sexta-feira, 27 de novembro de 2015
"Atentados"
Já tenho escutado, várias explicações sobre os atentados de Paris.
Como se explica às crianças, com flores e com amor,
Mas como é que se explicam estes factos a um autista.
E que não vai acontecer na terra dele .
Não consigo explicar a não ser com :- "nós somos pequenos", estamos no cantinho ninguém dá por nós.
Relacionam muito os locais onde acontecem os atentados.
Ao entrar na aula de música é primeira coisa de que fala, como se pudesse acontecer ali.
Deixo aqui a minha sentida homenagem às vitimas e aos familiares deste atentado de 13-11-2015 e todos atentados perpertados por este mundo fora, e que não à como não ficar-mos chocados com o terrorismo.
terça-feira, 17 de novembro de 2015
" Sigilo"
A euforia e a vontade de mostrar que conhece as pessoas...
Leva-o a um comportamento social verdadeiro, mas desajustado da realidade, aquela falta de filtro.
Na loja onde habitualmente compramos a fruta e os legumes, entra uma senhora com 3 crianças pequenas.
Em vez da cordialidade do cumprimento, diz o nome completo da senhora .
-Têm boa memória (diz ela)
-Amanhã não te esqueças de ir levantar o saco (responde-lhe ele)
Conhece a senhora de ir buscar o saco dos alimentos , onde faz voluntariado.
Claro que ele não faz por mal nem com a intenção substimar .
Mas não deixa de ser desagradável , para quem necessita desta ajuda, que não precisa que os outros saibam. e sabe Deus quantos precisam.
"Encolho-me" um bocado para não dar continuiedade à repetição do vais levantar o saco.
Já fora da loja, chamo-o , atenção, para que não deve dizer em público, o que vê e faz em particular, que existe o sigilo profissional, e dou-lhe exemplos dos medicos, que não podem transmitir a outras pessoas o que o paciente lhes diz.
Responde-me mas eu não tenho jeito para médico.
Lá lhe dei outros exemplos, mas esta coisa do sigilo é muito complicado, não têm noção.
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
Liberdade "Condicionada"
Ao longo destes dias referi, algumas das actividades em que participa.
Uma delas é ,as caminhadas organizadas.
Este fim de semana com o grupo habitual dos caminheiros, mais de 50, rumamos ao Alto Alentejo, uma zona de extraordinária beleza, caminhar e fotografar é um dos grupos a que pertencemos e também aos caminheiros do litoral ...
É sempre um são convivio estas caminhadas apesar das horas impróprias que temos de nos levantar.
Sendo também este convivio uma forma de inter-accão e já todos o conhecem, o que me deixa mais tranquila.
Quem o viu à uns anos atrás que não largava as "saias da mãe", agora é vê-lo autónomo a caminhar junto com os outros,
Gosta sempre de ir no pelotão da frente , e mãe já não têm ritmo para ele.
Confio nos companheiros caminheiros, que não deixem ficar sózinho, pode atrapalhar se, e tem muito medo de se perder, e neste caso em locais distantes que não conhecemos o trajecto previamente também a mim me assusta.
Tento o mais possível não o perder de vista, mas desta vez alguma confusão, fez com que não soubesse se ele estava para frente ou para trás, ainda por cima num castelo com ruelas, facilmente poderia perder-se.
Não estava disposta a continuar sem o localizar.
Precavendo-me para alguma eventualidade, coloquei-lhe o telemóvel na mochila.
Ligo e ele não atende ( tem de tirar a mochila não dá tempo).
Á segunda tentativa, lá me atende.
Pergunto lhe onde está !?
-Diz que está descer no empredado do castelo. (nesse caso estaria para trás), e assim ficaria à espera, na porta do castelo.
Como não se sabe muito bem explicar-me, pergunto lhe , se está com alguém perto, para ele passar o telemóvel e eu tentar perceber a localização .
Lá falei com uma das companheiras da caminhada, que o tinha convidado a ir com ela.
Ainda assim nestas encruzilhadas, fico assustada.
Etiquetas:
autismo,
caminhadas organizadas,
foto pessoal,
inter-acção,
medos
sábado, 7 de novembro de 2015
"Voluntário"
Das actividades que pratica uma delas é voluntário, muito voluntarioso na Cruz Vermelha.
Todas as 3º. feiras e ainda a 1ª sexta feira de cada mês.
