Todos eles nos agradecem com os olhares ternos, e com a meiguice, e ficam eternamente gratos a quem os presenteia, com estes momentos mágicos.

Mais palavras para quê ficam aqui as imagens da tal ilha maravilhosa
Num slide show feito pelo Bruno,que foi dificil seleccionar, tentamos deixar um
pouquinho de toda a ilha