Trocou outras actividades por esta de ajudar, porque gosta de sentir útil.
Vai a horas e nunca quer sair antes de terminar, colabora em tudo o que lhe pedem.
Gostam muito dele e a ajuda dele é importante, quer sempre fazer mais.
Claro que tem as suas conversas despropositadas, e o querer saber tudo, não deixa de ter a síndrome por estar ocupado, mas é uma pessoa muito válida e capaz.
Inicialmente, nem sequer o conheciam, planearam, ir só uma vez por mês, a tal sexta-feira.
O tal eterno desconhecido continua a assustar.
Como sempre orgulho-me de que o meu rapaz marque esta diferença na indiferença.
Ainda uma última nota, por muito que ele goste e trabalhe com afinco e vontade, e com certeza até o faria todos os dias com o mesmo empenho. Não é trabalho, é uma ocupação voluntária muito meritória.
Esta actividade permite lhe a inter-acção com a comunidade , sem a mãe por perto.
Etiquetas:
autismo,
inter-acção,
solidariedade,
vivencias,
voluntariado
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
"Trocar as voltas"
Quem troca as voltas a quem !?
Vamos lá ver se consigo explicar.
É muito importante que haja uma calendarização de tarefas ou actividades lúdicas para estes individuos se poderem organizar
No caso de um adulto, estes programas não existem ( pelo menos na nossa localidade e a bem dizer praticamente em todo país).
Assim sendo, arranjei maneira de procurar , algumas actividades para que o meu filho não fique parasitário em casa, podem não ser as melhores, mas as que consegui, para além do projecto voluntariado "Asperger às Claras", que terminou ao fim de cinco anos, não fechando no entanto as portas aos amigos.
À 2º.feira hidroginastica, 3ª- feira Voluntariado na Cruz vermelha, 4ª. feira Ginasio e caminhada noturna , 5ª feira Música (piano), 6ª feira Piscina (hora livre), Domingo Caminhadas em grupo...
São pequenas ocupações curtos espaços de tempo, mas que obrigam a sair todos os dias.
Se bem repararam, o Sábado não consta ( só se eventualmente houver alguma coisa interessante)
-E Sábado, vamos a algum lado!? (pergunta ele) e responde também: Espero bem que não.
- Sábado não vamos a lado nenhum é para descansar.
-Mas eu queria, era que me ocupam-se as 2ª. feiras, que é o tubarão dos encerramentos (diz ele).
Vá lá a gente entender estas dicotomias ;)
Etiquetas:
actividades,
autismo,
fixação,
foto pessoal,
rotinas,
vivencias
terça-feira, 3 de novembro de 2015
" Valha-me Deus"
Entrar numa igreija, em plena homilia (dia de todos santos), pelo corredor central, em direcção ao altar.
Só para verificar, se nos bancos laterais, havia alguém conhecido!
Parece-me tudo, menos um procedimento católico.
Valha-nos Deus ao menos, que com tanto "louco", que anda para aí, ainda poderiam pensar, que ia ter com o pároco.
Tudo isto, porque gosta de ver gente conhecida, e não podia aguardar pelo final...
Vá lá a gente compreender , este lado social ;)
Só para verificar, se nos bancos laterais, havia alguém conhecido!
Parece-me tudo, menos um procedimento católico.
Valha-nos Deus ao menos, que com tanto "louco", que anda para aí, ainda poderiam pensar, que ia ter com o pároco.
Tudo isto, porque gosta de ver gente conhecida, e não podia aguardar pelo final...
Vá lá a gente compreender , este lado social ;)
Etiquetas:
autismo,
comportamento social,
Religião,
vivencias
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
"Fico assim sem você"
Ontem apesar do cansaço, e de nos termos levantado muito cedo e ainda percorrer cerca de 16 km a pé, pela manhã a acompanhar mos um jovem em cadeira de rodas que fazia o seu trilho em direcção ao Santuario de Fatima.
Faz parte do nosso ritual semanal, as caminhadas noturnas às quartas-feiras e esta semana não foi exececão.
O que não estava no programa era encontrar-mos um individuo inanimado, à porta de um prédio, todo grupo avançou, mas 3 pessoas (incluindo a mãe), voltaram para trás aquele ser humano precisaria de ajuda!? Não podiamos fingir que não vimos!
Enquanto resto do grupo já se tinha afastado, onde o Bruno estava incluido, na altura nem pensei nele e no facto de ter ficado para trás , ele vai sempre tão à frente e em boas companhias podia nem dar pela minha ausência (mas o certo é que grupo deu por falta dos 3 forasteiros).
O que acabou por chamar a atenção do Bruno, durante metade do percurso não nos vimos, mas sabia que ele estava bem um dos caminheiros ligou-me , estava entre amigos e já caminhou outras vezes sem mim, ( mas com conhecimento prévio) sei que todos estão de olho nele.
Quando me reencontrou no ponto de chegada, foi como se não visse à uma infinidade de tempo.
Já esperava a celebre questão, do:O quê que aconteceu!?
-Lá lhe expliquei,que não devemos ficar alheios aos outros. ( perceber , percebeu)
Ainda assim, inquiriu, porque que tinha que ser a mãe a ficar a ver o que se passava com aquela pessoa.
Já de regresso a casa no carro, toca esta música.
E nem de propósito, ele diz que é dedicada à mim (mãe), e tem realmente tudo a ver, não existimos longe um do outro ...
A musica que ele me dedicou aqui
Faz parte do nosso ritual semanal, as caminhadas noturnas às quartas-feiras e esta semana não foi exececão.
O que não estava no programa era encontrar-mos um individuo inanimado, à porta de um prédio, todo grupo avançou, mas 3 pessoas (incluindo a mãe), voltaram para trás aquele ser humano precisaria de ajuda!? Não podiamos fingir que não vimos!
Enquanto resto do grupo já se tinha afastado, onde o Bruno estava incluido, na altura nem pensei nele e no facto de ter ficado para trás , ele vai sempre tão à frente e em boas companhias podia nem dar pela minha ausência (mas o certo é que grupo deu por falta dos 3 forasteiros).
O que acabou por chamar a atenção do Bruno, durante metade do percurso não nos vimos, mas sabia que ele estava bem um dos caminheiros ligou-me , estava entre amigos e já caminhou outras vezes sem mim, ( mas com conhecimento prévio) sei que todos estão de olho nele.
Quando me reencontrou no ponto de chegada, foi como se não visse à uma infinidade de tempo.
Já esperava a celebre questão, do:O quê que aconteceu!?
-Lá lhe expliquei,que não devemos ficar alheios aos outros. ( perceber , percebeu)
Ainda assim, inquiriu, porque que tinha que ser a mãe a ficar a ver o que se passava com aquela pessoa.
Já de regresso a casa no carro, toca esta música.
E nem de propósito, ele diz que é dedicada à mim (mãe), e tem realmente tudo a ver, não existimos longe um do outro ...
A musica que ele me dedicou aqui
Etiquetas:
afectos,
autismo,
caminhadas,
musica,
vivencias
terça-feira, 20 de outubro de 2015
O Livro da Catarina-Desafio do Autismo
O Livro da Catarina-Desafio do Autismo, brevemente disponível!
Os valores auferidos com venda do livro revertem , para o movimento CAIS -Centro de Autismo e Inclusão Social.
Podem ver apresentação , onde Asperger às Claras, esteve representado.
Ver aqui
Os valores auferidos com venda do livro revertem , para o movimento CAIS -Centro de Autismo e Inclusão Social.
Podem ver apresentação , onde Asperger às Claras, esteve representado.
Ver aqui
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
No pré lancamento do livro
No Pré-lançamento do livro:
"O livro da Catarina-Desafio do Autismo"
Com a Catarina e a mãe uma das Co-autoras do livro
Uma presença marcante a do nosso "ator", encantando no papel de Mozart.
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
"Perguntas!?"
Saídas,à Bruno, paro o carro e peço-lhe para perguntar a um
senhor, onde é a Junta de Freguesia.
-A minha mãe, pergunta onde é a Junta de Freguesia.
-Oh! Filho, basta perguntares onde é a Junta, não precisas
de dizer que foi a mãe , tu também não queres saber !?
O senhor responde, que fica ao pé da igreija.
E não é que do outro lado da rua, estava uma igreija.
-A igreija é aqui (diz ele).
-Isso, não é uma igreija, é uma capela (responde o senhor )
Lá continuamos, até á igreija onde começava a caminhada.
Nota-E, é quase
sempre assim, a pergunta, é sempre enunciada por outrém, dificilmente
tem iniciativa de o fazer, mesmo que esteja aflito ...São estas pequenas
particularidades que o distinguem.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



